Eleições 2026: presidente Lula vê dificuldade no segundo turno, campanhas evitam debates e Cleitinho desiste em Minas
Fonte: jornalgrandebahia.com.br | Data: 03/08/2026 17:49:39
A agenda político-eleitoral desta segunda-feira (03/08/2026) foi marcada pela avaliação do presidente Lula sobre as dificuldades para ampliar sua votação em um eventual segundo turno, pela intenção das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro de priorizar sabatinas individuais em lugar de debates, pela mobilização territorial planejada pelo PT nas grandes cidades e pela desistência do senador Cleitinho Azevedo da disputa pelo Governo de Minas Gerais. O dia também registrou a confirmação de Alexandre Kalil como candidato do PDT no estado, a definição do palanque petista em Goiás e o resgate da figura histórica de Carlos Lacerda por grupos de direita afastados do bolsonarismo no Rio de Janeiro.
Lula avalia dificuldade para ampliar votação no segundo turno
O presidente Lula tem afirmado, em conversas reservadas, que sua votação no primeiro turno poderá aproximar-se de um limite difícil de superar na etapa seguinte. De acordo com a Folha de S.Paulo, o presidente considera reduzida a possibilidade de receber apoio formal dos principais adversários caso dispute o segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
A avaliação considera que Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos disputam o eleitorado antipetista e procuram apresentar suas candidaturas como alternativas tanto ao governo quanto ao bolsonarismo. Mesmo que esses candidatos sejam eliminados no primeiro turno, seus posicionamentos políticos poderão dificultar uma adesão direta à candidatura governista.
Integrantes do PT avaliam, entretanto, que ainda existe espaço para atrair eleitores indecisos, moderados e pessoas que inicialmente cogitam votar em branco ou anular o voto. A estratégia dependerá da capacidade de relacionar a candidatura presidencial aos resultados do governo e de explorar a rejeição ao principal adversário, sem pressupor que a transferência de votos ocorrerá automaticamente.
Histórico eleitoral mostra importância dos apoios entre turnos
Nas disputas presidenciais anteriores, Lula contou, em diferentes momentos, com apoios de candidatos eliminados no primeiro turno. Em 1989, recebeu manifestações favoráveis de Leonel Brizola e Mário Covas na disputa contra Fernando Collor. Em 2002, foi apoiado por Ciro Gomes e Anthony Garotinho antes de derrotar José Serra.
Em 2006, embora não tenha recebido adesões formais expressivas, o petista incorporou parte dos eleitores de Heloísa Helena e Cristovam Buarque. Na eleição de 2022, recebeu o apoio de Simone Tebet e a adesão institucional do PDT no confronto final com Jair Bolsonaro.
A diferença projetada para 2026 está na posição dos concorrentes que disputam o campo conservador. Caiado, Zema e Renan Santos precisam preservar identidade própria, ampliar suas bancadas e manter influência política após a eleição. Um apoio explícito a Lula poderia contrariar parcelas relevantes de seus respectivos eleitorados.
PT prepara atuação territorial nas regiões metropolitanas
A campanha governista planeja organizar grupos de militantes para atuar presencialmente em cidades consideradas estratégicas. A mobilização deverá começar por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Fortaleza, com abordagens em mercados, áreas comerciais, bairros populares e regiões metropolitanas.
O objetivo declarado é responder a conteúdos falsos ou distorcidos sobre o governo, apresentar argumentos favoráveis à reeleição e dialogar com eleitores que não possuem identificação partidária consolidada. A prioridade deverá recair sobre mulheres de baixa renda, segmento considerado decisivo pelas campanhas presidenciais.
A estratégia combina comunicação digital com presença física. Em vez de limitar a campanha às redes sociais, o PT pretende utilizar estruturas partidárias, movimentos sociais, lideranças comunitárias e militantes para recuperar uma modalidade tradicional de mobilização eleitoral baseada em contato direto, distribuição de informações e conversas com os eleitores.
Mulheres de baixa renda ocupam lugar central na estratégia
A prioridade conferida ao eleitorado feminino está associada ao comportamento observado nas últimas eleições. Mulheres de menor renda costumam demonstrar maior preocupação com preços de alimentos, saúde, educação, segurança, transporte, programas de transferência de renda e serviços públicos.
