Greve na CPTM continua após impasse entre governo e ferroviários
Fonte: bnewssaopaulo.com.br | Data: 04/08/2026 23:25:34
A greve dos ferroviários que afeta as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi mantida após mais uma rodada de negociações sem acordo entre a categoria e o Governo de São Paulo.
A paralisação seguirá, pelo menos, até as 17h desta quarta-feira (5), quando o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB) realizará uma nova assembleia para decidir os rumos do movimento.
Em comunicado divulgado na noite desta terça-feira (4), o sindicato afirmou que continua aguardando uma garantia formal, por escrito, de que não haverá demissões dos empregados da CPTM durante o processo de concessão das linhas ferroviárias. Segundo a entidade, a paralisação poderá ser encerrada caso esse compromisso seja oficializado pelo governo.
Sindicato cobra documento oficial
De acordo com o STEFZCB, representantes da categoria voltaram a se reunir com integrantes da CPTM e do governo estadual durante a tarde, mas, segundo o sindicato, não houve resposta considerada suficiente às reivindicações apresentadas.
Entre os principais pedidos dos ferroviários estão a preservação de todos os postos de trabalho, a reestatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, atualmente concedidas à Trivia Trens, e o apoio do governo ao Projeto de Lei nº 730/2025, que prevê a absorção de funcionários da estatal por outros órgãos da administração pública estadual.
Governo endurece discurso após manutenção da greve

Após a decisão do sindicato de manter a paralisação, o Governo de São Paulo elevou o tom das críticas ao movimento. Em nota divulgada na noite desta terça-feira (4), a gestão estadual classificou a continuidade da greve como “injustificável” e afirmou que a paralisação causa prejuízos a cerca de 1 milhão de passageiros que utilizam diariamente as três linhas.
O governo também destacou que os reflexos ultrapassaram o sistema ferroviário, citando a suspensão do rodízio municipal de veículos e os 720 quilômetros de congestionamento registrados na capital durante a manhã, em consequência dos impactos na mobilidade.
A administração estadual voltou a afirmar que não há demissões em curso relacionadas ao processo de concessão das linhas. Segundo a CPTM, dos 4.648 funcionários registrados em junho deste ano, 2.171 permanecem na Linha 10-Turquesa, enquanto os demais estão contemplados no plano de realocação para o Metrô, Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e outros órgãos estaduais.
Na nota, o governo também sustenta que a manutenção da greve demonstra que o movimento teria ultrapassado reivindicações trabalhistas e passado a defender a reestatização dos serviços concedidos, atribuindo caráter político à paralisação.
Outro ponto destacado pela CPTM foi o suposto descumprimento da decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Segundo a companhia, durante o pico da noite, a operação ocorreu com apenas 53% do efetivo, percentual inferior aos 80% determinados pela Justiça para os horários de maior demanda.
A empresa informou ainda que manterá o plano de contingência em conjunto com o Metrô durante o segundo dia de paralisação e afirmou que continuará adotando medidas administrativas e judiciais para assegurar a prestação do serviço e responsabilizar os envolvidos pelo eventual descumprimento das determinações judiciais.
Paralisação provocou transtornos
Durante a terça-feira (4), a greve impactou a operação das três linhas da CPTM. A Linha 11-Coral funcionou parcialmente entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, enquanto a 12-Safira operou apenas entre Brás e Engenheiro Goulart durante parte do dia. A 13-Jade chegou a ficar totalmente paralisada antes de iniciar uma operação parcial entre Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart.
Para reduzir os impactos, o Governo do Estado colocou em prática um plano de contingência, com reforço na operação do Metrô, acionamento do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), com 128 ônibus, e suspensão do rodízio municipal de veículos na capital.
Na terça-feira, a CPTM também informou que o sindicato teria descumprido a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinava a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos. O descumprimento pode resultar em multa diária de R$ 400 mil à entidade sindical.
A expectativa agora é pela assembleia marcada para o fim da tarde desta quarta-feira (5), quando os ferroviários decidirão se mantêm ou encerram a paralisação.