Bahia assume 2º lugar em novas instalações de energia solar, supera 312 mil sistemas e lidera o Nordeste
Fonte: jornalgrandebahia.com.br | Data: 03/08/2026 07:27:05
A Bahia assumiu a segunda posição nacional em novas instalações de energia solar distribuída, após registrar cerca de 64 mil novos sistemas nos 12 meses encerrados em junho de 2026. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (30/07/2026) pela Solfácil com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), indica que o estado ultrapassou Minas Gerais, superou a marca de 312 mil sistemas fotovoltaicos em operação e consolidou a liderança do Nordeste, em um movimento impulsionado principalmente por consumidores residenciais, empresas, produtores rurais e empreendimentos interessados em reduzir custos e ampliar a autonomia energética.
Bahia ultrapassa Minas Gerais e assume segunda posição nacional
A mudança no ranking ocorreu em um intervalo de poucas semanas. Em levantamento anterior, com dados coletados em 5 de maio de 2026, a Bahia aparecia na terceira colocação, com aproximadamente 62 mil novas instalações contabilizadas nos 12 meses anteriores. São Paulo liderava o indicador, com 143 mil sistemas, seguido por Minas Gerais, com 69 mil.
Na atualização baseada nos dados de junho, o território baiano alcançou cerca de 64 mil novas conexões, ultrapassou o mercado mineiro e passou à segunda posição. O avanço demonstra a velocidade de expansão da geração distribuída no estado, mas também evidencia o caráter dinâmico das estatísticas da ANEEL, sujeitas à inclusão de novas conexões e a revisões retroativas pelas distribuidoras.
O ranking considera a quantidade de novas instalações conectadas à rede elétrica, e não necessariamente a potência total instalada ou a energia efetivamente produzida. Por essa razão, um estado pode apresentar maior número de sistemas, mas ter potência inferior à de outra unidade federativa que concentre projetos comerciais, industriais ou rurais de maior porte.
Estado supera 312 mil sistemas e alcança todos os municípios
O Relatório Executivo de Energia Solar da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, consolidado em 16 de junho de 2026, registrou mais de 312 mil unidades geradoras de micro e minigeração distribuída, com aproximadamente 2,80 gigawatts de potência instalada. A fonte fotovoltaica já está presente nos 417 municípios baianos, condição que posiciona o estado na liderança regional.
A microgeração, formada sobretudo por sistemas instalados em residências e pequenos estabelecimentos, responde por cerca de 90% da potência distribuída no território estadual. A minigeração, associada a projetos de maior capacidade, representa os 10% restantes. Em 2025, a potência da geração solar distribuída na Bahia cresceu aproximadamente 23%, enquanto a capacidade das grandes usinas centralizadas avançou 16%.
Os números mostram que a expansão não está restrita às grandes cidades ou aos polos industriais. A presença da tecnologia em todos os municípios revela uma disseminação territorial que alcança residências urbanas, propriedades rurais, estabelecimentos comerciais, indústrias, prédios públicos e empreendimentos de serviços.
Além da geração distribuída, a Bahia contava, em junho de 2026, com 101 usinas solares centralizadas em operação, somando cerca de 2,97 gigawatts de potência outorgada. Outros oito empreendimentos, com capacidade conjunta de 264 megawatts, estavam em construção, enquanto centenas de projetos permaneciam autorizados, mas ainda não iniciados.
Brasil ultrapassa 4,4 milhões de sistemas fotovoltaicos
No cenário nacional, o Brasil atingiu 4,439 milhões de sistemas de geração distribuída solar instalados até maio de 2026. Somente nos cinco primeiros meses do ano, foram adicionadas aproximadamente 297 mil novas conexões, segundo os dados da ANEEL compilados pela Solfácil.
O crescimento registrado em maio aprofundou uma tendência observada desde o início do ano. No levantamento anterior, encerrado em abril, o país contabilizava 4,321 milhões de sistemas e 202 mil novas instalações realizadas em 2026. A diferença entre os levantamentos também decorre da entrada de novos projetos e das atualizações realizadas pelas distribuidoras na base nacional.
