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Edição que comemora 10 anos da Flipelô segue até domingo (9) no Centro Histórico

Fonte: correio24horas.com.br | Data: 08/08/2026 06:15:47

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Evento tem programação gratuita

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Publicado em 8 de agosto de 2026 às 06:00

Edição 2026 homenageia Myriam Fraga e Calasans Neto
Edição 2026 homenageia Myriam Fraga e Calasans Neto Crédito: Ricardo Prado

Nesta edição histórica, a Festa Literária Internacional do Pelourinho, que segue até domingo (9), celebra suas dez edições e os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, e homenageia o artista plástico Calasans Neto e a escritora Myriam Fraga, uma das instituidoras da Fundação Casa de Jorge Amado e a idealizadora do projeto Flipelô.

Para a jornalista, professora e escritora Kátia Borges, a Flipelô e outras festas literárias funcionam como elemento de encontro fundamental, não apenas do ponto de vista cultural: “As Festas Literárias nos aproximam. Não só do livro, mas como dos seus autores. Então, elas sempre têm essa incrível função”.

Nesse objetivo de aproximação, Kátia aponta ainda que a Flipelô movimenta toda uma cadeia produtiva, assim como a vizinhança do Pelourinho. “Ela é muito bonita. Ela envolve todo o bairro, envolve livreiros, autores, designers. É uma festa literária que cumpre muito essa função de celebração da literatura”, explica a poeta, que acumula participações como convidada e público.

No sábado (8) e no domingo (9), a programação reúne diversas atrações para o público. Haverá show de Gerônimo & Banda Monte Serrat, apresentação de Gregório Duvivier, além de bate-papos com o autor Milton Hatoum (Dois Irmãos) e a escritora Carla Madeira (Tudo é Rio).

Vale lembrar que a Flipelô é gratuita e as atividades seguem o critério de ordem de chegada. Devidos à lotação de algumas atividades, como a mesa com a escritora Ana Maria Gonçalves e o músico Tiganá Santana, ocorrida na quinta-feira (6), que registrou grandes aglomerações e muitas pessoas do lado de fora. Por causa disso, a mesa com Milton Hatoum, neste sábado, que iria ocorrer no mesmo espaço, o auditório do Museu Eugênio Teixeira Leal, foi transferido para o Palco Flipelô, no Pelourinho.

Como a festa é literária, não poderia deixar ter o lançamento de livros durante seus dias. Neste final de semana, uma das ações que ocorre é o lançamento dos livros O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas, da professora e escritora Bárbara Carine, e Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári, do ator, músico e escritor Thiago Thomé.

As obras nasceram na viagem de casamento do casal, que ocorreu em 2024, também no dia 8 de agosto. Durante dez dias, Bárbara e Thiago viajaram por diversas cidades do Egito e se aprofundaram na história da antiga civilização, chamada de Kemet pelos africanos. Daí, surgiram os livros, cada um com seu enfoque, mas compartilhando a mesma essência.

A produção iniciou logo no avião de volta ao Brasil e foi fruto de um longo processo de pesquisa ao qual Bárbara já estava debruçada. “É um processo de desconstrução do eurocentrismo. A gente tem um destaque da Europa, sobretudo, no cenário curricular da educação básica no Brasil, a partir do apagamento de outros territórios. Eu acho que o apagamento dessas memórias positivas é fundamental na construção de uma subjetividade subalterna para a comunidade negra brasileira. Então, acho que a gente precisa recontar a nossa história e o Egito é um ponto de partida fundamental para isso”, pondera.

Com o viés educacional, a vencedora do Prêmio Jabuti 2024 com o livro Como Ser um Educador Antirracista, reconta a história daquela civilização e apresenta evidências históricas, arqueológicas e filosóficas, para instigar o leitor a se apropriar dessas referências. O bate-papo Escritas Para Mudar o Mundo, que acontece às 16 horas, ocorre na Vila Literária e terá ainda o lançamento das aventuras de Jorge Obaína, arqueólogo e pesquisador negro que descobre no Egito tesouros e histórias da própria civilização. Segundo Thiago Thomé, seu primeiro contato com o Egito foi com a música Faraó e a ideia sempre foi retirar essas histórias negras de um universo de heróis majoritariamente brancos, como Indiana Jones.

O casal ainda lança neste sábado o selo Atotô Editorial, que tem “a pretensão de colocar no mundo livros que possam ser agentes modificadores na sociedade brasileira e mundial”, segundo Thomé.