Taxista perde carro para árvore caída no Rio e descobre que seguro não cobre o prejuízo
Fonte: autopapo.com.br | Data: 05/08/2026 20:55:54
Por
João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 05/08/2026 às 20h00
Um taxista teve o carro destruído por uma árvore que caiu sobre o veículo enquanto ele trafegava pelo centro do Rio de Janeiro, durante o vendaval que atingiu a capital em 29 de julho. Ele saiu ileso, mas descobriu, ao acionar a seguradora, que a apólice contratada não previa cobertura para aquele tipo de ocorrência. O carro deu perda total e ele não receberá indenização.
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
O caso foi mostrado pelo SBT Brasil em 1º de agosto. “Eu descobri que nem pagando franquia, nem nada, simplesmente não cobre”, afirmou o motorista à emissora. Segundo ele, uma apólice que contemplasse o risco custaria o dobro do que pagava. A reportagem não detalhou qual produto ele havia contratado.
O vendaval que provocou o estrago foi um dos mais intensos registrados na cidade nos últimos anos. As rajadas chegaram a 105,5 km/h na região do Aeroporto do Galeão, e a prefeitura contabilizou 25 quedas de árvores na capital, 21 delas sobre vias públicas. Duas pessoas morreram em Santa Teresa, no centro, quando um muro desabou sobre o carro em que estavam. No pico do apagão, 1,9 milhão de imóveis ficaram sem energia no estado.
O que a apólice cobre e o que ela deixa de fora
Um advogado especialista em direito administrativo, ouvido pela reportagem, explicou que o pagamento da indenização depende exclusivamente das coberturas efetivamente contratadas. No seguro de automóvel, a proteção contra fenômenos da natureza costuma vir como padrão. No residencial, em geral precisa ser solicitada como cobertura adicional, caso de enchentes e alagamentos.
Na prática, apólices de preço mais baixo podem restringir justamente as hipóteses menos frequentes, como a queda de árvores. O especialista lembrou que o segurado pode pedir a inclusão de novas coberturas durante a vigência do contrato ou na renovação, conforme as regras de cada seguradora, e recomendou revisar a lista de riscos com o corretor antes de fechar o negócio.
Prejuízo bilionário sem cobertura
O episódio se encaixa em um quadro mais amplo de subcobertura no país. Levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em parceria com a consultoria EY mapeou 67 eventos climáticos relevantes no Brasil entre 2022 e 2024, com prejuízos estimados em R$ 184 bilhões. Apenas cerca de 9% desse valor contava com alguma proteção securitária. No primeiro semestre de 2025, outros dez eventos extremos somaram R$ 31 bilhões em perdas.
Existe ainda uma via fora do mercado de seguros. Quando o dano decorre de falha na manutenção de áreas públicas, como a queda de uma árvore que deveria ter recebido poda preventiva, o proprietário do veículo pode acionar judicialmente o poder público para pedir ressarcimento, desde que comprove a omissão da administração.
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