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Relatório da PF aponta promoção acelerada e pouca experiência de piloto no ATR da Voepass

Fonte: cbncampinas.com.br | Data: 08/08/2026 08:03:44

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O relatório final da Polícia Federal sobre a queda do voo 2283 da Voepass aponta que a trajetória profissional do comandante Danilo Santos Romano foi um dos fatores analisados pela investigação. Segundo a PF, embora ele tivesse habilitação regular e treinamento aprovado, a experiência prática acumulada no ATR era menor do que a considerada ideal por integrantes da própria companhia.

De acordo com depoimentos colhidos durante o inquérito, Romano chegou à Voepass após atuar em aeronaves Airbus e assumiu o comando de aviões ATR sem ter experiência anterior no modelo. O comandante Marcelo Mantovani afirmou que a empresa utilizava como referência interna cerca de mil horas de voo em ATR antes da promoção ao comando. A investigação concluiu que a ascensão de Romano ocorreu antes da obtenção desse volume de experiência.

Outro piloto ouvido pela Polícia Federal, Luiz Cláudio de Almeida, afirmou que o próprio Romano relatava ter sido promovido rapidamente por manter boa relação com integrantes da chefia. A PF utilizou esse e outros depoimentos para sustentar a tese de que a companhia flexibilizava critérios internos de promoção para suprir necessidades operacionais.

Segundo a investigação, o avanço acelerado na carreira teria contribuído para um ambiente de maior alinhamento com a chamada cultura de não reporte. Pilotos ouvidos relataram que profissionais recém-promovidos costumavam ter mais dificuldade em contrariar orientações da chefia ou exigir o registro formal de panes. O comandante Paulo Eduardo Pereira dos Santos afirmou que pilotos novos tendiam a ficar mais cautelosos diante da gestão da empresa, enquanto profissionais mais experientes tinham maior liberdade para recusar operações consideradas inseguras.

Em um trecho do relatório, a Polícia Federal afirma que Romano teria sido gradualmente incorporado a essa cultura operacional e que a promoção rápida funcionava como um mecanismo informal de incentivo. A investigação sustenta que a ausência de registros formais de falhas no sistema de degelo foi uma das barreiras de segurança rompidas antes do acidente.

O relatório também cita um episódio relatado por Luiz Cláudio de Almeida. Segundo ele, durante um voo, houve uma falha considerada grave em um dos motores e Romano inicialmente resistiu a reportar o problema. Almeida afirmou que insistiu para que a ocorrência fosse registrada e, posteriormente, pediu para não voltar a voar com o comandante em razão de divergências sobre procedimentos operacionais.

Além da questão dos reportes, a Polícia Federal relacionou a experiência limitada no ATR à reação da tripulação diante da formação de gelo no voo 2283. Pilotos ouvidos no inquérito disseram que o ATR possui características muito diferentes das aeronaves Airbus e exige resposta rápida quando surgem alertas de acúmulo de gelo e perda de desempenho.

A PF concluiu que Romano possuía treinamento formal e estava habilitado para a função, mas avaliou que a experiência prática reduzida no modelo pode ter influenciado a forma como a situação foi gerenciada durante o voo.

Em nota, a Voepass contestou as conclusões da investigação. A empresa afirmou que sempre seguiu os protocolos de segurança, manutenção e treinamento previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil. A companhia também declarou que os pilotos recebiam treinamento específico para situações de formação de gelo e ressaltou que a tripulação do voo 2283 era formada por profissionais habilitados, certificados e com mais de cinco mil horas de voo acumuladas. Segundo a empresa, não havia qualquer registro anterior que comprometesse a aptidão dos tripulantes para exercer a função.