A campanha precisará, porém, evitar que a mobilização seja percebida como simples patrulhamento político. A atuação em espaços públicos deverá respeitar a liberdade de escolha, a pluralidade de opiniões e as regras eleitorais aplicáveis à propaganda e ao uso de estruturas partidárias.
O desempenho da iniciativa dependerá da qualidade das informações apresentadas e da capacidade dos militantes de dialogar com críticas reais ao governo. A simples negação de problemas econômicos, administrativos ou sociais tende a produzir efeito limitado entre eleitores que avaliam a gestão a partir da experiência cotidiana.
Lula e Flávio Bolsonaro avaliam reduzir presença em debates
As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro indicaram preferência por sabatinas jornalísticas individuais em lugar da participação em todos os debates do primeiro turno. A intenção seria reduzir a exposição direta aos ataques de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, que procuram ampliar espaço na disputa nacional.
Lula já declarou que analisará os formatos e o conteúdo dos encontros antes de confirmar presença. A tendência relatada por integrantes da campanha é de participação seletiva, possivelmente concentrada no último debate televisivo do primeiro turno.
Flávio Bolsonaro também sinalizou que poderá não comparecer aos encontros nos quais Lula estiver ausente. A avaliação de seus aliados é que, sem o presidente no estúdio, o candidato do PL passaria a ser o principal alvo dos concorrentes conservadores e da chamada terceira via.
Sabatinas oferecem ambiente mais controlado
Nas entrevistas individuais, os candidatos podem responder diretamente aos jornalistas sem interrupções ou confrontos simultâneos com adversários. Esse formato facilita a apresentação de propostas e reduz o risco de conflitos capazes de gerar repercussão negativa nas redes sociais.
Os debates, por outro lado, permitem que o eleitor compare posições, reações, argumentos e contradições em tempo real. Também oferecem aos candidatos com menor intenção de voto a oportunidade de questionar diretamente os líderes das pesquisas.
A eventual ausência reiterada de Lula e Flávio Bolsonaro poderá transformar o formato dos debates e aumentar a pressão de emissoras, adversários e organizações da sociedade civil por compromissos públicos de participação. Ambos demonstram maior disposição para comparecer caso avancem ao segundo turno, quando o encontro seria restrito aos dois finalistas.
Cleitinho desiste da candidatura ao Governo de Minas Gerais
O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, anunciou que não disputará o Governo de Minas Gerais. A decisão foi comunicada após uma reunião em Brasília com o presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira. Segundo o parlamentar, a desistência está relacionada à morte de seu irmão, Matheus Augusto Azevedo, vítima de complicações decorrentes de uma leucemia em julho.
Cleitinho afirmou que precisa cuidar de sua condição pessoal e familiar. Sua decisão encerra um período de indefinição iniciado antes da convenção estadual do Republicanos, quando o senador se afastou das articulações políticas durante o luto.
A retirada altera profundamente o cenário eleitoral mineiro porque Cleitinho aparecia na liderança das pesquisas. Levantamento citado pela Folha registrava o senador com 35% das intenções de voto, enquanto Alexandre Kalil aparecia com 12%. O republicano também liderava as simulações de segundo turno.
Saída exige reorganização do Republicanos e do PL
O Republicanos já discutia alternativas para a hipótese de desistência. Um dos nomes mencionados nas negociações é o de Marcelo Aro, filiado ao Progressistas, cuja eventual candidatura dependerá de entendimentos entre as direções partidárias e do cumprimento do calendário eleitoral.
A decisão também afeta a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O PL mineiro pretendia apoiar Cleitinho e considerava sua candidatura uma possibilidade de construir um palanque competitivo no segundo maior colégio eleitoral do país.
Sem o senador na disputa, o campo conservador deverá redefinir sua relação com as candidaturas existentes. O atual governador Matheus Simões busca a reeleição com apoio de Romeu Zema, enquanto Republicanos, PL e partidos do centro-direita ainda precisam decidir se formarão uma candidatura alternativa ou se aderirão a outro palanque.
PDT confirma Alexandre Kalil, mas chapa permanece sem vice
O PDT oficializou Alexandre Kalil como candidato ao Governo de Minas Gerais. A escolha do ex-prefeito de Belo Horizonte foi aprovada pela direção partidária, mas a chapa permanecia sem candidato a vice-governador nesta segunda-feira.
Kalil administrou Belo Horizonte entre 2017 e 2022 e disputou o governo estadual naquele ano, quando foi derrotado por Romeu Zema. Em 2026, apresenta-se novamente como alternativa ao grupo político que governa Minas Gerais e às candidaturas vinculadas ao PT e à direita.
