Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Após anos de falhas, Justiça aumenta para R$ 10 mil multa diária contra Estado por falta de obstetras em hospital de Gurupi

Fonte: justocantins.com.br | Data: 07/08/2026 11:27:37

🔗 Ler matéria original

A Justiça aumentou para R$ 10 mil por dia a multa aplicada ao Estado pelo descumprimento de uma decisão que determina a manutenção de médicos obstetras no Hospital Regional de Gurupi (HRG), no sul do Tocantins. A penalidade poderá chegar a R$ 1 milhão.

O governo e a Secretaria de Estado da Saúde terão 15 dias para apresentar documentos que comprovem a regularização do atendimento obstétrico 24 horas na maternidade do hospital.

A nova decisão ocorreu após o Ministério Público do Tocantins (MPTO) demonstrar que o problema se repete há anos, mesmo depois de determinações judiciais para garantir o funcionamento regular do serviço. A situação afeta moradores dos 19 municípios atendidos pela macrorregião Sul do Estado.

Gestante ficou três dias sem especialista

Um dos casos recentes levados pelo MPTO à Justiça envolve uma gestante de alto risco que foi encaminhada de Sandolândia para o Hospital Regional de Gurupi.

Ela chegou à unidade com óbito fetal e permaneceu internada por cerca de três dias sem receber avaliação de um médico obstetra.

Durante a apuração, a própria direção do hospital informou oficialmente que não havia médico obstetra de plantão nos dias 5 e 6 de maio de 2026.

Para o promotor de Justiça Marcelo Lima Nunes, a falta de profissionais representa uma falha que se prolonga no tempo e compromete um serviço essencial de saúde, além de colocar gestantes e recém-nascidos em situação de risco.

Problema se arrasta há 10 anos

A cobrança do MPTO começou em 2016, quando foi apresentada uma Ação Civil Pública diante dos problemas nas escalas de médicos da maternidade do HRG.

A sentença se tornou definitiva em junho de 2019 e determinou que o Estado mantivesse equipes médicas completas no setor de obstetrícia.

Mesmo depois da decisão, segundo o Ministério Público, as falhas continuaram. Diante da repetição dos problemas, a Promotoria de Justiça de Gurupi voltou à Justiça para exigir o cumprimento da determinação.

Multa maior

Ao analisar o pedido, a Justiça rejeitou a tentativa do Estado de retirar ou reduzir as penalidades que já haviam sido estabelecidas.

O entendimento foi de que o aumento da multa é necessário para pressionar o cumprimento da ordem judicial e garantir a continuidade do atendimento obstétrico.

A nova penalidade ficou estabelecida em R$ 10 mil por dia, limitada a R$ 1 milhão.

Pedido contra secretário foi negado

Na mesma ação, o MPTO também pediu o afastamento do secretário de Estado da Saúde. O pedido, porém, foi negado pela Justiça.

Agora, o Estado e a Secretaria de Saúde deverão comprovar, dentro do prazo de 15 dias, que o atendimento obstétrico 24 horas no Hospital Regional de Gurupi está regularizado.