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Eneva eleva geração bruta em 35% no segundo trimestre

Fonte: brasil247.com | Data: 16/07/2026 19:45:13

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247 – A Eneva registrou geração bruta de 2.537 gigawatts-hora (GWh) no segundo trimestre de 2026, avanço de 35% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado pelo acionamento das termelétricas abastecidas com gás próprio para atender ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Os dados constam do relatório operacional preliminar e não auditado divulgado pela companhia nesta quinta-feira (16). Listada na B3 sob o código ENEV3, a Eneva atua na geração e comercialização de energia elétrica, além da exploração, produção e venda de gás natural.

O crescimento ocorreu em um período marcado pela permanência das usinas do Complexo Parnaíba entre os empreendimentos competitivos para despacho por ordem de mérito. O acionamento térmico também respondeu à redução sazonal da geração hidrelétrica e à necessidade de ampliar a oferta no fim do dia, quando a produção solar diminui.

O despacho médio ponderado do portfólio da Eneva passou de 15% no segundo trimestre de 2025 para 20% no mesmo intervalo de 2026. Entre as usinas abastecidas com gás próprio, o índice chegou a 48%, enquanto os ativos dependentes de combustíveis fornecidos por terceiros tiveram despacho inferior a 1%.

Termelétricas ampliam geração em 46%

A geração líquida das termelétricas da companhia somou 2.230 GWh, crescimento de 46% ante os 1.532 GWh registrados um ano antes. O Complexo Parnaíba respondeu pela maior parcela do volume, com geração bruta de 1.948 GWh, acréscimo anual de 645 GWh.

Do total líquido produzido pelo complexo, 1.288 GWh foram remunerados pelo Custo Variável Unitário (CVU), principalmente por despachos determinados pela ordem de mérito. Outros 410 GWh foram liquidados no mercado de curto prazo ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

As unidades Parnaíba I, III, IV e V também destinaram 96 GWh líquidos à exportação de energia, com preços estabelecidos em contratos bilaterais. A Parnaíba VI gerou 45 GWh para cumprir a inflexibilidade prevista no contrato regulado, vigente entre junho e novembro.

A disponibilidade média do Complexo Parnaíba ficou em 83%. O indicador foi afetado principalmente pela manutenção preventiva da Parnaíba II, cuja disponibilidade caiu para 44% no trimestre. Os trabalhos foram encerrados em 6 de junho, quando a unidade voltou a operar com disponibilidade integral.

A Parnaíba I gerou 786 GWh líquidos, seguida pela Parnaíba V, com 439 GWh; Parnaíba II, com 327 GWh; Parnaíba III e VI, com 255 GWh; e Parnaíba IV, com 32 GWh.

Azulão I conclui testes para operação comercial

A UTE Azulão I chegou à etapa final de preparação para iniciar a operação comercial. A unidade concluiu os testes e procedimentos de comissionamento, incluindo uma operação contínua de 96 horas realizada no fim de junho.

Durante o segundo trimestre, a usina registrou geração líquida de 97 GWh exclusivamente em atividades de teste e preparação. A energia foi negociada de acordo com o PLD horário vigente em cada momento da produção.

O início da operação comercial e do contrato regulado está previsto para 1º de agosto. A entrada da Azulão I acrescentará um novo ativo ao sistema integrado de gás e energia mantido pela companhia na Bacia do Amazonas.

A UTE Luiz Oscar Rodrigues de Melo (LORM), por sua vez, iniciou em 1º de julho o contrato decorrente do Leilão de Reserva de Capacidade de 2021. Para as unidades Viana 1, Povoação 1 e LORM 1, o começo dos contratos está previsto para agosto.

Essas quatro usinas tiveram a operação comercial suspensa em 6 de abril, a pedido da Eneva, até a vigência dos novos contratos. No segundo trimestre, o conjunto gerou apenas 1 GWh líquido, relacionado a testes e a um pequeno volume produzido no início de abril.

