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Quem é o publicitário Thiago Miranda, alvo de operação da PF sobre o caso Master

Fonte: brasil247.com | Data: 09/07/2026 17:47:16

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247 – A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a décima fase da Operação Compliance Zero, que investiga uma suposta estratégia articulada para comprometer a credibilidade do Banco Central por meio de campanhas em redes sociais. Entre os alvos da operação está o publicitário Thiago Miranda, proprietário da Miranda Comunicação, conhecida como Agência MiThi. As informações são da CNN Brasil.

Thiago Miranda aparece com frequência nas conversas extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no mesmo inquérito. Além de comandar a agência de comunicação, ele também é fundador do Portal LeoDias e, segundo a investigação, teria desempenhado papel central na seleção de influenciadores contratados para atacar o Banco Central e jornalistas.

A Agência MiThi se apresenta como especializada em construção de reputação e gerenciamento de crise. Voltada ao público de alta renda, afirma ter atendido a mais de 200 empresas, entre elas Gucci, Balenciaga, Prada e XP Investimentos.

De acordo com a Polícia Federal, Miranda teria atuado como intermediador entre Vorcaro e os influenciadores mobilizados após a liquidação do Banco Master. A corporação sustenta que a estratégia fazia parte de um plano organizado para ampliar críticas ao Banco Central e pressionar a autoridade monetária.

Conversas com Vorcaro

As investigações também apontam que Thiago Miranda participou de tentativas de monitorar jornalistas considerados incômodos por Daniel Vorcaro. Na última semana, vieram à tona mensagens nas quais o ex-banqueiro pediu ao publicitário que levantasse informações sobre a jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo, com o objetivo de impedir novas reportagens sobre o Banco Master.

Nas conversas, Vorcaro afirma que era preciso “encontrar algo dessa mulher no pessoal”. Em resposta, Miranda diz que não encontrou nenhum elemento comprometedor, “nem multa na CNH”, que pudesse ser utilizado para extorqui-la.

Segundo a investigação, Miranda também intermediou contatos entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), então pré-candidato à Presidência da República. O parlamentar afirmou que a relação era exclusivamente profissional e que as mensagens tratavam da cobrança de R$ 62 milhões em investimentos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Projeto DV

A Polícia Federal aponta Thiago Miranda como um dos principais participantes do chamado “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro. O plano teria sido estruturado para defender o Banco Master durante o processo que culminou em sua liquidação.

Conforme as investigações, por meio da Agência MiThi, o publicitário buscava influenciadores para integrar a campanha e atuava em conjunto com André Salvador, da empresa UNLTD, na coordenação das publicações direcionadas contra o Banco Central.

Em depoimento à Polícia Federal, Miranda reconheceu que foi responsável pela contratação dos influenciadores e afirmou ter apresentado a proposta a Daniel Vorcaro no fim do ano passado. Segundo ele, tratava-se de um serviço de gestão de crise, com contratos que poderiam alcançar R$ 8 milhões.

Em uma linha do tempo elaborada pela corporação, foram identificados ao menos 40 perfis que teriam participado do “Projeto DV” entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano.

De acordo com a investigação, as publicações apresentavam linguagem e estrutura semelhantes, defendendo que pessoas comuns seriam prejudicadas pelo “desmoronamento” do Banco Master, que haveria indícios de precipitação na liquidação da instituição e que o processo teria ocorrido em prazo considerado incomum. Além do Banco Central, um dos principais alvos das postagens era Renato Gomer, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da autarquia.

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