A geração distribuída permite que consumidores produzam eletricidade junto à própria unidade de consumo ou em local diferente, utilizando a rede da distribuidora para compensar os créditos energéticos. De acordo com a regulamentação da ANEEL, a microgeração compreende sistemas de até 75 quilowatts, enquanto a minigeração abrange projetos acima desse limite e, em regra, de até 3 megawatts, podendo alcançar 5 megawatts em situações previstas pela legislação.
Residências concentram 84% das instalações
Os consumidores residenciais permanecem como o principal motor da expansão da energia solar distribuída no Brasil. Até maio de 2026, as residências representavam 84% dos sistemas instalados, a maior participação registrada na série histórica apresentada pelo levantamento.
Os consumidores rurais respondiam por 6% das instalações, enquanto os estabelecimentos comerciais representavam 5%. O segmento industrial concentrava 1% e as demais categorias, incluindo unidades vinculadas ao poder público, somavam aproximadamente 4%.
A predominância residencial indica que a energia solar deixou de ser utilizada apenas por grandes empreendimentos e passou a integrar as decisões de investimento de famílias interessadas em reduzir a exposição às tarifas de eletricidade. O crescimento, entretanto, permanece condicionado ao acesso ao crédito, ao custo dos equipamentos, às regras de conexão e à capacidade técnica das redes de distribuição.
“O mercado de energia solar já atingiu um estágio de maturidade no Brasil. Hoje, a tecnologia deixou de ser uma alternativa para um grupo específico de consumidores e passou a fazer parte da realidade de milhões de brasileiros. O próximo grande movimento do setor será a expansão das soluções de armazenamento de energia, como baterias, que aumentam a autonomia dos consumidores e tornam os sistemas ainda mais eficientes e resilientes, além da ampliação do acesso ao financiamento para continuar reduzindo as barreiras para que mais famílias e empresas possam gerar a própria energia”, afirmou Fabio Carrara, CEO e fundador da Solfácil.
Salvador possui mais de 70 usinas solares em prédios municipais
Em Salvador, os dados públicos disponíveis mostram a ampliação da energia fotovoltaica em equipamentos administrados pela Prefeitura. Até abril de 2026, a estrutura municipal reunia mais de 70 usinas solares instaladas em prédios e equipamentos públicos, segundo informações divulgadas pela administração da capital.
Uma das instalações mais recentes foi implantada na Estação da Lapa, com potência de 194,81 quilowatts-pico, 322 módulos fotovoltaicos e capacidade estimada para produzir aproximadamente 320 megawatts-hora por ano. O investimento superou R$ 700 mil, com previsão de economia anual superior a R$ 120 mil nas despesas de eletricidade.
A unidade da Lapa passou a integrar o conjunto de estações do sistema BRT equipadas com geração solar. Os projetos municipais demonstram a utilização da tecnologia em estruturas públicas de grande circulação, nas quais a redução do consumo convencional pode gerar economia orçamentária e benefícios ambientais ao longo da vida útil dos equipamentos.
O número de mais de 70 usinas, entretanto, refere-se apenas ao patrimônio público municipal. Nos documentos estáticos consultados durante esta apuração, não foi identificado um total consolidado e atualizado que reúna todas as instalações residenciais, comerciais, industriais, rurais e públicas existentes em Salvador.
Feira de Santana amplia presença no mercado solar e de armazenamento
Em Feira de Santana, a expansão da energia solar está associada à condição do município como polo regional de comércio, serviços, indústria, logística e produção agropecuária. A cidade recebeu, em abril de 2026, uma edição do ABS RoadShow, evento nacional dedicado ao mercado fotovoltaico, ao armazenamento de energia e à aplicação de baterias em atividades industriais e rurais.
A realização do encontro no município refletiu o interesse do setor em atender empresas, produtores rurais, integradores, técnicos e consumidores do centro-norte baiano. Sistemas híbridos, baterias e soluções voltadas à continuidade do fornecimento foram apresentados como alternativas para negócios sujeitos a interrupções da rede ou a elevados custos de energia nos horários de maior demanda.