A definição do vice deverá ocorrer até quarta-feira (05/08), data final para as convenções partidárias. As negociações envolvem o PDT, o PT e a Federação PSOL-Rede, que discutem alianças, composição das chapas e candidaturas ao Senado.
PT e PDT disputam aliados em Minas Gerais
O PT decidiu lançar o deputado federal Patrus Ananias ao governo mineiro, após tentativas frustradas de atrair outros nomes. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos deverá concorrer ao Senado pela chapa petista.
A Federação PSOL-Rede mantém conversas com os dois campos. A ex-deputada Áurea Carolina é defendida por integrantes da federação para uma vaga no Senado, o que transforma a composição da chapa majoritária em elemento decisivo para uma eventual aliança.
A desistência de Cleitinho torna os levantamentos anteriores parcialmente superados. Como o candidato liderava com vantagem, sua retirada abre uma parcela expressiva do eleitorado que poderá ser redistribuída entre Kalil, Patrus Ananias, Matheus Simões e outros concorrentes.
PT escolhe Luis Cesar Bueno e conclui palanques estaduais
O PT escolheu o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno para disputar o Governo de Goiás. A definição encerrou uma das últimas indefinições da legenda na organização dos palanques estaduais do presidente Lula.
A primeira alternativa considerada pelo partido era a deputada federal Adriana Accorsi. Lula chegou a conversar com a parlamentar sobre a possibilidade de concorrer ao Palácio das Esmeraldas, mas ela preferiu disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados.
Com a escolha de Luis Cesar Bueno, o PT informou que terá 12 candidatos próprios aos governos estaduais. Nos demais estados, apoiará nomes de outras legendas, incluindo PSD, PSB, MDB, PDT, União Brasil, Progressistas e Republicanos.
Estratégia prioriza alianças competitivas
A composição dos palanques revela uma estratégia mais pragmática do que a adotada em períodos anteriores. Em estados nos quais não dispõe de um candidato eleitoralmente competitivo, o PT optou por apoiar representantes de partidos de centro ou centro-esquerda.
O objetivo é assegurar estruturas regionais para a campanha presidencial, ampliar o tempo de propaganda, reunir prefeitos e parlamentares e evitar que Lula fique sem representação política organizada em estados estratégicos.
Em Goiás, entretanto, a candidatura petista enfrentará um ambiente eleitoral historicamente desfavorável ao partido e uma estrutura política marcada pela influência do agronegócio, de grupos conservadores e do campo liderado pelo ex-governador Ronaldo Caiado.
Direita não bolsonarista resgata legado de Carlos Lacerda no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, candidatos e articuladores de direita afastados do bolsonarismo passaram a utilizar referências ao jornalista e ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda. O movimento ocorre em meio à crise institucional da política fluminense, marcada por investigações, prisões de parlamentares e sucessivas instabilidades administrativas.
Os defensores do chamado lacerdismo apresentam o ex-governador como referência de oposição, fiscalização, combate à corrupção e execução de obras públicas. Seus críticos recordam o apoio de Lacerda a movimentos de ruptura política, incluindo o golpe militar de 1964, do qual posteriormente se afastou.
O resgate também envolve propostas de relançamento da Tribuna da Imprensa, jornal fundado por Lacerda, além da utilização de imagens, discursos e referências estéticas relacionadas ao período em que governou a antiga Guanabara.
Programa de Renan Santos retoma política urbana controversa
O candidato presidencial Renan Santos, do Missão, incorporou ao programa de governo uma proposta denominada “desfavelização”. O projeto prevê regularização fundiária, remoção de ocupações consideradas ilegais e facilitação da aquisição de títulos de propriedade.
A formulação busca inspiração declarada em políticas associadas a Carlos Lacerda. Durante o governo da Guanabara, entre 1960 e 1965, famílias foram removidas de favelas localizadas no centro e na zona sul para áreas distantes, especialmente na zona oeste.
A referência histórica exige tratamento cuidadoso porque parte dessas intervenções resultou na formação de comunidades como Cidade de Deus, Vila Kennedy e Vila Aliança. Qualquer proposta contemporânea precisará observar direitos constitucionais, políticas habitacionais, acesso ao trabalho, transporte, serviços públicos e participação das comunidades afetadas.