Sarampo volta ao Brasil, e fake news sobre as vacinas, também
Fonte: correiobraziliense.com.br | Data: 10/08/2026 04:35:21
O sarampo voltou a registrar casos no Brasil e colocou a vacinação no centro das ações para evitar a transmissão do vírus. Até 30 de julho, o país contabilizava 17 confirmações da doença em 2026. Enquanto o Ministério da Saúde amplia a imunização, informações falsas sobre vacinas também voltam a circular nas redes sociais e podem dificultar a adesão da população.
O sarampo é transmitido pelo ar e passa de uma pessoa infectada para outra durante a tosse, o espirro ou a fala. Os primeiros sintomas costumam ser febre, tosse, coriza e olhos vermelhos. Depois, surgem manchas no corpo, que geralmente aparecem primeiro no rosto e atrás das orelhas.
A doença pode causar complicações, principalmente em crianças, entre elas, pneumonia e inflamação no cérebro. A principal forma de evitar o sarampo é a vacinação. A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No calendário infantil, as doses são aplicadas aos 12 e aos 15 meses. Em situações de risco, crianças de seis a 11 meses podem receber a chamada dose zero. Essa aplicação é adicional e não substitui as doses previstas para os meses seguintes.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a circulação internacional aumenta o risco de entrada do vírus no país. “Outros países do mundo pararam de vacinar, tiveram explosão de casos de sarampo. Os Estados Unidos estão vivendo o maior surto de sarampo da história deles. E esses casos vêm para o Brasil, de forma importada”, disse, durante visita ao Almoxarifado Central de Guarulhos, na semana passada.
O alerta ocorre enquanto o debate sobre vacinas também nas redes sociais. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a publicar conteúdos questionando medidas relacionadas à vacinação. As declarações foram contestadas pela ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que acusou o parlamentar de espalhar desinformação. Para ela, discussões sobre imunização devem ser tratadas com base em evidências, e não como uma disputa política.
O confronto entre os dois mostra como informações sobre saúde entram no ambiente de disputa nas redes. O problema é que conteúdos sem comprovação podem chegar ao público junto com informações corretas e dificultar a identificação do que é orientação de saúde e do que é uma afirmação sem base científica. Quando esse tipo de mensagem envolve vacinas, o impacto pode alcançar decisões tomadas por pais, responsáveis e adultos sobre a própria imunização.
Transmissão
A preocupação aumenta diante da necessidade de manter altas coberturas vacinais. O sarampo é uma doença de transmissão rápida e, quando encontra pessoas sem proteção, pode formar novas cadeias de contágio. A vacinação reduz a quantidade de pessoas suscetíveis e também ajuda a proteger quem não pode receber determinados imunizantes.
O Brasil apresentou melhora nos índices de vacinação infantil nos últimos anos. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde apontam que o número de crianças que não receberam nenhuma dose da vacina Penta caiu de 360 mil em 2023 para 50 mil em 2025. A queda foi de cerca de 90%. A manutenção desse resultado depende da continuidade das campanhas.
No caso do sarampo, o Brasil recebeu em 2024 a certificação de eliminação da circulação endêmica da doença. O reconhecimento não impede a entrada do vírus por pessoas infectadas em outros países. Por isso, a ocorrência de casos importados exige acompanhamento das autoridades.
A desinformação pode dificultar esse trabalho. Uma publicação falsa sobre a segurança ou a necessidade de determinada vacina pode provocar dúvidas e levar alguém a adiar uma dose. Em uma doença como o sarampo, esse atraso significa mais pessoas sem proteção.
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postado em 10/08/2026 03:55
