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Thiago Ávila vê Lula como barreira a Trump e ao sionismo

Fonte: brasil247.com | Data: 22/07/2026 21:14:12

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247 – A disputa eleitoral de 2026 será determinante para a defesa da soberania brasileira diante das pressões internacionais, na avaliação de Thiago Ávila. Em entrevista concedida a Hildegard Angel e exibida pelo Brasil 247 no sábado (18), o ativista defendeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou as relações do Brasil com Israel e relatou sua participação em flotilhas humanitárias destinadas à Faixa de Gaza.

Pré-candidato a deputado federal pela Rede Sustentabilidade, Ávila afirmou que Lula ocupa uma posição estratégica na contenção dos interesses associados ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao sionismo — termo empregado por ele para se referir à ideologia e às forças políticas que sustentam o Estado de Israel.

“Lula representa a barreira de contenção ao imperialismo e ao sionismo”, declarou.

Na interpretação do ativista, mesmo políticas consideradas moderadas pelo campo progressista são rejeitadas por grupos econômicos e políticos estrangeiros interessados em ampliar sua influência sobre o Brasil. Ávila citou a universidade e a saúde públicas, além do Pix, como exemplos de instrumentos nacionais que limitam a atuação de grandes corporações.

Ele também acusou setores da direita e da extrema direita de buscar apoio externo para conquistar o governo brasileiro e beneficiar interesses norte-americanos e israelenses. As alegações apresentadas na entrevista não foram acompanhadas de provas documentais.

Reeleição não dispensa pressão popular

Apesar de apoiar Lula, Ávila disse considerar insuficientes algumas decisões do governo, especialmente na política externa para Israel. Segundo ele, essa avaliação crítica não elimina a importância da eleição presidencial.

“O governo do presidente Lula tem limites, mas é inadiável a tarefa de eleger e reeleger o presidente Lula como única possível barreira de contenção dentro do sistema político atual contra o fascismo, o imperialismo e o sionismo”, afirmou.

O pré-candidato acrescentou que a atuação política não pode ficar limitada às urnas. Para ele, a capacidade de influenciar governos depende da organização coletiva, da conscientização política e da presença dos movimentos sociais nas ruas.

“Apertar um botão nunca vai fazer uma revolução, embora seja importante nesse momento. O que vai garantir que a gente tenha força material para travar essa batalha é povo na rua, é mobilização, é consciência”, disse.

Ávila afirmou que sua campanha vem recebendo apoio de pessoas interessadas não apenas em votar, mas também em participar de mobilizações. Segundo os números apresentados por ele, a candidatura ocupava o sexto lugar em arrecadação no estado de São Paulo e a 23ª posição nacional por meio de financiamento coletivo.

A expectativa da federação formada por PSOL e Rede, acrescentou, é eleger entre seis e sete deputados federais em São Paulo. Ávila reconheceu, contudo, que pesquisas para eleições proporcionais têm alcance limitado e não permitem previsões seguras.

Brasil como alvo de interesses internacionais

Na entrevista, Ávila associou a importância eleitoral do Brasil à posição estratégica do país na economia mundial. Ele mencionou a relação comercial com a China, as reservas de água doce, os depósitos de minerais críticos, a biodiversidade e o potencial para a geração de energia solar e eólica.

“O Brasil tem tudo para ser uma grande potência mundial da vida pro futuro e apontar esse caminho. Só que, para isso, a gente precisa lutar muito”, afirmou.

Para o ativista, o país está no centro de três frentes de interesse dos Estados Unidos: a contenção da influência chinesa, o controle de fontes de energia e minerais críticos e a preservação da América Latina como área de influência de Washington.

Ávila citou ainda a proximidade brasileira com as reservas de petróleo da Venezuela e com o chamado triângulo do lítio, que reúne áreas de Argentina, Bolívia e Chile. Segundo ele, uma mudança política no Brasil teria repercussão sobre todo o continente.

Ao analisar a postura chinesa, Ávila avaliou que Pequim procura evitar ou adiar um confronto direto com os Estados Unidos enquanto amplia sua influência econômica. Ele manifestou preocupação, porém, com os efeitos dessa estratégia sobre populações submetidas a guerras, bloqueios e intervenções.

Apoio a Lula convive com críticas sobre Israel

A posição adotada por Lula diante da ofensiva israelense em Gaza foi elogiada por Ávila. O ativista destacou que o presidente brasileiro classificou a operação como genocídio e denunciou a morte de mulheres e crianças.

“Em 2024, o Lula foi a maior liderança mundial que teve coragem de falar isso, de falar que era um genocídio, que era uma guerra perpetrada contra mulheres e crianças”, declarou.

Segundo Ávila, a manifestação do presidente fortaleceu movimentos de solidariedade aos palestinos e estimulou outras lideranças a se posicionarem. Ele considera, entretanto, que o discurso precisa ser acompanhado por mudanças nas relações econômicas, militares, acadêmicas e diplomáticas mantidas com Israel.

“As palavras convencem, mas é o exemplo que arrasta”, disse.

O ativista defendeu a aplicação de boicotes, sanções e medidas de desinvestimento enquanto continuarem as violações denunciadas na Faixa de Gaza. Como referência histórica, lembrou o isolamento internacional imposto ao regime de apartheid na África do Sul.

“Então, a postura do governo Lula foi uma postura muito honrada naquele momento, porém ainda insuficiente”, resumiu.

