Diretor técnico da Voepass diz à PF que avião não deveria ter sido despachado para rota com gelo severo
Fonte: cbncampinas.com.br | Data: 08/08/2026 06:10:43
Um dos principais executivos da Voepass antes do acidente em Vinhedo afirmou à Polícia Federal que o avião não deveria ter sido despachado para uma rota com previsão de gelo severo caso as falhas no sistema de degelo tivessem sido registradas corretamente.
A CBN Campinas teve acesso ao depoimento de Eric Consoli, apontado pela investigação como um dos nomes mais influentes da área técnica da companhia antes da queda do voo 2283.
Eric Consoli foi indiciado pela Polícia Federal junto com outros 15 funcionários e ex-funcionários da empresa. No depoimento, ele afirmou que ocupava o cargo de diretor técnico e tinha sob responsabilidade áreas como frota, compras aeronáuticas, seguros e contratos técnicos. Embora tenha dito que o diretor de manutenção era Carlos Alberto Costa, o nome de Eric permanecia como responsável técnico da companhia perante a Anac.
Questionado pelo delegado André Ribeiro sobre as falhas no sistema de degelo identificadas nos voos anteriores ao acidente, ele admitiu que, se os problemas tivessem sido anotados nos registros oficiais da aeronave, o despacho teria que ser diferente.
Segundo o depoimento, a aeronave não deveria ter seguido para uma rota com previsão de gelo severo.
A declaração reforça uma das principais conclusões da Polícia Federal. O inquérito aponta que falhas recorrentes no sistema de degelo apareceram em voos anteriores, mas deixaram de ser registradas formalmente. Sem essas informações, a aeronave continuou operando normalmente, inclusive em áreas com previsão de formação intensa de gelo.
Durante a oitiva, Eric Consoli negou a existência de uma orientação da empresa para esconder problemas técnicos ou deixar de registrar falhas. Ele afirmou que havia cobrança por respostas rápidas quando uma aeronave apresentava pane, mas disse que a pressão era para estimar o tempo de manutenção e reorganizar a operação, não para liberar aviões sem condições de voo.
A Polícia Federal chegou a uma conclusão diferente. O relatório final aponta a existência de uma cultura de omissão de falhas dentro da companhia, com problemas técnicos deixando de ser registrados e corrigidos adequadamente.