Governador Jerônimo cita 740 escolas integrais, 6 mil leitos e 8 mil km de estradas, promete universalização e rebate oposição sobre saúde e VLT
Fonte: jornalgrandebahia.com.br | Data: 29/07/2026 22:03:47
Salvador, terça-feira (28/07/2026) — O governador Jerônimo Rodrigues apresentou um balanço das ações do Governo da Bahia nas áreas de educação, saúde e infraestrutura, anunciou que pretende universalizar o ensino em tempo integral na rede estadual caso seja reeleito e respondeu a críticas formuladas por integrantes da oposição sobre a regulação de pacientes e a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos de Salvador e Região Metropolitana — VLT. Durante entrevista à Baiana FM, o chefe do Executivo estadual citou a existência de 740 escolas de tempo integral, a contratação ou oferta de quase 6 mil leitos, principalmente para serviços especializados, e intervenções em aproximadamente 8 mil quilômetros de rodovias.
Jerônimo apresenta números e vincula gestão ao ciclo iniciado em 2007
Ao responder às críticas da oposição, Jerônimo afirmou que seu governo possui características próprias, embora integre o projeto político iniciado na Bahia pelo ex-governador Jaques Wagner, mantido pelo ex-governador e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, e articulado nacionalmente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“É uma disputa de projetos. O nosso projeto é o projeto do presidente Lula e o meu projeto aqui na Bahia, dirigido por mim, iniciado por Wagner e tocado por Rui. Existem características próprias do nosso governo e as marcas estão aí: 740 escolas de tempo integral, quase 6 mil leitos de alta complexidade e quase 8 mil quilômetros de estradas”, declarou.
Os números apresentados, entretanto, reúnem indicadores de naturezas diferentes. No caso da educação, as 740 escolas correspondem, segundo a declaração do governador, ao conjunto de unidades que oferecem jornada ampliada, e não exclusivamente a prédios construídos e inaugurados durante o mandato iniciado em janeiro de 2023.
Em abril de 2026, a Secretaria da Educação da Bahia informou que aproximadamente 700 unidades escolares funcionavam em tempo integral. Em junho, ao inaugurar o Colégio Estadual Professor Isaias Aleixo, em Irajuba, o Governo do Estado comunicou ter alcançado a marca de 117 escolas construídas e entregues. A diferença demonstra a necessidade de distinguir unidades novas, escolas ampliadas ou modernizadas e estabelecimentos que passaram a oferecer jornada integral em estruturas preexistentes.
Na infraestrutura rodoviária, a Secretaria de Infraestrutura da Bahia informou, em junho de 2026, que executa obras e serviços em cerca de 8,1 mil quilômetros de rodovias, com investimento acumulado de aproximadamente R$ 7,2 bilhões desde janeiro de 2023. O levantamento inclui pavimentação, restauração, recuperação, manutenção e implantação de trechos, não apenas estradas inteiramente novas.
Quanto à saúde, Jerônimo já havia explicado, em declaração anterior, que o total próximo de 6 mil leitos reúne vagas “contratadas ou oferecidas” pelo Estado, incluindo estruturas voltadas à cardiologia, oncologia, ortopedia e outros serviços especializados. Na entrevista desta terça-feira, não foi apresentado um demonstrativo que separasse leitos próprios, conveniados, contratualizados, novos, reativados ou ampliados.
Governador promete universalizar o ensino em tempo integral
Jerônimo anunciou que pretende transformar a educação em tempo integral em modelo universal na rede estadual. A proposta foi apresentada como compromisso para um eventual segundo mandato e inclui a intenção de apoiar as prefeituras interessadas em ampliar a jornada também nas redes municipais.
Segundo o governador, a política busca reduzir desigualdades entre estudantes de famílias com diferentes condições econômicas. Ele comparou a jornada ampliada ao acesso a atividades de reforço escolar que, historicamente, estiveram mais disponíveis para famílias com capacidade de pagar por cursos e acompanhamento pedagógico no contraturno.
“Quem tem mais dinheiro sempre pôde colocar o filho em uma banca, em um reforço escolar depois da aula. O filho de quem não tem essa condição ficava sem essa oportunidade. O Estado da Bahia está garantindo isso”, afirmou.
O modelo defendido pelo governo não se limita à ampliação do tempo de permanência na escola. As unidades oferecem alimentação, acompanhamento pedagógico e atividades complementares nas áreas de cultura, esporte, ciência, tecnologia e formação profissional.
