Novos habitantes do programa de conservação do Zoológico SP
Fonte: moemaeregiao.com.br | Data: 12/07/2026 13:01:07
Trabalho de conservação realizado pelo Jardim Zoologico de São Paulo transforma a antiga imagem de local de vitrine de animais em um porto seguro para as espécies
Ainda em alguns municípios brasileiros e de alguns outros países os Jardim Zoologicos são lugares em que animais deslocados de seu habitat natural são exibidos ao público em vitrines. Há alguns anos, felizmente, a conscientização sobre os sentimentos de todas as espécies e o direito deles à uma vida saudável vem crescendo. Em São Paulo, o programa de conservação do Zoológico é bastante sério e trabalha focado em oferecer oportunidade a diferentes animais.
No último mês de abril, o nascimento de uma jaguatirica comprovou a efetividade do programa. Filha de dois animais resgatados, que não teriam oportunidade de sobrevivência na natureza, ela cresce saudável e a partir deste mês pode ser vista por quem passear no Zoo. Outros três novos habitantes do local são adultos. Um trio de macacos-aranha-da-testa-branca, espécie ameaçada de extinção, se une a outro indivíduo no programa de conservação do Zoológico. Os três chegaram do Mato Grosso, após terem sido resgatados em diferentes condições e recebido cuidados em Sinop, no Centro de Vida Selvagem (CeVS) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Filhotinha de Jaguatiricas resgatadas
A fêmea nascida no último mês de abril é filha de duas jaguatiricas encontradas em situação de risco no Pantanal e no Amazonas. A mãe, Jaci, foi localizada durante os incêndios de 2024 no Mato Grosso e sem ter condições de retornar à natureza, foi transferida para São Paulo. Já o macho, Rudá, ainda filhote, foi encontrado sozinho na Floresta Nacional de Tefé, no Amazonas, após perder a mãe. Ambos viajaram à capital paulista em avião, por meio do programa Avião Solidário, da Latam Airlines. Eles integram as iniciativas de conservação da espécie no Zoológico de São Paulo.
A filhote desde o nascimento permanece sob os cuidados da mãe e monitoramento da equipe técnica. Nas primeiras semanas de vida, a alimentação foi baseada exclusivamente no leite materno. Pouco depois de completar um mês, a própria mãe iniciou a introdução de pequenas presas na dieta da cria, seguindo os hábitos carnívoros da espécie. Nesta fase agora, Jaci incentiva a filha a explorar o ambiente. Ambas já podem ser observadas pelos visitantes.
A jaguatirica adulta pode pesar de 11 kg a 16 kg e atingir cerca de 50 centímetros de altura. Carnívora, ocupa uma posição intermediária na cadeia alimentar e se alimenta de pequenas presas, como roedores, aves e marsupiais. Por isso, desempenha papel fundamental no controle dessas populações e na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. A espécie tem hábitos solitários, os indivíduos se aproximam apenas para a reprodução. Embora não esteja ameaçada de extinção, há registros de redução gradual de suas populações em ambientes naturais.
Macacos-aranha-da-testa-branca
Ainda que resgatados em diferentes locais, a história dos três macacos-aranha-da-testa-branca (Ateles marginatus) vindos de Sinop.MT tem semelhanças, todos foram encontrados ainda filhotes. Cigarra, hoje com três anos, foi encontrada após um incêndio em uma área do norte de Mato Grosso. Cupim, macho agora com quatro anos, foi encontrado ao lado da mãe, que morreu atropelada em uma via urbana de Sinop. A mais velha, Formiga, de oito anos, foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros em uma rodovia da região. Todos foram encaminhados ao Centro de Vida Selvagem (CeVS) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde permaneceram sob os cuidados da equipe coordenada pela professora Elaine Dione.
“Esses animais chegaram filhotes e precisaram de atendimento veterinário para superar as condições em que foram encontrados. Depois iniciou-se um trabalho de manejo comportamental e nutricional. Trata-se de uma espécie com organização social complexa, por isso buscamos preservar seus comportamentos naturais. Eles convivem juntos há anos e agora seguem para uma instituição que participa de um programa de reprodução da espécie, contemplada por um Plano de Ação Nacional”, explica Elaine Dione.
A transferência para o Programa de Conservação do Zoológico de São Paulo ocorreu por meio da parceria com o CeVS, feita também por via aérea pelo programa Avião Solidário, da Latam Airlines. Na chegada ao zoológico – em março deste ano – Cigarra, Formiga e Cupim cumpriram quarentena, passaram por exames veterinários e iniciaram a adaptação ao novo habitat.
O macho da espécie que já vivia no local, Joca, conheceu os novos companheiros na sequencia desta fase. Os quatro passaram a compartilhar o mesmo espaço na ilha dos primatas na última semana e já podem ser vistos pelos visitantes. Com a formação do grupo, composto por dois machos e duas fêmeas, o Zoológico de São Paulo amplia o trabalho de conservação do macaco-aranha-da-testa-branca. Entre as principais ferramentas está o studbook, gerenciado pela bióloga Tays Izidoro. É um banco de dados que reúne o histórico dos animais mantidos sob cuidados humanos e orienta o manejo genético, incluindo a formação de casais.
O macaco-aranha-da-testa-branca integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Endêmico do Brasil, o macaco-aranha-da-testa-branca ocorre em Mato Grosso e Pará e está classificado pelo ICMBio como Em Perigo de extinção. É um dos maiores primatas das Américas. Os membros longos, a cauda preênsil, utilizada como apoio durante a locomoção, e a mancha triangular branca na testa estão entre suas características mais marcantes. A dieta é composta principalmente por frutas, complementadas por folhas, brotos e cascas de árvores. Na natureza, forma grupos sociais complexos que podem reunir de 18 a 25 indivíduos.