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Malala Yousafzai lota palestra no Rio Innovation Week, defende IA na educação e investimento em esportes para mulheres

Fonte: diariocarioca.com | Data: 06/08/2026 13:46:26

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A passagem da ativista e Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, pelo Rio de Janeiro, foi rápida, mas intensa. Uma das principais atrações do Rio Innovation Week 2026, a jovem paquistanesa, que foi vítima de um atentado do Talibã, defendeu a democratização da tecnologia para vencer abismos na educação e o esporte como forma de inspirar meninas. Diante de um auditório lotado, ela trouxe uma mensagem de impacto que uniu educação, tecnologia, saúde mental e o poder transformador da liderança de meninas e jovens mulheres.

O painel “Uma conversa com Malala”, mediado pela jornalista Lilian Ribeiro, marcou o primeiro dia do evento, na terça-feira. Durante o encontro, Lilian Ribeiro representou a empolgação da plateia ao comentar sobre a presença da ativista no país: “Queremos a Malala na Copa ano que vem aqui.” Em resposta, Malala reforçou o convite ao público global para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil: “Digo a todos, venham ao Brasil no próximo ano.”

Malala destacou que está analisando a área esportiva como uma forma poderosa de inspirar as meninas a “imaginar uma vida sem limites”. A ativista paquistanesa revelou que, ao lado do marido, Asser Malik, estuda a criação de uma plataforma de investimento e capital destinada à atividade feminina. “Nós queremos que as meninas tenham a opção de buscar um caminho profissional nos esportes. Estou estudando essas formas”, afirmou a Prêmio Nobel.

Tecnologia, IA e adaptação dos sistemas educacionais

Malala refletiu sobre o abismo educacional que ainda atinge cerca de 120 milhões de meninas pelo mundo, destacando o duro cenário do Afeganistão, onde a educação feminina foi proibida pelo grupo fundamentalista Talibã nos últimos cinco anos. Ela reforçou como ativistas locais têm resistido, usando a tecnologia a seu favor por meio de rádios, TVs e aplicativos de mensagens para manter escolas clandestinas.

Para a ativista, os desafios atuais vão além do acesso e exigem uma transformação estrutural no ensino. Ela enfatizou a necessidade urgente de flexibilização e adaptação dos sistemas educacionais frente às transformações tecnológicas e sociais. Sobre a Inteligência Artificial (IA), defendeu que deve ser uma ferramenta projetada para o bem e para democratizar o saber, sem aumentar as desigualdades. “O acesso à informação não é mais o desafio principal, mas sim como avaliá-la de forma analítica e crítica. Precisamos desafiar a IA e estimular o cérebro para processar o volume de dados e tomar boas decisões”, pontuou.

Motor de mudança

Malala criticou a visão reducionista de governantes sobre a educação, ressaltando que os líderes frequentemente tratam a pauta de forma isolada. Para a ativista, investir na formação de meninas é uma decisão de alto impacto econômico: quando a mulher estuda e atua ativamente na economia, o país inteiro ganha em desenvolvimento, combate à extrema pobreza e redução das desigualdades.

A Prêmio Nobel também combateu o preconceito contra a capacidade das jovens mulheres, defendendo que não se deve duvidar da inteligência e do potencial de liderança das garotas. “Os líderes não podem apenas chamar uma menina para fazer um discurso na ONU e depois deixá-la de fora quando vão discutir os orçamentos. Elas não devem ser chamadas apenas para falar; precisam ser de fato ouvidas e incluídas na tomada de decisões”, apontou.

Apesar do cenário desafiador, a ativista reforçou que as próprias meninas são a resposta e o motor da mudança. Refletindo sobre sua própria trajetória desde os 11 anos, enfatizou que uma única pessoa pode iniciar um movimento, mas apenas a ação coletiva gera transformações estruturais: “Quando eu tinha 17 anos, achava que era minha função, uma pessoa mudar o mundo. Uma pessoa pode iniciar o movimento de mudança, mas é o coletivo que faz a mudança.”
 

Saúde mental e união

Malala abriu o diálogo sobre maturidade, os traumas vividos no Paquistão, a busca recente por terapia e a importância de priorizar a saúde mental. A ativista encerrou sua participação deixando uma mensagem de união e determinação para o público.

“A vida não é glamurosa, nada é fácil, muitos percalços teremos. Pode ser uma montanha-russa, mas é importante saber que há pessoas maravilhosas ao nosso redor. Peça ajuda quando precisar, fale de saúde mental e ajudem-se uns aos outros. Você pode ser ambiciosa, mas entenda o poder de trabalhar em conjunto: quando estamos sozinhos, somos uma voz isolada. Mas juntos nos tornamos uma voz poderosa em nossas comunidades. Tenha a determinação de fazer a diferença; comece com algo, faça em conjunto. Mantenham os sonhos grandiosos, porque o sonho de hoje pode ser a realidade do futuro.”

Patrocinadores

O Rio Innovation Week 2026 conta com a apresentação do BNDES e com patrocínio e parceria de grandes marcas como Prefeitura do Rio, Riotur e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, GWM, Stellantis, Águas do Rio, Binance, Claro, RecargaPay, Sotreq, Rede Américas, Cedae, Vibra. EY, Accenture, BNY por meio da lei municipal de incentivo à cultura – ISS, FNT Telecomunicações, IBMEC-Instituto YDUQS, Firjan, Ambev, BAT, Merck, FGV, Marinha do Brasil, MPRJ, Prefeitura de Niterói, Sesc Rio, Senac RJ, Estadão, Globo, Exame, LinkedIn, Grupo Band, MIT Technology Review, Not Journal, O Dia, Broadcast, Correio da Manhã, Record, Metrópoles, ASSERJ, Sai do Papel. Apoio: Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. Realização de Ler Cultural, MMAR, Base Promoções e Ministério da Cultura através da Lei Rouanet.

Serviço

RIO INNOVATION WEEK 2026

Quando: Até 7 de agosto de 2026

Onde: Pier Mauá – Rio de Janeiro – Brasil AV. RODRIGUES ALVES, 10 | PRAÇA MAUÁ, RIO DE JANEIRO | RJ, 20081-250