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Pediatras do PSM da 14 paralisam de forma parcial os atendimentos no hospital

Fonte: oliberal.com | Data: 19/07/2026 16:36:51

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Pediatras do Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, localizado no bairro do Umarizal, em Belém, paralisaram parcialmente as atividades desde o último sábado (18). A medida foi comunicada pela equipe médica à administração da unidade, à Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), à empresa OnSaúde, responsável pela gestão dos profissionais, ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) e ao Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa).

O Grupo Liberal teve acesso ao documento que detalha a decisão. Conforme o comunicado, os atendimentos pediátricos de demanda espontânea serão reduzidos a 30% do fluxo considerado normal, com manutenção da assistência apenas aos pacientes classificados como laranja e vermelho, conforme o Protocolo de Manchester. A paralisação permanecerá até que os pagamentos em atraso sejam regularizados. A equipe também solicita a apresentação de um cronograma para quitação dos plantões médicos, além da garantia de acesso da população ao serviço essencial.

De acordo com o documento, a paralisação foi motivada por sucessivos atrasos salariais referentes aos plantões realizados na unidade. Os médicos afirmam que o último pagamento recebido corresponde ao mês de abril de 2026 e que os valores referentes a maio, com vencimento em junho, ainda não têm previsão de pagamento.

Represália

Uma das profissionais, que permaneceu em atividade como parte dos 30% de profissionais mantidos no atendimento, relatou supostas pressões durante a paralisação, classificadas por ela como “ameaças veladas” por parte da direção da unidade e da empresa responsável pela contratação dos médicos. Segundo a denunciante, profissionais que aderiram ao movimento teriam sido pressionados a deixar o plantão para dar lugar a médicos contratados emergencialmente.

O caso, segundo ela, foi comunicado ao sindicato e registrado em boletim de ocorrência. A médica afirma que a empresa contratou profissionais recém-formados para substituir os pediatras que aderiram à paralisação. De acordo com o relato, alguns dos substitutos teriam cerca de um mês de formados e não possuiriam experiência em pediatria.

“Infelizmente, não tivemos nenhuma resposta positiva ou previsão de pagamento da OS responsável pela gestão da escala e pelo pagamento médico do setor de pediatria. A postura da referida empresa foi justamente o contrário: ontem, substituíram os colegas médicos que estavam de plantão e colocaram médicos inexperientes, com menos de 30 dias de formados, para realizar atendimento de urgência pediátrica. E os médicos da escala foram retirados”, afirma.

Segundo a representante, o aviso prévio de 48 horas foi encaminhado aos órgãos competentes. Ela destacou que a paralisação atinge apenas os atendimentos de pacientes de baixo risco. “A paralisação ocorre apenas para pacientes de baixo risco, enquanto o atendimento de pacientes graves, classificados como vermelho ou laranja, permanece normalmente. Mas a postura da Prefeitura e da empresa que opera no HPSM Mário Pinotti, infelizmente, não nos garante o básico, que é o direito de receber o salário de forma devida, e agora nem mesmo o direito de paralisar”, observa.

A médica acrescentou que, até o momento, não há previsão de manifestações públicas para cobrar os pagamentos, mas informou que a paralisação será mantida. “Como houve represálias à equipe, vamos aos sindicatos dos médicos amanhã nos organizar”, diz.

Meses de atraso

A coordenadora-geral da Associação de Servidores de Saúde do Município de Belém (Assesmub), Rosana Rocha, afirmou que a paralisação dos pediatras começou na tarde de sábado (18). Segundo ela, há pendências referentes a pagamentos com vencimentos em 10 de maio, 20 de junho e 10 de julho.

“Quem paralisou foi somente a terceirizada. Temos dois médicos efetivos que recebem direto pela prefeitura que não paralisaram. Houve o remanejamento de dois médicos recém-formados, que foram encaminhados para cobrir o plantão de ontem, sem experiência em pediatria, o que pode colocar em risco a vida ou causar agravamento do quadro clínico das crianças que dão entrada no hospital.”

Posicionamento

A reportagem do Grupo Liberal solicitou posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e da empresa OnSaúde sobre os atrasos nos pagamentos, a contratação de médicos para substituição dos profissionais paralisados e as denúncias de represálias. O espaço permanece aberto para manifestação.