Maioria dos brasileiros rodam sem seguro de carro no país
Fonte: carzin.com.br | Data: 07/08/2026 20:28:39
A maior parte dos carros em circulação no Brasil roda sem seguro. Segundo levantamento da Saga Seguros, cerca de 70% da frota nacional não possui cobertura, número que revela um contraste importante entre o tamanho do mercado automotivo brasileiro e o nível de proteção financeira dos proprietários.

O dado chama atenção porque transforma o seguro em exceção, não em regra. Em um país com frota numerosa, trânsito intenso e custos elevados de manutenção, sete em cada dez veículos circulando sem apólice indicam uma exposição significativa a prejuízos depois de colisões, furtos, roubos ou danos a terceiros.
A pesquisa também aponta que o setor de seguros automotivos movimenta aproximadamente R$ 61,6 bilhões em prêmios em 2025. Para 2026, a projeção é de crescimento de 7,7%. Esses dois números mostram uma fotografia dupla: mesmo com baixa penetração na frota total, o mercado ainda movimenta valores expressivos e deve seguir crescendo.
Essa diferença entre adesão e faturamento ajuda a entender o peso do custo individual. O seguro pode estar presente em uma parcela minoritária dos veículos, mas quando contratado representa uma despesa relevante no orçamento do motorista. Por isso, a baixa adesão não significa falta de percepção de risco, mas dificuldade de encaixar essa proteção em um cenário de carro, manutenção e peças mais caros.
Outro número importante está nos reparos. Segundo levantamento feito, um farol full LED pode custar entre R$ 3 mil e R$ 7 mil. Já um para-choque equipado com sensores pode ultrapassar R$ 5 mil. Esses valores mostram como uma colisão aparentemente simples deixou de ser um dano barato, principalmente em veículos mais novos, com iluminação em LED, sensores, câmeras e componentes eletrônicos integrados.

Esse é um ponto central da leitura dos dados. O carro moderno ficou mais seguro, conectado e tecnológico, mas também ficou mais caro de consertar. Uma batida leve em baixa velocidade pode envolver peças eletrônicas, calibração de sensores e mão de obra especializada. Para quem está sem seguro, o prejuízo pode aparecer mesmo quando o acidente não parece grave.
O levantamento ainda cita 84.154 acidentes de trânsito registrados nas estradas brasileiras em 2025. Esse número reforça que o risco não está restrito a grandes centros urbanos ou a situações excepcionais. Acidentes seguem sendo parte relevante da realidade viária do país, tanto em rodovias quanto no uso diário.
A pesquisa também mostra uma tentativa de adaptação por parte dos consumidores. Em vez de contratar uma cobertura completa, parte dos proprietários passa a buscar planos mais básicos. Segundo a Saga, esse tipo de apólice pode custar até 40% menos, dependendo do perfil do cliente.
Esse movimento ajuda a explicar uma mudança de comportamento. Para muitos motoristas, o debate deixou de ser apenas entre ter ou não ter seguro. A escolha passa por definir quais proteções são possíveis dentro do orçamento, como roubo e furto, perda total, danos a terceiros e assistência 24 horas.