‘Vamos ampliar relações com Mercosul, Europa e China’, diz Rogério Correia após tarifaço de 25% anunciado pelos EUA (vídeo)
Fonte: brasil247.com | Data: 16/07/2026 17:32:02
247 – O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) destacou nesta quinta-feira (16) que o governo do presidente Lula ampliará o comércio com três regiões – países do Mercosul, Europa e China.
“Produtos brasileiros são de boa qualidade e isso não nos fará recuar”, afirmou o parlamentar ao repudiar o tarifaço de 25% anunciado pelo governo Donald Trump contra o Brasil por causa da condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito da trama golpista. “Bolsonaros inimigos do povo”, acrescentou.
O congressista aproveitou para repostar uma publicação do Perfil “PT Brasil” no X. “Ajudem a denunciar! Após articulação da família Bolsonaro, Estados Unidos atacam Pix e acusam o sistema de pagamento de prejudicar lucro de empresas concorrentes dos EUA. Vamos defender a soberania brasileira dos traidores da pátria!”.

Os Estados Unidos compraram cerca de US$ 37,7 bilhões em mercadorias brasileiras durante 2025, valor equivalente a aproximadamente R$ 192,7 bilhões. Os dez produtos mais exportados responderam por quase metade dessa receita, conforme dados do Comex Stat, plataforma oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A maior parte dos itens que lideraram as vendas brasileiras não enfrentará a nova tarifa, informou o Portal G1. O governo dos EUA manteve fora da cobrança adicional o petróleo bruto, o café em grão, as aeronaves, o ferro-gusa e a celulose branqueada.
A lista de exceções também inclui carne bovina congelada, suco de laranja congelado e não congelado, ferro-nióbio, minério de ferro, combustíveis de aviação, partes de turbinas e silício.
O tratamento diferenciado alcança ainda couro bovino, mel natural, hidróxido de alumínio, café solúvel e determinados produtos de madeira. As exclusões protegem segmentos que ocupam posições importantes na pauta exportadora brasileira para o mercado norte-americano.
Máquinas, pneus e combustíveis pagarão mais
A decisão do governo dos EUA atinge uma ampla variedade de bens industriais, agrícolas e energéticos. Entre os produtos sujeitos à tarifa adicional aparecem o fuel oil, óleo combustível que empresas utilizam na geração de energia e em processos industriais, e a gasolina.
O aumento também alcança carregadeiras, transformadores elétricos, tratores de esteira, conhecidos como bulldozers, e motoniveladoras. Esses equipamentos atendem principalmente aos setores de construção, infraestrutura, mineração e movimentação de cargas.
Fabricantes brasileiros de pneus para automóveis, caminhões e ônibus também enfrentarão a cobrança de 25%. O mesmo ocorrerá com exportadores de açúcar de cana, etanol e tabaco em folhas.
O governo norte-americano incluiu ainda portas, madeira serrada, madeira compensada, calçados de couro, granito, pedras trabalhadas, matérias proteicas e chapas de alumínio.
Exceções reduzem impacto sobre a receita exportadora
A quantidade de mercadorias sujeitas à tarifa amplia o alcance da medida, mas as exceções limitam o impacto imediato sobre os produtos que mais geram receita para o Brasil nos Estados Unidos.
Petróleo bruto, café, aeronaves, carne bovina, celulose e suco de laranja ocupam posições de destaque na relação bilateral. Ao retirar esses itens da cobrança, Washington preserva uma parcela significativa do fluxo comercial entre os dois países.
Os setores incluídos na nova tarifa enfrentarão custos adicionais para acessar o mercado norte-americano a partir de 22 de julho. A medida afetará principalmente segmentos industriais e produtos processados, enquanto grande parte das principais commodities brasileiras continuará fora da sobretaxa.