O programa Educa Mais Bahia, vinculado à política estadual de educação integral, prevê oficinas de recomposição da aprendizagem, arte, cultura, esporte, saúde, comunicação, tecnologia e educação ambiental. A estrutura está amparada pelo Programa Baiano de Educação Integral Anísio Teixeira, instituído pela Lei Estadual nº 14.359/2021.
“Vou assumir um compromisso que já está no meu programa de governo. Nós vamos universalizar. Todas as escolas da rede estadual da Bahia serão de tempo integral”, declarou Jerônimo.
O governador também afirmou que pretende apoiar os municípios na ampliação da jornada escolar. A cooperação dependerá da disponibilidade financeira, da adaptação dos prédios, da contratação de profissionais, da oferta regular de alimentação e transporte e da capacidade de cada prefeitura para manter as atividades complementares.
Saúde municipal entra no confronto político entre governo e oposição
Outro eixo da entrevista foi a divisão de responsabilidades entre Estado e municípios na organização do Sistema Único de Saúde — SUS. Jerônimo criticou as administrações de Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, comandadas por gestores vinculados ao União Brasil, e afirmou que as prefeituras precisam ampliar a atenção básica e a capacidade hospitalar.
“Saúde não tem partido. Eu desci do palanque. Tenho oferecido parceria aos prefeitos para construirmos hospitais municipais, unidades básicas, policlínicas e ampliar os serviços. O negócio é que primeiro tem que fazer o dever de casa para depois criticar”, declarou.
O governador afirmou que Feira de Santana e Vitória da Conquista não possuem hospitais municipais. A declaração, considerada literalmente, exige correção e contextualização: os dois municípios mantêm unidades hospitalares próprias, embora especializadas e com perfis diferentes de um hospital geral de ampla cobertura.
Vitória da Conquista possui o Hospital Municipal Esaú Matos, administrado pela Fundação Pública de Saúde do município e especializado em assistência obstétrica, neonatal e pediátrica. A unidade realizou 23.403 atendimentos no primeiro semestre de 2026 e funciona como referência para pacientes do Sudoeste da Bahia e do Norte de Minas Gerais.
Feira de Santana mantém o Hospital Municipal Inácia Pinto dos Santos, conhecido como Hospital da Mulher, administrado pela Fundação Hospitalar de Feira de Santana. A unidade dispõe de aproximadamente 120 leitos, emergência obstétrica aberta durante 24 horas, centro cirúrgico, UTI neonatal, banco de leite e assistência materno-infantil. Somente no primeiro trimestre de 2026, o hospital registrou mais de 15 mil atendimentos a gestantes.
A deficiência apontada pelo governador pode ser compreendida como ausência de um hospital municipal geral, com atendimento clínico, cirúrgico e de alta complexidade para diferentes perfis de pacientes. Essa qualificação, porém, não apareceu na frase original.
Em Feira de Santana, a prefeitura conduz uma parceria público-privada para implantar um novo hospital municipal geral, com 110 leitos, dez vagas de terapia intensiva e investimento previsto de aproximadamente R$ 286 milhões na estrutura e nos reinvestimentos. O Consórcio Saúde Feira de Santana venceu o leilão realizado na B3 em maio de 2026.
Salvador possui três hospitais, mas acesso segue modelos regulados
Ao tratar de Salvador, Jerônimo afirmou que as três principais unidades hospitalares próprias do município não funcionam como portas abertas para atendimento espontâneo. O governador citou o Hospital Municipal de Salvador, em Boca da Mata; o Hospital Municipal do Homem, em Monte Serrat; e a Maternidade e Hospital da Criança Deputado Alan Sanches, na Federação.
A informação corresponde, em parte, ao modelo assistencial adotado pelas unidades. O Hospital Municipal de Salvador recebe pacientes encaminhados pela Central Estadual de Regulação, pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — Samu e, em determinadas circunstâncias, pessoas em risco imediato de morte. Consultas e exames ambulatoriais exigem agendamento prévio.
O Hospital Municipal do Homem é especializado em urologia, cirurgia vascular e cirurgia geral. A unidade funciona predominantemente por regulação e agendamento e não oferece serviço convencional de urgência e emergência aberto à demanda espontânea.
A Maternidade e Hospital da Criança, inaugurada em abril de 2026, dispõe de 198 leitos e reúne assistência obstétrica, neonatal, pediátrica, hospital-dia e serviços de diagnóstico. Dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde indicam que parte majoritária dos atendimentos iniciais foi encaminhada pela Central Estadual de Regulação, incluindo pacientes de outros municípios.
