Expectativas para o dólar em agosto: o que esperar do câmbio
Fonte: blog.daycoval.com.br | Data: 29/07/2026 18:15:36
Tempo de leitura: 3 minutos
Depois de um julho de quedas e estabilidade perto dos R$ 5,10, o dólar chega a agosto em um ponto delicado. Para quem acompanha o câmbio de perto e usa essa leitura na hora de investir, entender as forças por trás da moeda faz toda a diferença nas próximas semanas.
Nesta análise, Otávio Oliveira, Gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, destrincha os fatores que devem influenciar o câmbio ao longo do mês.
Ao longo do texto, você vai ver o que sustentou o dólar em julho, como o cenário global afeta a moeda, o que acontece no Brasil e o que esperar para agosto.
Assista à análise completa em vídeo com Otávio Oliveira.
O que aconteceu com o dólar em julho
O dólar recuou em julho e se firmou em patamares de estabilidade próximos de R$ 5,10, mantendo-se assim por boa parte do mês. O principal motivo foi o congelamento do conflito entre Irã e Estados Unidos.
Mesmo com agravamentos pontuais, o mercado já aprendeu a ler as idas e vindas desse conflito ao longo do ano. Por isso, a reação dos ativos ficou mais previsível: a cada capítulo de tensão ou trégua, os preços passaram a antecipar o próximo movimento.
O papel do petróleo na inflação global
Em paralelo, o petróleo seguiu no radar dos investidores. A variação nos preços da commodity continua criando expectativas nos índices de inflação do mundo todo.
Quando a inflação sobe, as curvas de juros futuros respondem — e é exatamente isso que temos visto. Essas curvas alcançaram novas altas, sinalizando que o mercado espera juros mais elevados à frente.
Cenário global: juros mais altos fortalecem o dólar
As possíveis altas inflacionárias causadas pelo petróleo já mexem com as expectativas de juros no mundo todo. Os bancos centrais sinalizam manutenção das taxas, e alguns já cogitam novas altas.
Esse movimento tem um efeito direto no câmbio. Juros mais altos nos Estados Unidos e nos mercados desenvolvidos tornam esses destinos mais atraentes para o capital global.
Como isso afeta mercados emergentes como o Brasil
Quando os juros sobem lá fora, parte da liquidez migra para economias desenvolvidas. Isso pode drenar recursos de mercados emergentes, incluindo o Brasil.
O resultado prático é um dólar mais forte por aqui. Com menos entrada de capital estrangeiro, a moeda americana tende a buscar patamares mais altos frente ao real.
Brasil: COPOM e eleições no radar
No cenário doméstico, o mercado ainda precifica um corte de juros de 25 pontos-base, levando a taxa básica a 14%. A questão central agora é sobre a continuidade do ciclo.
A dúvida é : será possível manter os cortes ou a pressão inflacionária do petróleo pode antecipar o encerramento do movimento? Essa resposta vai se desenhar reunião a reunião do COPOM.
As eleições começam a pesar nos preços
Durante boa parte do ano, as eleições fizeram pouco preço sobre os ativos. Isso está mudando.
Com o início efetivo do período eleitoral e a definição formal dos candidatos, o noticiário político ganha força. Aos poucos, esse fator passa a exercer maior influência sobre o câmbio, os juros futuros e a bolsa.
Expectativas para o dólar em agosto
Reunindo os fatores globais e domésticos, o cenário para agosto fica mais nítido. Veja os principais pontos:
- Dólar entre R$ 5,10 e R$ 5,20: faixa provável para o mês, com viés de alta conforme o noticiário internacional evolui.
- Revisão dos juros globais: os guidances de cortes de juros no mundo todo devem passar por revisão, com tendência de manutenção e alta nos mercados desenvolvidos.
- COPOM no Brasil: o corte de juros já está precificado para a próxima reunião, mas a intensidade e a duração do ciclo serão definidas encontro a encontro.
Acompanhar esses movimentos com uma leitura consistente é o que permite transformar cenários incertos em decisões mais estratégicas.
Quer investir com o acompanhamento de quem entende o mercado? Abra sua conta no Banco Daycoval e comece a investir com estratégia.