Comércio

China, Estados Unidos e Argentina conduziram as relações comerciais do Brasil em 2025, período em que a balança registrou superávit de US$ 63,8 bilhões. Dados divulgados em 6 de janeiro de 2026 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o mercado chinês ampliou as compras, a demanda argentina avançou com força e as exportações brasileiras aos EUA recuaram.
O levantamento consolidado do MDIC também detalhou os dez principais destinos das vendas externas e as maiores origens das importações brasileiras. A China ocupou a primeira posição nos dois fluxos e garantiu ao Brasil o maior saldo bilateral entre os três principais parceiros.
China
As empresas chinesas adquiriram US$ 100,1 bilhões em mercadorias brasileiras ao longo de 2025, crescimento de 5,99% ante o ano anterior. O país asiático concentrou 28,69% de todas as exportações do Brasil, participação superior à soma dos Estados Unidos, da Argentina e dos Países Baixos.
No sentido oposto, o Brasil importou US$ 70,9 bilhões em produtos chineses, alta de 11,46% na comparação anual. A China respondeu por 25,30% das compras brasileiras no exterior.
A diferença entre os dois fluxos garantiu ao Brasil um superávit bilateral de aproximadamente US$ 29,1 bilhões. O resultado reforçou a posição chinesa como principal mercado para as exportações nacionais e maior fornecedora de mercadorias ao país.
EUA
Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar entre os compradores de produtos brasileiros. As exportações alcançaram US$ 37,7 bilhões, queda de 6,57% em relação a 2024. O mercado norte-americano ainda absorveu 10,81% das vendas externas do Brasil.
A retração ocorreu em um período marcado pelo chamado “tarifaço” sobre determinados itens brasileiros. Ao mesmo tempo, as importações vindas dos Estados Unidos cresceram 11,30% e chegaram a US$ 45,2 bilhões, equivalentes a 16,14% das compras externas do país.
Com esse movimento, o comércio bilateral apresentou déficit de cerca de US$ 7,5 bilhões para o Brasil. O país comprou mais produtos norte-americanos e reduziu os embarques ao segundo maior destino de suas exportações.
Argentina
A Argentina ocupou o terceiro lugar entre os mercados das mercadorias brasileiras. As vendas ao país vizinho somaram US$ 18,1 bilhões e cresceram 31,41%, a maior expansão entre os três primeiros colocados. A participação argentina nas exportações chegou a 5,19%.
O Brasil importou US$ 12,9 bilhões em produtos argentinos, valor 4,73% menor que o registrado em 2024. A Argentina representou 4,61% das compras brasileiras no exterior.
Esses números produziram um superávit próximo de US$ 5,2 bilhões para o Brasil. O avanço das exportações e a redução das importações ampliaram a diferença favorável no comércio entre as duas maiores economias da América do Sul.
Países Baixos
Depois de China, Estados Unidos e Argentina, os Países Baixos apareceram como o quarto maior destino das exportações brasileiras. O mercado holandês comprou US$ 11,7 bilhões, recuo de 0,22%, e respondeu por 3,37% do total.
A Espanha ocupou a quinta posição, com US$ 8,8 bilhões e queda de 11,79%. Em seguida vieram México, com US$ 7,7 bilhões e retração de 0,92%; Singapura, com US$ 7,4 bilhões e baixa de 5,65%; e Canadá, com US$ 7,3 bilhões e avanço de 27,54%.
O Chile alcançou o nono lugar ao comprar US$ 7,2 bilhões em produtos brasileiros, crescimento de 8,24%. A Índia completou a lista dos dez principais destinos, com US$ 6,9 bilhões e expansão de 30,15%.
Os demais mercados adquiriram US$ 135,8 bilhões, alta de 2,18%, e concentraram 38,95% das exportações brasileiras. Essa fatia mostra que quase quatro de cada dez dólares obtidos com vendas externas vieram de países fora das dez primeiras posições.
Alemanha
Entre as origens das importações, a Alemanha apareceu atrás de China e Estados Unidos. O Brasil comprou US$ 14,4 bilhões em produtos alemães, aumento de 4,53%, montante equivalente a 5,14% do total importado.
