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Londrina (PR): Policais viram réus por morte de adolescente; entenda.

Fonte: diariodoestadogo.com.br | Data: 05/08/2026 18:00:07

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CURITIBA (PR) — Três policiais militares se tornaram réus no caso do adolescente Davi Gregório Ferraz dos Santos, que foi baleado e morto durante uma abordagem policial em Londrina, em junho de 2022. Os PMs envolvidos no incidente são Fernando Henrique Rodrigues Yoshimine, Rodrigo Soares da Silva e Volnei José Marcelino.

A decisão foi proferida pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná. O desembargador Miguel Kfouri Neto considerou que há indícios suficientes de autoria e materialidade para que os policiais sejam julgados pelo crime de homicídio qualificado, caracterizado pelo uso de recursos que dificultaram a defesa da vítima e por tortura.

Davi Gregório, na época com 15 anos, foi atingido por mais de dez disparos durante a ação da Polícia Militar do Paraná. A versão oficial aponta que os policiais realizavam uma abordagem em uma suposta situação de tráfico de drogas quando encontraram Davi, que estava em um carrinho de lanches e fugiu com um amigo. Ele foi abordado dentro de uma residência, onde, segundo a polícia, foi baleado após ser flagrado com uma arma.

Entretanto, a família de Davi contesta essa narrativa, afirmando que o jovem não estava armado e que o laudo pericial revelou que ele foi atingido por 13 tiros, alguns deles nas mãos, sugerindo que ele tentava se proteger. Além disso, o laudo indica que os disparos foram feitos em um ângulo que não condiz com a entrada dos policiais pelo local descrito, levanta dúvidas sobre a versão apresentada pelos agentes.

O caso permaneceu arquivado por mais de dois anos após ser inicialmente considerado um ato de legítima defesa pelas autoridades competentes. Contudo, em janeiro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reabriu o inquérito, reconhecendo que a conclusão inicial deveria ser revista. A Procuradoria de Justiça Criminal, após nova análise, aceitou a argumentação da família de Davi, apontando falhas na investigação anterior.

Agora, com a nova condição dos policiais como réus, tanto a defesa quanto a acusação poderão solicitar a produção de novas provas e oitiva de testemunhas. A próxima decisão caberá ao juiz, que determinará se o caso será julgado pelo Tribunal do Júri.

A assessoria da Polícia Militar do Paraná informou que não se manifestará sobre decisões judiciais, se pronunciando apenas ao final do processo, após esgotadas todas as esferas de defesa. O DE aguardou um retorno da defesa dos policiais, mas não obteve resposta até o momento desta publicação.