China acelera corrida pela liderança global em ciência e tecnologia até 2035
Fonte: brasil247.com | Data: 11/08/2026 04:09:04
247 – A China está intensificando sua estratégia para alcançar maior autonomia científica e tecnológica e consolidar-se como uma das principais potências mundiais do setor até 2035. O movimento combina investimentos em pesquisa, formação de talentos, inteligência artificial e desenvolvimento de tecnologias próprias, em meio a uma transformação acelerada da economia global.
Segundo o Global Times, o presidente chinês Xi Jinping considera o período do 15º Plano Quinquenal, que abrange os anos de 2026 a 2030, uma etapa crucial para que o país enfrente desafios tecnológicos, amplie sua capacidade de inovação e aproveite as oportunidades abertas pela nova revolução científica e industrial.
A estratégia chinesa parte da avaliação de que ciência e tecnologia se tornaram elementos centrais não apenas para o crescimento econômico, mas também para a capacidade de desenvolvimento independente do país. Pequim pretende fortalecer sua base científica doméstica ao mesmo tempo em que amplia a cooperação internacional e sua participação na governança tecnológica global.
Inteligência artificial ganha novo impulso
Um dos exemplos recentes destacados no avanço tecnológico chinês é o lançamento do Kimi K3, da startup Moonshot AI. Apresentado como o maior modelo de linguagem de código aberto do mundo, o sistema representa mais um passo da China na disputa pela liderança internacional em inteligência artificial.
O desenvolvimento ocorre em um cenário no qual empresas e instituições chinesas procuram ampliar rapidamente sua capacidade de produzir modelos próprios de IA, infraestrutura computacional e aplicações tecnológicas.
O avanço não está restrito à inteligência artificial. Nos últimos anos, produtos desenvolvidos internamente passaram a ocupar espaço crescente nas manchetes internacionais. Entre eles estão o avião comercial C919, além de robôs humanoides e outras tecnologias associadas à automação e à indústria avançada.
Esse conjunto de iniciativas reforça a estratégia chinesa de reduzir dependências externas em setores considerados estratégicos e transformar pesquisa científica em capacidade industrial.
Xi aponta 2035 como horizonte estratégico
Xi Jinping estabeleceu 2035 como um horizonte fundamental para a transformação científica chinesa. De acordo com o conteúdo destacado pelo Global Times, o presidente manifestou confiança na capacidade do país de aproveitar a atual revolução tecnológica para alcançar seus objetivos de desenvolvimento.
A avaliação apresentada em artigo incluído em uma obra de Xi é de que a China já construiu uma base sólida de capacidade científica e tecnológica e se encontra em condições de aproveitar as oportunidades criadas pelas novas ondas de inovação.
O 15º Plano Quinquenal assume, nesse contexto, importância estratégica. Entre 2026 e 2030, o país pretende acelerar avanços científicos e tecnológicos capazes de sustentar seu desenvolvimento nas décadas seguintes.
A busca por maior autonomia não significa, na formulação chinesa, isolamento tecnológico. Pequim também pretende ampliar sua presença nos mecanismos internacionais de governança da ciência e da tecnologia.
A China defende contribuir com sua experiência para iniciativas destinadas ao desenvolvimento científico, ao bem-estar humano e à construção do conceito de uma comunidade global de futuro compartilhado.
Talentos são considerados decisivos
Outro elemento central da estratégia é a formação de pesquisadores e profissionais altamente qualificados.
Especialistas citados no debate promovido pela imprensa chinesa destacam que o apoio nacional à pesquisa científica, combinado com mecanismos de avaliação mais adequados, pode criar condições para que jovens pesquisadores se concentrem em projetos de longo prazo.
A lógica é permitir que cientistas tenham espaço para desenvolver pesquisas fundamentais e buscar avanços que nem sempre produzem resultados comerciais imediatos.
Esse modelo procura fortalecer simultaneamente universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia e políticas públicas voltadas à inovação. A formação de talentos passa, assim, a ocupar posição estratégica semelhante à construção de infraestrutura tecnológica e ao desenvolvimento industrial.
Inovação chinesa amplia projeção internacional
O crescimento da capacidade tecnológica chinesa também vem sendo percebido fora do país.
Relatos reunidos na série especial “Decodificando o livro de Xi Jinping”, organizada pelo Global Times e pelo People’s Daily, apresentam reflexões de especialistas, pesquisadores e leitores sobre a expansão da inovação chinesa e seus efeitos internacionais.
A série reúne estudiosos para discutir tanto o desenvolvimento tecnológico interno quanto as possibilidades de cooperação científica da China com outros países.
Entre os exemplos apresentados estão percepções de públicos estrangeiros sobre produtos e tecnologias chinesas, inclusive entre aposentados italianos, indicando como a inovação produzida no país passou a alcançar segmentos sociais e mercados muito além de suas fronteiras.
Essa projeção acompanha uma mudança mais ampla na estrutura econômica chinesa. Depois de décadas marcadas pela rápida expansão industrial, o país busca ampliar sua presença em setores de maior intensidade tecnológica e científica.
Autonomia tecnológica e cooperação global
A estratégia apresentada por Pequim procura combinar duas dimensões: fortalecer a capacidade doméstica de inovação e ampliar a participação chinesa na cooperação científica internacional.
O objetivo de alcançar posição de liderança mundial em ciência e tecnologia até 2035 está ligado à avaliação de que a atual transformação tecnológica poderá redefinir as relações econômicas e produtivas internacionais.
Inteligência artificial, robótica, aviação, automação e outras tecnologias avançadas passam a integrar uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.
Ao mesmo tempo, a China afirma querer participar ativamente da formulação de mecanismos internacionais de governança científica e tecnológica, apresentando suas próprias experiências e propostas para enfrentar desafios globais.
Nesse cenário, o 15º Plano Quinquenal deverá funcionar como uma ponte entre os avanços já obtidos e os objetivos estabelecidos para 2035. Para Pequim, a próxima etapa da corrida tecnológica dependerá não apenas de empresas inovadoras ou de descobertas individuais, mas da combinação entre pesquisa científica, formação de talentos, capacidade industrial e planejamento nacional.
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