A Argentina ficou em quarto lugar, seguida pela Rússia, que vendeu US$ 9,4 bilhões ao Brasil. As importações russas recuaram 14,19% e representaram 3,36% das compras externas brasileiras.
A Índia ocupou a sexta posição, com US$ 8,4 bilhões e crescimento de 21,98%. França, Itália, México e Japão completaram a relação das dez maiores origens.
As compras de produtos franceses chegaram a US$ 7,2 bilhões, alta de 3,14%. As importações italianas somaram US$ 7,1 bilhões e cresceram 10,45%. O México forneceu US$ 6,2 bilhões, avanço de 8,52%, enquanto o Japão vendeu US$ 6,1 bilhões, aumento de 11,43%.
Os países fora das dez primeiras posições responderam por US$ 92,6 bilhões em importações. O grupo registrou crescimento de 3,29% e reuniu 33,02% de todas as compras brasileiras no exterior.
Petróleo, soja e minério
Óleos brutos de petróleo, soja, minério de ferro, carne bovina e café torrado figuraram entre os principais produtos vendidos pelo Brasil aos maiores parceiros comerciais em 2025.
Os dados do MDIC revelam uma pauta marcada pela liderança chinesa, pela redução dos embarques aos Estados Unidos e pela recuperação da demanda argentina. Ao mesmo tempo, China e EUA concentraram juntos 41,44% das importações brasileiras, enquanto os dez principais destinos absorveram 61,05% das exportações nacionais.
TARIFLÁVIO TAXOU VOCÊ
Enquanto Flávio e a família Bolsonaro tentam nos VENDER para os Estados Unidos, o governo do presidente Lula defende nossa soberania nacional e fortalece relações com outros países que respeitam o Brasil e o povo brasileiro.
DEFENDA O BRASIL
BOLSONAROS… pic.twitter.com/st18fb2Zcj— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) July 16, 2026
🚨 AJUDEM A DENUNCIAR! Após articulação da família Bolsonaro, Estados Unidos atacam Pix e acusam o sistema de pagamento de prejudicar lucro de empresas concorrentes dos EUA. Vamos defender a soberania brasileira dos traidores da pátria! 🇧🇷 pic.twitter.com/igaEHin5OQ
— PT Brasil (@ptbrasil) July 16, 2026
Articulação da família Bolsonaro
Após a condenação de Jair Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que perdeu o mandato de deputado federal, atuaram nos Estados Unidos em favor de medidas punitivas contra o Brasil.
Washington elevou em 25% a tarifa aplicada a parte das mercadorias brasileiras e direcionou críticas ao Pix. Sob o comando do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo norte-americano também incluiu o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na categoria de organizações terroristas. A sobretaxa e a classificação das facções integram o conjunto de sanções adotado contra o país.
O Banco Central lançou o Pix, sistema que registrou avanço de 20% em 2025 e alcançou 30,1 bilhões de transações no período. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou esses números em 26 de junho, na Pesquisa de Tecnologia Bancária. O estudo também mostrou que os canais digitais, como aplicativos e internet banking, já concentram 83% das operações bancárias realizadas no Brasil.
A ampliação dos vínculos brasileiros com a China e outras nações do Sul Global também aparece entre as explicações atribuídas à postura intervencionista dos Estados Unidos. A China sedia o BRICS, grupo que reúne países com mais de 40% da população mundial. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o bloco concentra 37% da economia global quando o cálculo do Produto Interno Bruto considera a paridade do poder de compra.
Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), publicados pelo BRICS, apontam que os integrantes do grupo respondem por 26% do comércio internacional. No segmento energético, números do Ministério de Minas e Energia (MME) indicam que o bloco reúne 44% das reservas mundiais de petróleo e 53% das reservas de gás natural. Os países do BRICS também produzem 43% do petróleo e 35% do gás extraídos no mundo.
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