Setor de resseguro tende a repetir resultados de 2025
Fonte: ohoje.com | Data: 08/08/2026 20:11:47
A conjuntura mais turbulenta e complexa ao longo do ano, com agravamento de conflitos geopolíticos, maiores níveis de endividamento e de inadimplência e, diante ainda da perspectiva de um El Niño historicamente severo, tende a tornar o cenário doméstico ainda mais desafiador, “em termos de negócios”, também para o setor de resseguros, avalia Juliana Alves, CEO da operação de resseguros da Swiss Re e diretora de mercado da companhia para o Cone Sul — cobrindo, além do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.
A resseguradora, uma das líderes nesse mercado, acumulou receitas de quase R$ 1,5 bilhão no ano passado e espera repetir aquele número neste ano, assim como os resultados de sua operação, que havia gerado um ganho de aproximadamente R$ 50,0 milhões na última linha de seu balanço financeiro em 2025. A Swiss Re “devolveu” entre 65% e 70% de seu faturamento sob a forma de sinistros no exercício passado.
O ganho financeiro realizado pela companhia, favorecido também pela política de juros altos do Banco Central (BC), contribuiu para a construção do resultado final. “Neste ano, (o resultado) vai ficar parecido com o de 2025, a depender dos níveis de sinistralidade”, comenta Juliana.
Até o final de julho, ao avaliar a sinistralidade do período, a CEO da Swiss Re identificou um panorama de certa forma mais tranquilo, especialmente quando comparado a anos mais recentes. “Não tivemos um número tão grande de catástrofes”, anota Juliana, relembrando desastres climáticos ocorridos no Sul do País entre abril e maio de 2024 e também em São Paulo.
Resiliência
De toda forma, o setor de seguros, incluindo as operações de resseguros, demonstra capacidade para resistir a choques e incertezas. Ao analisar os diversos setores da economia em associação à ocorrência de sinistros, detalha Juliana, o Swiss Re Institute estimou que seria preciso ocorrer uma perda literalmente bilionária ao longo de apenas um ano, algo na faixa de US$ 320,0 bilhões, aproximadamente 40% do capital total alocado no setor, somando pouco mais de US$ 800,0 bilhões, “para gerar uma contração dos negócios e uma fuga de capitais no mercado de seguros”.
Para comparação, durante todo o ano passado, o mercado global registrou sinistros no valor total de US$ 107,0 bilhões, com perdas geradas principalmente por desastres naturais, como terremotos e furacões.
Colocada entre as três maiores operadoras no segmento de seguros para máquinas e implementos agrícolas no País, a Sompo emitiu, no ano passado, em torno de R$ 373,5 milhões em prêmios no segmento de seguro rural, representando 16,7% de sua carteira total, atrás apenas dos ramos de transportes e seguro patrimonial.
Segundo Felipe Prado Ribeiro, diretor para as áreas de seguro agrícola, riscos diversos, equipamentos agrícolas e financial lines & casualty, a Sompo espera manter um desempenho consistente neste ano, com “crescimento seletivo e foco na qualidade da carteira”.
No setor agrícola, a operação está estruturada em três plataformas, incluindo cobertura para custeio agrícola, voltada para proteção de investimentos em plantio; produtividade, com cobertura para perdas causadas por eventos climáticos adversos; e seguro contra granizo.
A Alper Seguros, de acordo com seu diretor de canais e de agronegócio, Afonso Arinos Lima de Oliveira, investiu na digitalização de processos, por meio da plataforma Alper Agro, e “entrou com os dois pés no seguro paramétrico”, passando a produzir seguros mais customizados, com uso de índices pluviométricos, coberturas para seca e excesso de chuvas e soluções mais refinadas para aferir níveis de umidade no solo e variação de temperatura.
“Conseguimos crescer no ano passado 46% aqui na Alper”, afirma Oliveira.
Plataformas e redes de satélites utilizadas pela Alper permitem uma visão da propriedade rural “talhão a talhão”, com capacidade de leitura para áreas a partir de cinco hectares. “Temos capacidade de analisar o comportamento do clima de 20 anos para cá, favorecendo a modelagem do seguro, num trabalho agora facilitado pelo uso da inteligência artificial”, comenta Oliveira.
A seguradora atualmente adota modelos guarda-chuva para seus seguros, destinados a associações de produtores e cooperativas, que permitem a cobertura de regiões mais amplas, incluindo lavouras e granjas avícolas em regime de integração.
O debate sobre propostas para reestruturar o PSR, consolidadas no Projeto de Lei 2.951, registra Letícia Toral, head de food, agriculture and beverage da Gallagher no Brasil, tem incluído a adoção de obrigatoriedade de contratação do seguro rural oficial para acesso aos recursos do Plano Safra e à subvenção, mas também a criação de um fundo de catástrofes climáticas, considerando que a sinistralidade média entre 2021 e fevereiro de 2026 manteve-se ao redor de 62,5%, com picos de quase 100% em 2021 e 112,97% em 2022.
Neste ano, prossegue ela, a Gallagher tem acompanhado ainda as discussões sobre a Resolução 485/2025, do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), que estabeleceu diretrizes ambientais, sociais e climáticas para a contratação de seguros, inclusive no setor rural.
Estarão fora do seguro propriedades sem Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo, áreas desmatadas ilegalmente, produtores incluídos na lista federal de trabalho análogo à escravidão e ainda propriedades instaladas em unidades de conservação, assim como em terras indígenas e quilombolas, considerando segurados que não façam parte daquelas comunidades.
Na contramão do mercado, a Pottencial Seguradora, dedicada ao segmento de máquinas e equipamentos agrícolas, aposta em perspectivas positivas para este ano, declara seu vice-presidente, Carlos Ferreira Quick.
“A tendência é de aumento na comercialização de máquinas e, consequentemente, na contratação de seguros, tendo em vista a expansão da área plantada e a necessidade de renovação da frota nacional, cuja idade média é de 15 anos”, avalia.
Entre outras novidades, a Pottencial lançou recentemente e de forma pioneira, na descrição de Quick, a cobertura específica para drones agrícolas, numa solução que “considera as particularidades desse tipo de equipamento”, assim como cobertura de queda para equipamentos médicos e hospitalares e uma cobertura adicional e também pioneira para furto parcial de equipamentos.
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