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‘Traidor com green card. Foi recompensa por atuar contra o Brasil’, diz Lindbergh após Eduardo Bolsonaro receber benefício do governo Trump

Fonte: brasil247.com | Data: 20/07/2026 19:03:24

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247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) publicou um vídeo pela rede social X nesta segunda-feira (20) para criticar a iniciativa do governo Donald Trump de conceder o green card ao ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Com o documento, o ex-parlamentar pode trabalhar ou estudar nos EUA, onde faz articulações junto a membros do Partido Republicano para incentivar sanções contra o Brasil por causa da condenação de Jair Bolsonaro (PL) por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito da trama golpista. O ex-mandatário foi condenado a 27 anos e três meses de prisão e atualmente está em prisão domiciliar em decorrência de problemas de saúde. 

Segundo o petista, a decisão do governo Trump “foi uma recompensa pessoal, porque esse cara (Eduardo Bolsonaro) trabalhou contra o Brasil e trabalhou para defender os interesses dos EUA”. “Uma barbaridade”, desabafou Lindbergh. 

“Traidor com green card! Trump concedeu Green Card ao Eduardo Bolsonaro. Recompensa pelo tarifaço e todos os serviços prestados contra o Brasil? Próximo passo dele é pedir cidadania norte-americana? Seria bem coerente para um traidor da Pátria!”, acrescentou. 

Entenda

As críticas de Lindbergh estão atreladas ao tarifaço imposto por Donald Trump que ampliaram a pressão dos EUA sobre o Brasil ao estabelecer uma sobretaxa de 25% sobre parte das mercadorias brasileiras vendidas ao mercado estadunidense. A decisão, anunciada no último dia 15, afeta produtos industriais, agrícolas e energéticos e se soma a outras medidas adotadas por Washington.

Ao justificar a nova política comercial, a administração Trump apontou seis áreas de conflito com o Brasil: comércio digital e meios eletrônicos de pagamento, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado brasileiro de etanol, aplicação de normas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual e tarifas consideradas desleais ou preferenciais.

A lista de itens submetidos à cobrança adicional inclui óleo combustível, gasolina, carregadeiras, transformadores elétricos, tratores do tipo bulldozer, motoniveladoras, pneus destinados a automóveis, caminhões e ônibus, além de açúcar de cana, etanol e tabaco em folhas. Os dados foram divulgados pelo Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Números publicados na plataforma oficial do governo também indicaram a incidência da tarifa sobre portas, madeira serrada, compensados de madeira, calçados de couro, granito, pedras beneficiadas, matérias proteicas e chapas de alumínio.

Alguns dos principais produtos da pauta exportadora brasileira, no entanto, permanecerão livres da sobretaxa. Entre eles estão petróleo bruto, café em grão, aeronaves, ferro-gusa, celulose branqueada, carne bovina congelada, suco de laranja congelado e não congelado, ferro-nióbio e minério de ferro.

Combustíveis de aviação, peças de turbinas e silício também foram excluídos da cobrança. A relação de exceções contempla ainda couro bovino, mel natural, hidróxido de alumínio, café solúvel e determinadas mercadorias do setor madeireiro.

Com as isenções, áreas relevantes para a geração de receitas brasileiras nos Estados Unidos, como petróleo, aviação, café, carnes, celulose e suco de laranja, terão uma parcela significativa de suas exportações preservadas.

Além da ofensiva tarifária, o governo estadunidense enquadrou as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A classificação passou a valer em 5 de junho e integra o conjunto de iniciativas punitivas adotadas contra estruturas associadas ao Brasil. O governo brasileiro avalia que esta nova classificação abre a possibilidade de sanções contra o Brasil, além de possibilitar até mesmo mesmo uma possível ação militar em território brasileiro por forças dos EUA.

Agressões à soberania e a trama golpista

A combinação entre as tarifas comerciais e o novo enquadramento das facções amplia o risco de restrições contra interesses brasileiros em operações internacionais. Representantes do campo progressista afirmam que as decisões de Washington ultrapassam disputas econômicas e representam uma interferência na soberania nacional e no processo eleitoral brasileiro.

As medidas foram divulgadas em meio à movimentação de integrantes da família Bolsonaro nos EUA. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, esteve no país em pelo menos seis ocasiões ao longo deste ano.

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro vive em território estadunidense desde o início de 2025. A atuação dos dois nos EUA é apontada por adversários políticos como parte de uma tentativa de aproximar a extrema direita brasileira do governo Trump e estimular pressões externas contra instituições nacionais.

Condenação de Eduardo

Em 16 de junho, ministros do STF condenaram Eduardo Bolsonaro, já cassado, a quatro anos de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A decisão considerou sua atuação nos Estados Unidos para obter apoio de setores ligados à extrema direita norte-americana e pressionar o Judiciário brasileiro.

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal, pela Procuradoria-Geral da República e pelo STF, o ex-parlamentar buscou mobilizar aliados políticos no exterior contra a Corte em razão dos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado.

A pena foi fixada inicialmente em regime semiaberto, modalidade na qual o condenado pode exercer atividades de trabalho ou estudo durante o dia, devendo retornar à unidade prisional no período noturno.

No conjunto de ações sobre a trama golpista, o Supremo condenou 29 pessoas. Jair Bolsonaro recebeu a maior punição, de 27 anos e três meses de prisão. O ex-mandatário foi responsabilizado por golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado pela violência.

TRAIDOR COM GREEN CARD! Trump concedeu Green Card ao Eduardo Bolsonaro. Recompensa pelo tarifaço e todos os serviços prestados contra o Brasil? Próximo passo dele é pedir cidadania norte-americana? Seria bem coerente para um traidor da Pátria! pic.twitter.com/D1mMhW6t0t

— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) July 20, 2026

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