A existência de acesso regulado, portanto, não equivale à ausência de funcionamento. Trata-se de um modelo destinado a receber pacientes encaminhados por outros pontos da rede. O debate político envolve saber se Salvador deveria manter, além das UPAs e demais serviços de urgência, uma emergência hospitalar municipal de livre procura.
Jerônimo cita 15 entregas hospitalares; classificação reúne estruturas diferentes
O governador afirmou ainda que o Estado entregou 15 unidades hospitalares desde 2023 e mantém obras em Serrinha, Paulo Afonso, Valença, Itapetinga e Gandu, além de novas policlínicas regionais.
A contagem oficial utiliza uma classificação ampla. Ela reúne hospitais construídos, imóveis adaptados, unidades reabertas, estruturas incorporadas à rede estadual, ampliações e serviços contratualizados. Pelo critério estrito de hospitais estaduais inteiramente novos e autônomos, duas unidades haviam sido inauguradas até julho de 2026: o Hospital Estadual Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas, e o Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinhas.
O Hospital do Litoral Norte foi inaugurado em 1º de julho de 2026, com 213 leitos, dos quais 30 de terapia intensiva, e atendimento previsto para moradores de 34 municípios. O empreendimento foi iniciado em governo anterior e concluído na atual administração, evidenciando a continuidade das obras públicas entre diferentes mandatos.
Jerônimo sustentou que a ampliação da rede hospitalar estadual deve ser acompanhada pelo fortalecimento da atenção primária municipal. Para ele, falhas no acompanhamento preventivo e no tratamento inicial contribuem para que quadros de menor gravidade evoluam e aumentem a procura por hospitais e serviços especializados.
“Não adianta apenas fazer hospitais se não houver atenção básica funcionando. Quando a atenção básica falha, um problema simples acaba se transformando em um caso de alta complexidade”, afirmou.
Jerônimo rebate Bruno Reis e defende VLT do Subúrbio Ferroviário
Na área da mobilidade, Jerônimo respondeu às críticas do prefeito Bruno Reis, que classificou o VLT como uma obra que, no estágio atual, “não leva a nada” e afirmou que promessas relacionadas ao transporte ferroviário são repetidas há aproximadamente 15 anos.
Bruno Reis também criticou a retirada dos antigos trens do Subúrbio e alegou que a implantação do novo sistema avançou apenas às vésperas da eleição estadual. Apesar das críticas, o prefeito afirmou que está disposto a negociar com o Governo da Bahia a integração tarifária e operacional entre o VLT e os ônibus municipais quando o sistema estiver em funcionamento mais amplo.
Jerônimo reagiu afirmando que a crítica desconsidera a população da Calçada e do Subúrbio Ferroviário.
“Quando ele diz que é de ‘nada a lugar algum’, onde é nada? É a Calçada? Então o povo que trabalha ali é nada? E o Subúrbio é lugar nenhum? É assim que eles enxergam. É uma negação ao povo do Subúrbio”, declarou.
O VLT iniciou viagens experimentais com moradores entre Calçada e Lobato em 31 de janeiro de 2026. Em 29 de junho, começou a operação assistida de embarque e desembarque de passageiros no primeiro trecho. O sistema ainda não está concluído nem funciona integralmente em toda a extensão prevista.
O projeto completo prevê aproximadamente 43,7 quilômetros, cerca de 50 paradas e conexões com o metrô em Águas Claras e no Bairro da Paz. As obras foram contratadas em três trechos, com prazos distintos de execução.
Na mesma terça-feira em que ocorreu a entrevista, representantes do Tribunal de Contas do Estado da Bahia — TCE-BA realizaram uma visita técnica às obras, embarcaram no trecho Calçada–Lobato e solicitaram informações sobre número de passageiros, linhas atendidas e perspectivas de ampliação. O Tribunal informou que o contrato permanecerá entre as prioridades do controle externo em razão do volume de recursos públicos e da relevância do empreendimento.
Além do sistema ferroviário, o projeto inclui intervenções de macrodrenagem, requalificação urbana, recuperação de áreas públicas, construção de equipamentos comunitários e integração com outros modais de transporte. A conclusão dos três trechos, a regularidade operacional, o volume de passageiros e a integração tarifária serão determinantes para medir o impacto efetivo da obra.