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Super El Niño histórico até 2027?

Fonte: lullyfm.com | Data: 29/07/2026 15:50:34

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Pesquisa alerta para efeitos em cadeia sobre a produção de alimentos, geração de energia, logística e qualidade


Os principais centros de monitoramento climático do mundo convergem para um mesmo cenário: o El Niño iniciado em 2026 tem potencial para se tornar um dos mais intensos da história recente e permanecer ativo até o início de 2027. A partir da integração dessas projeções, pesquisadores da UNIASSELVI desenvolveram um estudo inovador, que aponta elevada probabilidade de um Super El Niño, capaz de provocar impactos expressivos sobre a agricultura, a economia, o meio ambiente, a geração de energia e a saúde pública em diferentes regiões brasileiras.

O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores Fábio Henrique Moisés e Matheus Fernando Cunha, acadêmicos do curso de Engenharia de Software da UNIASSELVI, sob orientação do professor e coordenador dos cursos de Tecnologia da instituição, Pedro Sidnei Zanchett. A pesquisa reúne e cruza informações de organismos nacionais e internacionais, como NOAA, NASA, INPE, INMET, CEMADEN e Instituto Internacional de Pesquisa sobre Clima e Sociedade (IRI), utilizando automação, inteligência artificial e análise de dados para consolidar evidências e produzir uma visão integrada sobre o cenário climático esperado para o Brasil.

Segundo a pesquisa, há 97% de probabilidade de o fenômeno permanecer até o início de 2027 e 81% de chance de atingir intensidade considerada muito forte, condição registrada apenas em poucos episódios ao longo dos últimos 150 anos. Entre os impactos esperados estão secas prolongadas nas regiões Norte e Nordeste, ondas de calor e redução das chuvas no Centro-Oeste e parte do Sudeste, aumento das enchentes na Região Sul e reflexos diretos sobre a produção agrícola, os preços dos alimentos e a geração de energia elétrica.

“A inovação da pesquisa está em integrar inteligência artificial, automação e conhecimento científico para apoiar decisões em situações de risco. As mudanças climáticas exigem uma nova forma de interpretar dados. A tecnologia pode reduzir o tempo entre a identificação do risco e a tomada de decisão. Nosso foco é transformar informação em capacidade de resposta”, explica o professor Pedro Zanchett.

Impactos no bolso e na saúde do brasileiro

Os impactos do Super El Niño devem ir muito além das mudanças no clima. A pesquisa da UNIASSELVI aponta que a agricultura brasileira estará entre os setores mais afetados, embora de maneiras diferentes em cada região do país. Enquanto o excesso de chuvas poderá comprometer culturas como arroz e trigo no Sul, a estiagem e as temperaturas elevadas tendem a pressionar a produção de soja, milho, café e outras culturas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, além de afetar pastagens e aumentar o estresse térmico dos rebanhos. O resultado pode ser uma redução na produtividade agrícola e maior pressão sobre os preços dos alimentos.

Os reflexos também podem atingir diretamente a economia. A combinação entre perdas na produção agrícola, aumento do consumo de energia elétrica durante ondas de calor e necessidade de maior acionamento de usinas termelétricas pode pressionar a inflação e elevar custos para consumidores e empresas. Além disso, eventos extremos como enchentes e secas tendem a afetar a logística nacional, provocando interrupções em rodovias, ferrovias e operações portuárias, com impactos sobre o abastecimento e as exportações brasileiras.

Na área ambiental, os pesquisadores alertam para o risco de agravamento das queimadas na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, além da possibilidade de uma nova seca severa na região amazônica. No Sul do país, por outro lado, a tendência é de aumento das chuvas, favorecendo enchentes, deslizamentos de terra e outros eventos extremos capazes de causar prejuízos econômicos e sociais. O estudo também destaca que esses fenômenos podem acelerar a degradação de ecossistemas já fragilizados pelas mudanças climáticas.

A saúde pública também pode sentir os efeitos do fenômeno. Ondas de calor mais intensas tendem a elevar os casos de problemas cardiovasculares e respiratórios, enquanto a fumaça das queimadas pode comprometer a qualidade do ar em diferentes regiões do país. Ao mesmo tempo, a alternância entre períodos secos e chuvas intensas favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, aumentando o risco de doenças como dengue, chikungunya e zika, além de elevar a incidência de leptospirose em áreas sujeitas a enchentes.

Trabalho inovador para prevenção de desastres

Embora o artigo tenha como foco o comportamento do fenômeno climático, o objetivo principal da pesquisa é ampliar o uso da tecnologia na prevenção e na resposta a desastres naturais. O estudo faz parte de uma linha de investigação desenvolvida na UNIASSELVI voltada à criação de sistemas inteligentes de apoio à decisão, capazes de integrar grandes volumes de dados, automatizar análises e auxiliar gestores públicos na tomada de decisões diante de eventos extremos.

“A proposta vai muito além de acompanhar previsões meteorológicas. Nosso objetivo é transformar informações dispersas em inteligência para apoiar decisões que podem reduzir impactos sociais, econômicos e ambientais provocados por desastres naturais”, destaca.

A iniciativa está conectada à tese de doutorado do professor, intitulada RADIAN, que propõe uma arquitetura de referência para sistemas de apoio à decisão voltados ao gerenciamento de desastres naturais. O projeto de iniciação científica amplia essa pesquisa ao investigar como inteligência artificial generativa, computação em nuvem e automação podem integrar informações produzidas por diferentes órgãos responsáveis pelo monitoramento climático e pela gestão de riscos.

Para os estudantes que participaram do projeto, a utilização de inteligência artificial não substitui o conhecimento científico produzido pelos grandes centros de pesquisa, mas potencializa sua aplicação prática. “A inteligência artificial permite consolidar milhares de informações produzidas por diferentes instituições e transformá-las em análises capazes de apoiar decisões mais rápidas e fundamentadas. O desafio não é produzir mais dados, mas conectar o conhecimento que já existe”, destaca Fábio Henrique Moisés.

“O consenso entre os principais modelos climáticos internacionais é um sinal importante de que o país deve se preparar. Nossa pesquisa organiza essas evidências e demonstra como tecnologias inteligentes podem contribuir para aumentar a capacidade de resposta diante de eventos extremos”, acrescenta Matheus Fernando Cunha.

O trabalho completo desenvolvido pelo professor e pelos acadêmicos da UNIASSELVI pode ser acessado neste link: O Pacífico aquece outra vez: o Super El Niño que pode redesenhar o clima do Brasil.