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Governo Trump confirma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; Brasil anuncia reciprocidade e chama medida de “marco lastimável”

Fonte: ojanelao.com.br | Data: 16/07/2026 12:59:15

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Os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros, decisão chancelada pelo presidente americano Donald Trump e que entra em vigor em 22 de julho.

A medida decorre de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da legislação americana, que apontou, segundo Washington, práticas prejudiciais como favorecimento ao Pix, barreiras no acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e ao desmatamento.

Reação do governo brasileiro

O Palácio do Planalto repudiou a decisão e classificou a medida como política e injustificada. Em nota, o governo afirmou que acionará a Lei de Reciprocidade — mecanismo previsto na legislação brasileira para responder a barreiras comerciais de parceiros — e prometeu “medidas proporcionais” contra produtos americanos caso a cobrança seja mantida. O Planalto também chamou o ato de um “marco lastimável” nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

Opinião pública e polarização

Uma pesquisa Quaest divulgada após o anúncio mostra que a maioria dos brasileiros entrevistados responsabiliza membros da família Bolsonaro, em especial o senador Flávio Bolsonaro, pelas sanções recomendadas pelos EUA.

A informação amplia o tom político da controvérsia: segmentos da oposição e o próprio Flávio rebatem a leitura e atribuem a responsabilização ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de provocar os Estados Unidos e de negligenciar as negociações diplomáticas.

Quem é afetado: um recorte das exportações

Em 2025, os Estados Unidos compraram cerca de US$ 37,7 bilhões em produtos brasileiros — quase metade desse valor concentrada nos dez principais itens exportados. A nova tarifa de 25% incidirá sobre milhares de produtos, mas preservará boa parte dos itens que mais geram receita nas vendas ao mercado americano.

Entre os 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA em 2025, muitos ficaram fora da cobrança adicional, incluindo:

  • petróleo bruto;
  • café em grão;
  • aeronaves e partes de turbinas;
  • celulose branqueada;
  • carne bovina congelada;
  • suco de laranja (congelado e não congelado);
  • ferro-gusa e ferro-nióbio;
  • minério de ferro;
  • combustíveis de aviação;
  • silício.

Produtos que passarão a pagar a tarifa adicional de 25% (exemplos relevantes)

  • máquinas industriais (carregadeiras, transformadores elétricos, bulldozers, motoniveladoras);
  • pneus para automóveis, caminhões e ônibus;
  • açúcar de cana;
  • etanol;
  • tabaco em folhas;
  • madeira serrada e compensada, portas;
  • calçados de couro;
  • chapas de alumínio;
  • granito e pedras trabalhadas;
  • matérias proteicas.
Impacto econômico e setores mais expostos

Especialistas consultados afirmam que a medida deve pressionar setores industriais e alguns segmentos do agronegócio que dependem do mercado americano. Para fabricantes de máquinas e exportadores de pneus e alumínio, a tarifa representa aumento direto no custo final ao importador, que pode reduzir competitividade e volume de vendas. Setores preservados na lista de isenções (como petróleo e carne bovina) vão amortecer o impacto agregado sobre o total das exportações, mas governos estaduais e cadeias produtivas locais já começam a calcular perdas potenciais em receita e empregos.

Motivações e justificativas americanas
O USTR justificou a ação com alegações variadas: acesso restrito ao mercado de etanol, políticas que favoreceriam serviços de pagamentos (citando iniciativas brasileiras que teriam beneficiado o Pix) e preocupações ligadas à corrupção e ao desmatamento. A utilização da Seção 301 permite aos EUA impor sanções comerciais quando consideram que práticas estrangeiras prejudicam empresas americanas.

Resposta política doméstica

A escalada abriu um campo de batalha político interno: a oposição criticou o governo federal por, segundo seus membros, não ter negociado com firmeza, e acusou a gestão de ter provocado uma reação americana. Flávio Bolsonaro e aliados responsabilizaram o presidente Lula pela deterioração das relações e pela suposta falta de articulação diplomática. Por sua vez, o governo destaca que vai responder dentro dos marcos legais e que busca alternativas para mitigar efeitos sobre produtores e indústrias.

Próximos passos e calendário

A tarifa entra em vigor em 22 de julho. O governo brasileiro terá, nas próximas semanas, espaço para notificar medidas de reciprocidade e avaliar ações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Empresas afetadas já foram orientadas a avaliar contratos e possíveis reprecificações, enquanto setores exportadores aguardam negociações técnicas e exceções que possam ser negociadas com Washington.

Como isso pode chegar ao consumidor

Caso grande parte das tarifas seja repassada para preços finais, importadores e distribuidores podem elevar preços de bens industriais e alguns produtos agrícolas importados dos EUA, afetando principalmente indústrias que dependem de peças e equipamentos americanos. No curto prazo, o impacto mais evidente deve ser nas cadeias industriais exportadoras que terão de replanilhar custos.

Levantamento adicional

Os dados citados sobre os 50 produtos mais exportados aos EUA em 2025 foram obtidos do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A lista completa de produtos isentos e a relação detalhada dos bens que sofrerão a tarifa foram publicadas pelo USTR e pelo MDIC; especialistas indicam acompanhar essas listas para identificar painéis setoriais específicos e exceções por motivos econômicos ou estratégicos.