O tufão Bavi, que atingiu o arquipélago de Sakishima no sul do Japão e passou próximo ao norte de Taiwan, avança agora em direção à costa leste da China, com foco na região de Wenzhou, província de Zhejiang, onde vivem cerca de 10 milhões de pessoas. Autoridades chinesas ordenaram a evacuação de mais de 1,8 milhão de residentes, medida preventiva contra os ventos sustentados de 144 km/h – equivalentes a um furacão de categoria 1 – e as chuvas torrenciais que acompanham o fenômeno.

A tempestade, que perdeu intensidade ao se deslocar sobre mares mais frios, ainda representa riscos substanciais devido ao enorme volume de umidade em suas faixas de chuva, que se estendem por uma área comparável ao território da França. A previsão é que o Bavi toque o solo na madrugada de domingo, exigindo deslocamento em massa nas províncias de Zhejiang e Fujian, onde mais de 100 mil pessoas também foram retiradas de áreas vulneráveis.

Impacto econômico e logístico da tempestade

A região de Wenzhou é um polo industrial relevante, com forte presença nos setores de manufatura têxtil, calçados e componentes eletrônicos. A evacuação em larga escala e a paralisação temporária das atividades portuárias e fabris devem gerar pressões pontuais nas cadeias de suprimentos, especialmente para empresas que dependem de insumos da região. Analistas estimam que o fechamento de fábricas por 48 a 72 horas pode reduzir a produção local em até 0,3% no trimestre, com efeitos marginais sobre o PIB chinês.

O setor de logística também sentirá os impactos, com aeroportos e estradas interditados preventivamente. A China Railway informou que suspendeu dezenas de trens de alta velocidade na região, afetando o transporte de cargas e passageiros. No mercado de commodities, o temor de interrupções no escoamento de produtos agrícolas e industriais pode elevar a volatilidade nos preços do minério de ferro e do carvão, duas exportações importantes da província vizinha de Fujian.

Desdobramentos regionais e humanitários

Embora Japão e Taiwan não tenham registrado mortes até o momento, as Filipinas contabilizam 17 óbitos em decorrência do agravamento da monção sudoeste, potencializada pelo tufão. Em Taiwan, 87 pessoas ficaram feridas, a maioria em acidentes com motocicletas e bicicletas ou por objetos lançados pelo vento. O governo chinês mobilizou equipes de resgate e distribuiu suprimentos de emergência nos abrigos montados para os evacuados.

O fenômeno climático levanta preocupações sobre a resiliência da infraestrutura costeira chinesa, que já enfrenta pressão de eventos extremos mais frequentes. Investidores monitoram possíveis impactos nos seguros e resseguros, com seguradoras chinesas expostas a sinistros em propriedades e interrupção de negócios. A China Pacific Insurance e a PICC Property and Casualty podem registrar aumento nas solicitações de indenização, embora o montante ainda não seja estimado oficialmente.

Perspectivas para os mercados acionários

Na abertura dos mercados asiáticos na segunda-feira, espera-se que ações de empresas com exposição direta à região de Zhejiang, como a fabricante de painéis solares JinkoSolar e a siderúrgica Baoshan Iron & Steel, apresentem correções pontuais. Por outro lado, companhias de infraestrutura e construção civil, como a China Communications Construction, podem se beneficiar de futuros contratos de reconstrução. O índice CSI 300 deve oscilar entre perdas e ganhos, com volume de negócios reduzido pela cautela dos investidores.

A SpaceMoney recomenda que os investidores mantenham suas posições diversificadas, com atenção aos relatórios de danos que serão divulgados nos próximos dias. O impacto do tufão Bavi, embora severo do ponto de vista humano, parece administrável para a economia chinesa como um todo, que já enfrentou tempestades de magnitude similar nos últimos anos. A resiliência fiscal e a capacidade de resposta do governo chinês devem mitigar os efeitos de curto prazo sobre o PIB.