Wagner Moura fala de Oscar, sotaque e família no Conversa com Bial
Fonte: gpsbrasilia.com.br | Data: 05/08/2026 20:30:43
Em um dos momentos mais prestigiados da carreira, Wagner Moura foi o convidado do Conversa com Bial exibido na noite de terça-feira (4). Entrevistado por Pedro Bial diretamente da Grécia, onde está em turnê com o espetáculo Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo, o ator falou sobre a projeção internacional conquistada com O Agente Secreto, o Oscar, o retorno ao teatro, a relação com os filhos e a importância das novelas em sua formação.
Embora reconheça que a indicação ao Oscar ampliou as oportunidades profissionais, Wagner afirmou que o novo patamar não alterou sua maneira de escolher trabalhos. Segundo o ator, a visibilidade da premiação abriu portas que antes provavelmente permaneceriam fechadas, mas seus critérios continuam ligados aos projetos nos quais acredita e à identidade artística que construiu ao longo da carreira.
Um dos relatos mais curiosos da entrevista foi sobre o momento em que descobriu a indicação a Melhor Ator. Wagner estava em um voo de Paris para Los Angeles e, embora normalmente não use a internet durante viagens, decidiu se conectar no dia do anúncio. Com os demais passageiros dormindo, começou a receber mensagens e comemorou discretamente, sozinho, com uma taça de vinho.
O ator também destacou a mobilização criada no Brasil em torno de O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. Para ele, mais importante do que a disputa pela estatueta foi perceber o público brasileiro reconhecendo a própria cultura no filme.
“O engajamento dos brasileiros dessa campanha era emocionante”, resumiu.
Sotaque como identidade
Entre os assuntos abordados, a posição de Wagner sobre o sotaque ganhou destaque. Consolidado em produções internacionais desde Narcos, o baiano explicou que não pretende neutralizar completamente a forma como fala inglês para se aproximar de um padrão considerado mais “americano”.
“Eu não quero falar sem sotaque. Acho que represento uma parcela gigante de pessoas: gente que fala com sotaque, imigrantes”, declarou.
Para o ator, preservar essa característica não é uma limitação, mas uma escolha ligada à identidade e à representação de milhões de pessoas que trabalham, vivem e se expressam em uma língua diferente da materna.

A conversa também passou pelo retorno aos palcos. Idealizado por Wagner e pela diretora Christiane Jatahy, Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo parte da obra de Henrik Ibsen para criar um texto original que transforma o teatro em uma espécie de tribunal. A montagem coloca em discussão temas como verdade, interesses econômicos, participação popular e democracia, enquanto convida o público a assumir parte da decisão.
Em turnê por festivais europeus, o espetáculo também marcou a comemoração dos 50 anos do ator, celebrados durante uma apresentação em Amsterdã. Depois de anos concentrado principalmente no cinema e em séries, Wagner descreveu a volta ao teatro como um reencontro com suas origens artísticas.
Novelas e família
Ao relembrar a passagem pela televisão, Wagner citou trabalhos como A Lua me Disse e Paraíso Tropical. Longe das novelas desde 2007, ele afirmou que o ritmo intenso das gravações foi decisivo para sua formação, ensinando-o a chegar ao set preparado para resolver cenas rapidamente. Apesar do carinho pelo gênero, o ator reconheceu que o longo compromisso exigido por uma novela ajuda a explicar sua ausência.
A vida familiar também entrou na conversa. Pai de Bem, Salvador e José, frutos do casamento com a jornalista e fotógrafa Sandra Delgado, Wagner contou que os filhos já demonstram interesse pelas artes. Salvador participa de um trecho audiovisual de Um Julgamento, enquanto Bem, estudante de cinema, prepara sua estreia como ator no longa Elizabeth Costello.
Dirigido por Monique Gardenberg, o filme reunirá Bem a Marieta Severo e Humberto Carrão. Wagner tratou a novidade com orgulho e bom humor, dizendo que o filho não costuma pedir licença para seguir os próprios caminhos.

Entre lembranças, projetos e reflexões, a entrevista apresentou um artista consciente da dimensão alcançada pela própria carreira, mas disposto a preservar os traços que o conectam ao Brasil. No discurso de Wagner Moura, o sucesso internacional não aparece como um processo de apagamento da origem, e sim como uma oportunidade de levá-la a espaços cada vez maiores.