A posição geográfica de Feira de Santana e a diversidade de sua economia favorecem a instalação de sistemas em galpões industriais, centros de distribuição, estabelecimentos comerciais, propriedades rurais, condomínios e residências. A ampliação desse mercado também cria demanda por empresas de engenharia, instaladores, fornecedores de equipamentos, técnicos de manutenção e instituições de financiamento.
Dados consolidados de Bahia, Salvador e Feira de Santana
No recorte estadual, a Bahia possuía, em junho de 2026, mais de 312 mil unidades geradoras, aproximadamente 2,80 gigawatts de potência distribuída e instalações presentes em todos os 417 municípios.
Em Salvador, o dado institucional confirmado corresponde a mais de 70 usinas solares em prédios e equipamentos públicos municipais. Esse número não abrange a totalidade dos sistemas privados existentes na capital.
Em Feira de Santana, as fontes oficiais e setoriais confirmam a expansão do mercado, a realização de eventos especializados e a relevância da cidade para aplicações comerciais, industriais e agropecuárias. Contudo, não foi localizado, nas publicações estáticas disponíveis, um total municipal fechado que pudesse ser utilizado sem risco de imprecisão.
Linha do tempo da expansão da geração solar distribuída
- 17/04/2012 — A Resolução Normativa nº 482 da ANEEL estabeleceu as primeiras regras nacionais para micro e minigeração distribuída e permitiu a compensação da energia injetada na rede.
- 06/01/2022 — A Lei nº 14.300 instituiu o marco legal da microgeração e da minigeração distribuída e regulamentou o Sistema de Compensação de Energia Elétrica.
- 2025 — A potência da geração solar distribuída na Bahia cresceu aproximadamente 23%, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico estadual.
- 05/05/2026 — Levantamento da Solfácil apontou 4,321 milhões de sistemas no Brasil e cerca de 62 mil novas instalações na Bahia nos 12 meses anteriores, mantendo o estado na terceira posição.
- 16/06/2026 — Relatório estadual registrou mais de 312 mil unidades geradoras, 2,80 gigawatts de potência distribuída e presença da fonte solar nos 417 municípios baianos.
- Junho de 2026 — A atualização da Solfácil elevou para aproximadamente 64 mil o número de novas instalações baianas em 12 meses, colocando a Bahia na segunda posição nacional. O Brasil chegou a 4,439 milhões de sistemas até maio.
- 23/07/2026 — A diretoria da ANEEL aplicou multa de aproximadamente R$ 82,7 milhões à Neoenergia Coelba por irregularidades relacionadas ao atendimento de pedidos de conexão de geração distribuída, incluindo negativas indevidas e descumprimento de prazos. A decisão previa possibilidade de recurso.
Armazenamento, financiamento e conexão são desafios da próxima etapa
O crescimento da geração solar desloca parte das atenções do mercado para os sistemas de armazenamento. As baterias permitem utilizar, durante a noite ou em períodos de interrupção, a energia produzida anteriormente, além de reduzir a dependência imediata da rede elétrica em instalações consideradas essenciais.
A adoção dessas tecnologias, porém, ainda encontra obstáculos relacionados ao custo inicial, à tributação, ao acesso ao financiamento e à necessidade de profissionais qualificados. O aumento da concorrência, a expansão da produção e a criação de linhas de crédito específicas poderão determinar a velocidade de incorporação das baterias por residências, empresas e produtores rurais.
Outro ponto central é a capacidade das distribuidoras de analisar e conectar novos sistemas dentro dos prazos regulatórios. A penalidade aplicada pela ANEEL à Neoenergia Coelba evidencia que a expansão da geração distribuída depende não apenas da decisão dos consumidores, mas também de procedimentos transparentes, redes preparadas e respostas técnicas adequadas aos pedidos de acesso.
O ambiente regulatório igualmente influencia os novos investimentos. A Lei nº 14.300 estabeleceu uma transição para a cobrança gradual de componentes relacionados ao uso da rede. Para os projetos enquadrados nessa regra, o percentual incidente sobre a componente de distribuição, conhecida como Fio B, chega a 60% em 2026, antes de novos aumentos previstos até 2028.