Jaguatirica reduz produção e Itaqui passa por manutenção

A UTE Jaguatirica II, em Roraima, gerou 157 GWh líquidos no trimestre, abaixo do volume registrado no mesmo período de 2025. Segundo a Eneva, a redução decorreu da menor demanda do sistema elétrico estadual.

A usina apresentou despacho de 60%, ante 76% no segundo trimestre do ano passado. A disponibilidade permaneceu em 100%. Desde a conexão ao Linhão Manaus-Boa Vista, em setembro de 2025, Jaguatirica II opera integrada ao SIN e passou a ser acionada de forma centralizada.

A UTE Itaqui registrou 15 GWh líquidos, principalmente por despacho por ordem de mérito. A disponibilidade média caiu para 28% devido a intervenções na caldeira, realizadas entre 12 de abril e 16 de maio, e à manutenção preventiva da turbina iniciada em 1º de junho.

No Porto de Sergipe I, a geração líquida ficou em 2 GWh, associada a testes de disponibilidade após manutenções preventivas no sistema de caldeira. A usina apresentou disponibilidade média de 97%, mas não teve despacho comercial relevante no período.

Produção de gás cresce com demanda das térmicas

A produção de gás natural da Eneva chegou a 0,47 bilhão de metros cúbicos no segundo trimestre, acima dos 0,37 bilhão de metros cúbicos apurados um ano antes. O Complexo Parnaíba respondeu por 0,42 bilhão de metros cúbicos, enquanto a Bacia do Amazonas produziu 0,05 bilhão.

O avanço no Parnaíba refletiu a maior necessidade de combustível das termelétricas. Cerca de 5,1% do volume extraído na região foi destinado aos contratos de fornecimento de gás natural liquefeito em pequena escala.

Na Bacia do Amazonas, a produção permaneceu próxima à registrada no segundo trimestre de 2025. O combustível abasteceu a UTE Jaguatirica II e também foi utilizado nos testes de comissionamento da Azulão I.

Ao final de junho, as reservas provadas e prováveis, classificadas como 2P, totalizavam 46,5 bilhões de metros cúbicos. Desse volume, 37,1 bilhões estavam nos campos da Bacia do Parnaíba e 9,5 bilhões na Bacia do Amazonas.

Cortes limitam produção do Complexo Solar Futura

O desempenho das termelétricas contrastou com a retração do Complexo Solar Futura 1. A geração líquida do empreendimento caiu para 294 GWh, ante 338 GWh no segundo trimestre de 2025 e 340 GWh nos três primeiros meses de 2026.

O parque registrou 87 GWh de geração frustrada por restrições determinadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Um ano antes, os cortes haviam alcançado 69 GWh; no primeiro trimestre deste ano, somaram 58 GWh.

A restrição, conhecida no setor como curtailment, ocorre quando o operador limita a produção devido à oferta superior à demanda ou à insuficiência da rede de transmissão para escoar a energia. O impacto também foi ampliado pela menor incidência solar esperada sazonalmente no Nordeste durante o segundo trimestre.

Apesar dos cortes, a disponibilidade média do Futura 1 ficou em 99%. O complexo reúne 22 usinas fotovoltaicas, com capacidade instalada total de 692,4 megawatts.

No conjunto do SIN, as limitações impostas às fontes solar e eólica atingiram uma média de 19% no trimestre, acima dos 16% dos três primeiros meses do ano e dos 15% verificados no mesmo período de 2025.

Menor geração hídrica sustenta despacho térmico

A carga média do SIN ficou em 77,5 gigawatts médios no segundo trimestre, abaixo dos 84,5 gigawatts médios do trimestre anterior, em razão do fim do verão e da redução das temperaturas. Em relação ao mesmo período de 2025, houve crescimento de 0,9 gigawatt médio.

A participação das hidrelétricas na geração nacional recuou de 65% no primeiro trimestre para 61%. As termelétricas responderam por 11% da produção média do sistema, ante 10% nos três meses anteriores.

O despacho térmico também contribuiu para a recuperação gradual dos reservatórios ao longo do trimestre. Além do atendimento ao mercado interno, o sistema brasileiro exportou cerca de 750 megawatts médios, em operação contínua iniciada no fim de abril.

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