Governo reduz geração de hidrelétricas para se preparar para o El Niño
Fonte: iclnoticias.com.br | Data: 07/08/2026 20:12:42
O governo federal decidiu reduzir a geração de energia nas hidrelétricas do país para armazenar mais água nos reservatórios, medida pensada para reforçar a segurança do sistema elétrico diante da possível chegada do El Niño no segundo semestre deste ano.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Costuma ocorrer a cada dois a sete anos e altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo. No Brasil, seus efeitos costumam incluir intensificação do calor, maior risco de seca em partes do Norte e Nordeste, além de chuvas acima da média na região Sul.
A decisão de reduzir a geração hidrelétrica integra um conjunto de ações aprovado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Segundo o colegiado, a probabilidade de o El Niño se formar no segundo semestre é de 70%.
Além da redução na geração de energia, o pacote prevê o acompanhamento intensivo das condições hidrometeorológicas que afetam o sistema elétrico, a criação de uma sala de monitoramento voltada ao abastecimento de combustíveis para os sistemas de geração da Região Norte, e a participação em grupos interinstitucionais sobre o fenômeno, com órgãos como a Casa Civil e a Defesa Civil. O plano também prevê monitoramento contínuo e adoção de medidas preventivas por parte de agentes dos setores de geração, transmissão e distribuição de energia.

O que já se sabe sobre os riscos do El Niño no Brasil
Reportagem do Fantástico mostrou que o El Niño deve aumentar o risco de eventos climáticos extremos no país nos próximos meses. O fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Peru, já teria começado a influenciar o clima brasileiro, favorecendo tempestades severas e enchentes, principalmente na Região Sul.
O alerta chega em um momento em que diferentes partes do mundo já enfrentam uma sequência de desastres ligados ao clima. Na Europa, incêndios florestais ganharam força com a alta das temperaturas. Índia e China registraram enchentes e ondas de calor, enquanto o Chile enfrentou nevascas e inundações. No Brasil, o Rio Grande do Sul já foi atingido por chuva intensa, granizo e tornados.
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o excesso de chuva registrado recentemente no Sul do país já seria um sinal de que os efeitos do El Niño começaram antes do esperado. “O que a gente vem observando é uma antecipação de potencial influência desse fenômeno nesse excesso de chuva que a gente viu recentemente no Sul do país”, afirmou um dos especialistas consultados.
De acordo com os pesquisadores, o fenômeno já está formado, e seus efeitos tendem a se intensificar nos próximos meses. “Ele agora já está influenciando. Já está favorecendo essas tempestades severas, inundações no Sul, e o pico que se espera desses eventos deve acontecer daqui a alguns meses”, completou.