Estradas em más condições elevam gastos do setor de eventos
Fonte: itatiaia.com.br | Data: 07/08/2026 07:25:14
Quando as luzes se acendem e o artista sobe ao palco, para quem está na plateia, é hora de aproveitar. Mas, antes do show começar, teve muita gente e muita coisa que precisou pegar a estrada.
A operação de logística tem um custo alto. O microempresário Wanderson Serafim, mora em Belo Horizonte, e gosta de curtir shows e apresentações musicais. Mas, recentemente, ele percebeu que o lazer está ficando mais caro.
“Está um pouco aqui salgado. Eu acho que essa inflação de evento aumentou muito, sabe? Ficou um pouco mais caro, porque se a gente for fazer uma uma estimativa de dois anos para cá depois da Covid, teve um aumento significativo”.
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O preço de um ingresso depende de uma série de fatores. Mas tem uma conta que o público nem sempre enxerga: a logística para fazer o espetáculo chegar até a cidade.
A Itatiaia conversou com um dos produtores do cantor Alexandre Pires, um dos principais artistas do país. O produtor nos disse que uma parte considerável envolvendo o show que quase ninguém vê.
Antes do artista, precisam chegar os equipamentos, a estrutura e toda uma equipe responsável por colocar o show de pé. Responsável pela produção técnica do cantor mineiro, Marcelo Roberto, destacou que viajar de uma cidade para outra exige uma operação e tanto.
“Uma carreta, um caminhão baú e um ônibus que leva a equipe, entendeu? Então o que acontece? De um show para outro a gente roda até 700 km de um show para outro. Mais que isso já já começa a complicar um pouquinho, entendeu? Porque as estradas não são boas, a gente não depende só das estradas, né? Pode ocorrer algum acidente, alguma coisa na estrada, entendeu? Algum imprevisto que faz a equipe chegar atrasada e atrasar o evento. O Alexandre, no caso, ele sobe, pede desculpa, fala que a culpa não foi nossa”, explicou Marcelo Roberto.
O setor de entretenimento movimenta bilhões. Apenas no primeiro bimestre deste ano, o consumo ligado ao setor de eventos ultrapassou R$ 25 bilhões, segundo a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape).
E quanto maior esse mercado, maior também o peso de uma logística que depende de deslocamentos por todo o Brasil. Carlos Alberto Xaulim, produtor de eventos e shows em todo o país e ex-presidente da Abrape, explica que o transporte acaba entrando na conta do chamado Custo Brasil.
“O entretenimento tem essa peculiaridade de ser impactado por situações provisórias e que isso afeta muito o custo final do ingresso. Não são as estradas, mas é muito ruim, o cara vai cobrar o frete mais caro e, enfim, tudo aquilo que sai da normalidade impacta o preço final dos ingressos, como impacta também qualquer outra atividade econômica”, fala Xaulim.
Um dos principais nomes da música brasileira, o cantor Lobão conhece bem essa rotina. São mais de 50 anos de carreira e milhares de quilômetros percorridos para levar música de uma cidade para outra. O artista lembra que,em outros momentos, era mais fácil contar também com o transporte aéreo para deslocar artistas, equipes e parte dos equipamentos.
“Antigamente você fazia, botava tudo no avião. Hoje em dia você não pode botar mais nada no avião. Praticamente eles fazem para inviabilizar. Você fica reduzido a sua malha rodoviária, que é muito deficitária, né? Certo. Algumas partes. Então o negócio era fazer, pô, eu peguei ainda a época do trem de prata, que eu pegava o Rio de São Paulo, que era a única, a gente levava no vagão de trem, no vagão de carta, a gente montava bateria, ficava tocando lá, é tudo, o transporte é muito mais barato, é é muito mais rápido e seria pro tamanho do Brasil seria fundamental a gente ter uma malha ferroviária possante”.
E quando a gente se fala em alternativas à rodovia, aparece uma discussão que vale não só para o entretenimento, mas para toda a economia: divisão entre estradas, ferrovias e outros modais.
O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (FETCEMG), Gladstone Lobato, afirma que não existe uma solução única. O cenário ideal, segundo ele, é justamente combinar os diferentes meios de transporte.
“A gente não trabalha para só ter estrada, nós trabalhamos é para ter uma o multimodal. O primeiro e o último quilômetro não vai entrar na sua casa para entregar nada. Ferrovia não vai entrar em toda a indústria para entregar nada. E a rodovia sim, o o sistema rodoviário, sim. Então, a gente tem que estudar, a gente tem que sentar na mesa, tratar isso com mais maior importância possível, essa multimodalidade”.
Especialistas apontam que há uma margem grande de crescimento de rodovias. O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, diz que hoje cerca de 20% das cargas são transportadas pelas ferrovias e que a meta é ampliar significativamente essa participação.