Açúcar: Corte de cota dos EUA e as alternativas do setor.
Fonte: portogente.com.br | Data: 07/08/2026 15:59:30
Opinião | Carlos Magano
Especialista em Gestão Portuária e Infraestrutura Logística, mestre pela Escola Politécnica da USP.

Panorama do Mercado Sucroenergético
O setor sucroenergético brasileiro vive um momento de contrastes significativos no ciclo atual. De um lado, a safra 2026/27 no Centro-Sul deve atingir patamares recordes, com projeções que alcançam até 44 milhões de toneladas de açúcar produzidas. Por outro lado, os preços seguem pressionados no mercado internacional e doméstico, operando cerca de 10% abaixo do mesmo período do ano passado, em meio a um cenário de oferta robusta e rentabilidade em queda após sucessivos anos de bonança financeira para as usinas.
Restrição Comercial dos Estados Unidos
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) oficializou a redução da cota brasileira de açúcar bruto, que passou de 155.993 para 100 mil toneladas. Esta medida protecionista agrava o cenário de escoamento da produção nacional e soma-se a outros fatores críticos de pressão sobre o setor:
Safra robusta gerando excedente e derrubando preços no mercado interno;
Valorização do real frente ao dólar, o que encarece o produto brasileiro no mercado externo e reduz a competitividade;
Incerteza regulatória em um momento que exige previsibilidade para investimentos de longo prazo em infraestrutura e expansão.
Mix Açúcar x Etanol: A Resposta do Setor
Diante do cerco comercial e da queda nas margens do adoçante, as unidades produtoras recorrem à flexibilidade do mix industrial. A consultoria Safras & Mercado projeta uma redução de até 14,2% nas exportações de açúcar na temporada 2026/27, com o desvio estratégico de cana-de-açúcar para a produção de etanol. A Copersucar avalia o balanço global como equilibrado, ressaltando que os preços do açúcar estarão cada vez mais atrelados ao comportamento e à demanda do biocombustível.
Entretanto, a estratégia de migração para o etanol encontra limites competitivos. O avanço acelerado do etanol de milho na região Centro-Oeste adiciona uma concorrência direta ao etanol de cana, em um período onde o setor já lida com a elevação dos custos de insumos e instabilidades climáticas adversas.
Alternativas Estratégicas e Novos Mercados
Para mitigar os impactos das restrições americanas e a volatilidade de preços, o setor avalia as seguintes frentes de atuação:
Diversificação de destinos: Foco em mercados emergentes na Ásia, Oriente Médio e África. A Índia permanece como um parceiro estratégico de longo prazo para cooperação tecnológica e comercial;
Agregação de valor: Ampliação da capacidade de refino para exportação de açúcar de maior valor agregado, reduzindo a dependência exclusiva das cotas de açúcar bruto;
Fortalecimento do etanol: Consolidação do biocombustível como commodity energética global, com foco no mercado de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e transporte marítimo.
Cotações de Referência (Cepea/Esalq)
Açúcar cristal: ‘R$ 91,50’ por saca de 50 kg
Açúcar cristal empacotado: ‘R$ 11,66’ por 5 kg
Preço internacional (ICE): aproximadamente ‘14,66 centavos/lb’
Clipping do setor sucroenergético – 07 de agosto de 2026
Carlos Magano
Especialista em Gestão Portuária e Infraestrutura Logística, mestre pela Escola Politécnica da USP.