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‘Rachadinha’ é uma questão jurídica ou política?

Fonte: maringapost.com.br | Data: 12/07/2026 13:58:15

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Tempo de leitura: 2 min

Não existe um banco de dados oficial unificado ou um “placar geral” que centralize o número exato de todos os vereadores acusados e cassados por “rachadinha” (repasses de salários de assessores) no Paraná. Como o estado possui 399 municípios, essas denúncias correm de forma pulverizada em cada Câmara Municipal e nas comarcas locais do Ministério Público do Paraná (MPPR).

No entanto, fazendo um levantamento dos casos mais emblemáticos e de grande repercussão nos últimos 10 anos (2016-2026), fica claro que as acusações pelo MPPR chegam às dezenas, mas as cassações políticas pelas próprias Câmaras são raras, sendo mais comum a perda de mandato ou condenação anos depois, por via judicial.

Os casos mais expressivos ilustram bem esse cenário:

Curitiba (A Capital)

Acusados: Em 2017, o Ministério Público investigou 5 vereadores sob suspeita de prática de rachadinha (Katia Dittrich, Thiago Ferro, Rogério Campos, Geovane Fernandes e Osias Moraes).

Cassados: Nenhum foi cassado pela Câmara na época. O Conselho de Ética arquivou a maioria dos casos ou aplicou punições leves (como uma suspensão de 30 dias para Katia Dittrich).

Caso Recente (2026): O vereador Lórens Nogueira (PP) foi flagrado pelo Gaeco em vídeo recebendo dinheiro vivo de uma assessora. Ele se tornou réu na Justiça e a Câmara Municipal de Curitiba abriu um processo de cassação por quebra de decoro que está em andamento.

Araucária (Operação Sinecuras)

Acusados: Foi um dos maiores escândalos do estado. Entre 2018 e 2019, o MPPR denunciou cerca de 10 vereadores e ex-vereadores (da legislatura de 2013-2016) envolvidos em um esquema que misturava o recebimento de “mensalinho” do Executivo com a exigência de repasse de salários de cargos comissionados (rachadinha).

Resultados: Embora muitos tenham terminado seus mandatos antes de uma cassação política, o desfecho judicial foi pesado: um dos ex-vereadores foi condenado a 28 anos e 8 meses de prisão em 2021, e outro vereador eleito posteriormente também foi condenado à perda de mandato pela Justiça.

Cianorte (Cassação Efetiva)

Cassado: Em abril de 2021, o vereador Adaílson Carlos Ignácio da Costa, conhecido como “Dadá”, teve o mandato efetivamente cassado pela Câmara Municipal de Cianorte. Ele foi investigado pelo MPPR após a denúncia de que ficava com parte dos vencimentos de um assessor do seu gabinete.

 Pinhais

Acusados/Condenados: O Ministério Público moveu ações civis públicas contra ex-parlamentares da cidade. Recentemente, o Judiciário condenou ex-vereadores por improbidade administrativa devido à comprovação da prática em seus gabinetes, aplicando penas de suspensão de direitos políticos e multas.

A engrenagem jurídica vs. política: Na maioria das vezes, quando um vereador é flagrado em esquemas de rachadinha, as corporações políticas (as Câmaras) tendem a blindar o colega ou arrastar o processo até o fim do mandato. Por isso, o número de condenações na Justiça (que geram perda de direitos políticos e impedem novas candidaturas pela Lei da Ficha Limpa) acaba sendo consideravelmente maior do que o número de cassações imediatas pelos plenários municipais.