Flotilhas e solidariedade a Gaza

Ávila também apresentou um histórico das flotilhas formadas para tentar romper o bloqueio israelense ao território palestino. Ele afirmou ter participado da organização de nove missões, todas impedidas de chegar ao destino por interceptações, sabotagens, ataques ou obstáculos burocráticos.

As primeiras embarcações internacionais atracaram em Gaza em 2008. De acordo com seu relato, as missões seguintes passaram a ser bloqueadas por Israel. O ativista recordou ainda a operação de 2010 na qual dez participantes foram mortos.

Na época, aos 23 anos, Ávila tentou integrar a viagem, mas não conseguiu arcar com o custo da passagem. Ele continuou envolvido com a causa palestina e retomou a articulação de ações humanitárias após a intensificação da ofensiva em outubro de 2023.

Uma das iniciativas, organizada em 2024, reuniria três embarcações, mais de mil participantes de aproximadamente 30 países e milhares de toneladas de alimentos e medicamentos. A saída de Istambul acabou cancelada depois que o registro dos barcos foi retirado e as seguradoras suspenderam a cobertura.

Parte da carga foi posteriormente encaminhada por terra. Segundo Ávila, porém, a maior parcela não conseguiu atravessar a fronteira e se deteriorou no deserto.

Outra tentativa envolveu o Handala, um antigo barco pesqueiro que apresentou uma falha grave no motor antes da etapa final da travessia pelo Mediterrâneo. Diante do risco de pane em alto-mar, os organizadores interromperam a operação.

Greta Thunberg nas missões

Ao falar sobre Greta Thunberg, Ávila descreveu a ativista climática sueca como uma pessoa experiente, disciplinada e preparada para assumir riscos em defesa das causas ambiental e palestina.

“A Greta é uma jovem de 23 anos e é de longe uma das melhores pessoas que eu já conheci”, afirmou.

Ávila contou que Greta participou, em 2025, de treinamentos para uma flotilha que utilizaria uma embarcação com capacidade para 164 pessoas. O barco foi atingido nas proximidades de Malta antes do embarque do grupo.

Após o ataque, os organizadores planejaram uma nova missão a bordo do Madleen, uma embarcação menor, destinada a apenas 12 passageiros. Ávila afirmou que a projeção internacional da ativista ajudaria a ampliar a visibilidade da viagem e a elevar o custo político de uma eventual ação militar.

“Se você for, isso aumenta muito a nossa segurança e aumenta muito a eficácia para a causa”, relatou ter dito a Greta.

O brasileiro também participou da Flotilha Global Sumud, formada por barcos reunidos em diferentes pontos do Mediterrâneo. De acordo com seu relato, aproximadamente 30% das embarcações apresentaram problemas após uma tempestade na saída de Barcelona, enquanto outras teriam sido atingidas posteriormente por drones.

Ávila afirmou que os episódios provocaram manifestações e paralisações de trabalhadores portuários europeus. Para ele, embora as embarcações tenham sido interceptadas, a mobilização conseguiu recolocar Gaza no debate público.

“Quanto mais eles atacavam, mais crescia o apoio, mais crescia a atenção à flotilha. E, mais importante, mais crescia a atenção a Gaza”, declarou.

Da formação política à agroecologia

A trajetória política de Ávila começou aos 18 anos, quando ele cursava Comunicação em Brasília. O ativista associou sua mudança de perspectiva ao filme Diários de motocicleta, à leitura do Manifesto Comunista e a uma viagem pela América do Sul.

Em janeiro de 2006, ele estava em La Paz durante a posse de Evo Morales como primeiro presidente indígena da Bolívia. Ávila afirmou que o conceito de “bem viver”, apresentado pelo então presidente, modificou sua percepção sobre desenvolvimento, comunidade e preservação ambiental.

Ao retornar ao Brasil, aproximou-se de comunidades indígenas e de acampamentos de trabalhadores rurais no Paraná. Nesse período, passou a estudar agroecologia e sistemas agroflorestais, relacionando a recuperação ambiental à reforma agrária e à proteção das populações do campo.

Ávila também conviveu com famílias ligadas ao local onde aconteceu, em 2007, o Massacre da Syngenta, no Paraná. O trabalhador rural Valmir Mota de Oliveira, conhecido como Keno, foi morto no ataque.

O contato com agricultores submetidos à violência e a despejos consolidou sua atuação socioambiental. Desde então, segundo ele, a defesa da natureza não pode ser separada do enfrentamento à desigualdade e à concentração de terras.

Tecnologia, autoritarismo e crise climática

Outro ponto abordado foi o avanço de tecnologias de vigilância, inteligência artificial, reconhecimento facial e armamentos automatizados. Ávila argumentou que essas ferramentas podem ser usadas tanto para ampliar a comunicação entre movimentos sociais quanto para controlar populações e restringir direitos.

“A ciência em si não é problema. O problema é a quem ela serve e com qual motivação ela é desenvolvida”, afirmou.

O ativista também alertou para o aquecimento global, a perda de biodiversidade, a acidificação dos oceanos e a poluição. Em sua avaliação, a emergência ambiental agrava desigualdades e impõe uma dimensão adicional às disputas políticas deste século.

Mesmo diante desse cenário, Ávila afirmou acreditar na capacidade das organizações populares de alterar decisões governamentais e construir alternativas. “O mundo tá mais desafiador que nunca, mas nós estamos aumentando nossa potência também”, disse.

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