Banco Master repassou R$ 3,6 bilhões em dívidas para gestora investigada por fraudes e elo com PCC
Fonte: brasil247.com | Data: 21/07/2026 06:48:26
247 – O Banco Master realizou o repasse de ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para fundos geridos ou vinculados à Reag, gestora que se tornou alvo de investigações da Polícia Federal (PF) por suspeitas de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro vinculada ao setor de combustíveis e ao crime organizado, informa o Metrópoles.
O levantamento das transações baseou-se em 112 operações de crédito cedidas a terceiros, detalhadas em uma lista de empréstimos entregue à Justiça pelo liquidante do Banco Master. A documentação integra o processo em que Henrique Vorcaro, pai do empresário Daniel Vorcaro, tenta reverter a decisão judicial que determinou o congelamento de seus bens.
Conforme a apuração da Polícia Federal, a Reag atuava na estruturação e na administração de fundos de investimento suspeitos de movimentar recursos de maneira atípica e manipular dados para inflar artificialmente balanços financeiros. O fundador da gestora, João Carlos Mansur, figura entre os investigados do esquema.
A linha de investigação mantida pelas autoridades indica que as operações de cessão de crédito visavam criar espaço no balanço do Banco Master para permitir a emissão de novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e a captação de mais empréstimos. Na prática, a instituição financeira captava recursos no mercado por meio dos CDBs e repassava os valores em forma de empréstimo para empresas parceiras. Estas empresas aplicavam os montantes em fundos de investimento que, por sua vez, utilizavam parcela desse capital para comprar as carteiras de crédito das próprias tomadoras. Como as dívidas não eram cobradas, o prejuízo do calote era transferido para os fundos.
A análise do documento, que reúne transações executadas entre os anos de 2021 e 2025, identificou a transferência dos R$ 3,6 bilhões distribuídos entre 11 fundos distintos. Em diversas ocasiões, o contrato de empréstimo original e o repasse do débito para o fundo ocorriam exatamente no mesmo dia.
Em um dos casos citados na reportagem, seis operações totalizaram R$ 130 milhões em empréstimos concedidos a companhias do grupo Gafisa. No próprio dia da formalização, as dívidas foram transferidas ao Yvrac Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, fundo que conta com participação do próprio Banco Master. As transações desse modelo tiveram início em 2022 e se estenderam até setembro do ano passado. Em informe trimestral recente elaborado pela Reag, a gestora declarou que “os lastros apresentados estão em conformidade com a característica do fundo (Direitos Creditórios) e correspondem aos ativos refletidos na carteira”.
A “Estrutura Frozen” e o vínculo com a Operação Carbono Oculto
Além das operações com a Reag, o levantamento apontou o repasse de R$ 357 milhões em créditos de dívidas do Banco Master para o fundo Astralo 95, um dos alvos da Operação Carbono Oculto. A ação policial investiga uma rede de fraudes, lavagem de capitais e ocultação de bens no comércio de combustíveis com ligações diretas com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Astralo 95 integra um conglomerado financeiro apelidado pelos investigadores de “estrutura Frozen”, composto por fundos batizados com nomes de personagens da animação da Disney, como Olaf, Hans, Sven e Anna. As operações de crédito cedidas ao Astralo 95 envolvem oito pessoas físicas e jurídicas e foram firmadas entre 2022 e 2024.
O fundo também se tornou alvo de ações movidas pelo liquidante do Banco Master para evitar o esvaziamento patrimonial da instituição bancária. Entre as transações sob suspeita citadas na interpelação judicial, destaca-se uma negociação em que o fundo Anna obteve um lucro de R$ 200 milhões em menos de 24 horas. Na ocasião, o fundo Anna adquiriu do Astralo 95 cotas do fundo RSG pelo valor de R$ 900 milhões e as revendeu, no mesmo dia, por R$ 1,1 bilhão ao fundo Máxima 2 — veículo controlado pelo próprio Banco Master.
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