Estelionato epistêmico
Fonte: atarde.com.br | Data: 11/08/2026 06:11:07
Mais de seis anos após o início da pandemia de Covid-19, a sociedade ainda convive com sua sequela mais nociva: a desinformação. O episódio envolvendo o imunologista Anthony Fauci e o deputado federal Nikolas Ferreira demonstra como narrativas antigas são recicladas.
A querela expõe a disputa pela verdade, como se os fatos e as evidências científicas pudessem ser deslegitimados por opiniões baseadas em premissas desonestas. É legítimo questionar, e decisões de governos, autoridades sanitárias e organismos internacionais devem permanecer sujeitos ao escrutínio público.
No entanto, para pensar logicamente, é preciso examinar as proposições de acordo com suas possíveis validações, em vez de escolher um ponto de vista como invicto. Bem diferente de persuadir com argumentações falaciosas ou mesmo distorcer notícias, em ardis compatíveis com algum método de estelionato epistêmico.
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Quando figuras públicas utilizam sua influência para apresentar interpretações seletivas ou enganosas, podem ser enquadradas no artigo 171, entre outros atentados. O parlamentar é mais um na multidão de idiotas escalando exponencialmente, ainda a defender remédios ineficazes, assumindo os sintomas do obscurantismo.
Chama a atenção, para além das falhas de precária conexão, o erro moral de mearsear documentos, depoimentos ou estudos produzidos nas universidades. A estupidez de defender cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina implica reconhecer nestes insidiosos cafres a inclinação para a desfaçatez e o descaro.
A sociedade brasileira reage a este lado B com indulgência, uma postura cândida, permitindo-se divulgação massiva de mentiras assumindo os pecados da falsidade. Ou o país utiliza os meios legais de evitar a disseminação destas fraudes revestidas de “liberdade de expressão”, ou o povo seguirá vítima destes chacais empoderados.