Radar da Bolsa: BTG, JBS, Itaúsa, Natura, Movida, Taesa e mais ações para acompanhar nesta terça
Fonte: gazetamercantil.com | Data: 11/08/2026 10:22:39
Os investidores começam esta terça-feira (11) com uma agenda corporativa carregada de balanços, mudanças societárias, captações e anúncios operacionais capazes de movimentar diferentes setores da Bolsa. Entre os principais nomes do dia estão BTG Pactual (BPAC11), JBS (JBSS32), Itaúsa (ITSA4), Natura (NATU3), Movida (MOVI3), Fleury (FLRY3), Brava Energia (BRAV3), Orizon (ORVR3) e Taesa (TAEE11).
O destaque da manhã fica com o BTG Pactual, que divulga nesta terça seus números do segundo trimestre e tem teleconferência prevista para as 11h. Os dados preliminares divulgados ao mercado apontam lucro líquido contábil recorde de aproximadamente R$ 4,9 bilhões, enquanto o lucro líquido ajustado alcançou R$ 5,14 bilhões, mantendo o banco entre os principais resultados da temporada financeira.
Na outra ponta, a JBS apresentou prejuízo líquido de US$ 102 milhões no segundo trimestre, revertendo o lucro observado um ano antes, embora tenha registrado receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões, crescimento de 14% na comparação anual. A combinação entre expansão de receita e resultado final negativo deverá colocar no centro da análise a rentabilidade das diferentes divisões do grupo, especialmente a operação de carne bovina nos Estados Unidos.
A Itaúsa, por sua vez, encerrou o trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 4,3 bilhões, avanço de 7%, enquanto a Natura reportou forte redução no resultado líquido. Em paralelo, eventos como o desdobramento das ações da Orizon, uma emissão bilionária de debêntures pelo Fleury e a licença ambiental obtida pela Taesa ampliam o número de papéis com potenciais catalisadores durante o pregão.
BTG Pactual divulga lucro recorde no 2T26
O BTG Pactual (BPAC11) ocupa uma das posições centrais do radar desta terça depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre antes da abertura do mercado.
O lucro líquido contábil chegou a aproximadamente R$ 4,9 bilhões, com crescimento de 7,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior e de 22,2% na comparação com o mesmo período de 2025. Pelo critério ajustado, o banco registrou cerca de R$ 5,14 bilhões, expansão anual próxima de 23%.
O resultado deverá ser analisado principalmente pela capacidade do banco de manter crescimento em diferentes áreas de negócio, como investment banking, gestão de recursos, wealth management, crédito e operações de mercado, em um cenário ainda marcado por juros elevados no Brasil.
A própria agenda oficial do BTG confirma que o resultado do 2T26 é divulgado nesta terça-feira, antes da abertura, enquanto a teleconferência com investidores está marcada para as 11h. O detalhamento apresentado pela administração ao longo da manhã poderá influenciar a reação de BPAC11 durante o pregão.
JBS registra prejuízo, mas receita alcança recorde
A JBS (JBSS32) chega ao pregão depois de divulgar receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado final, entretanto, ficou negativo em aproximadamente US$ 102 milhões, revertendo o lucro registrado no 2T25 e criando uma leitura mais complexa do balanço: a companhia continua aumentando sua escala global, mas enfrenta pressões importantes em determinadas operações.
Uma delas é a divisão de carne bovina na América do Norte, afetada pelo ciclo desfavorável do gado nos Estados Unidos. A menor disponibilidade de animais elevou o custo da matéria-prima e comprimiu as margens das processadoras, apesar dos preços elevados da carne.
Ao mesmo tempo, operações como Seara, Pilgrim’s Pride, JBS Brasil e negócios na Austrália ajudam a sustentar a diversificação geográfica e de proteínas do grupo. O mercado deverá avaliar até que ponto essas divisões conseguem compensar as dificuldades do negócio bovino norte-americano.
O balanço também chega em um momento de mudança na administração. A companhia anunciou na segunda-feira que Wesley Batista Filho assumirá como CEO Global em janeiro de 2027, substituindo Gilberto Tomazoni, que seguirá ligado ao grupo no conselho e como assessor sênior.
Itaúsa lucra R$ 4,3 bilhões e ROE sobe
A Itaúsa (ITSA4) registrou lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 4,3 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado recorrente proveniente das empresas investidas alcançou R$ 4,6 bilhões, com o Itaú Unibanco (ITUB4) continuando a responder pela maior parte da geração de resultado da holding.
Motiva (MOTV3), Alpargatas (ALPA4) e Copa Energia também melhoraram suas contribuições, enquanto a Aegea permaneceu pressionada pelo peso das despesas financeiras em um ambiente de juros elevados.
O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio, o ROE, avançou de 18,3% para 18,7%, indicador que deverá ser observado ao lado da evolução do desconto das ações da holding em relação ao valor de suas participações.
Natura tem forte queda no lucro
A Natura (NATU3) também entra no radar depois de um balanço mais fraco na linha final.
O lucro líquido ficou próximo de R$ 35 milhões entre abril e junho, redução de aproximadamente 82% na comparação com o segundo trimestre do ano passado.
O Ebitda ficou em aproximadamente R$ 620 milhões, com queda de 5,9%, enquanto a margem reportada ficou próxima de 12%.
A intensidade da redução no lucro tende a concentrar a atenção dos investidores na geração de caixa, na evolução das margens, nos custos financeiros e no andamento da estratégia da companhia após uma série de reorganizações do portfólio realizadas nos últimos anos.
Movida já havia antecipado lucro de R$ 136 milhões
A Movida (MOVI3) permanece no radar dos investidores após ter antecipado em julho dados preliminares do segundo trimestre indicando lucro líquido de aproximadamente R$ 136 milhões, mais que o dobro do obtido no mesmo período de 2025.
O resultado ficou acima do guidance que havia sido estabelecido pela própria empresa para o trimestre, entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões.
A companhia também informou Ebitda próximo de R$ 1,7 bilhão e avanço importante da operação de locação, em um trimestre em que a rentabilidade permaneceu como um dos principais pontos acompanhados pelo mercado diante do elevado custo de financiamento da frota.
Há, contudo, uma distinção de calendário importante: os R$ 136 milhões já haviam sido antecipados pela companhia em fato relevante de 16 de julho, enquanto o calendário corporativo indica a divulgação formal do resultado do 2T26 para 12 de agosto. Portanto, o número não deve ser tratado como uma surpresa divulgada nesta terça-feira.
JSL tem lucro menor, mas melhora na comparação trimestral
A JSL (JSLG3) informou lucro líquido de aproximadamente R$ 12 milhões no segundo trimestre, queda de 43,7% frente aos R$ 21,4 milhões registrados um ano antes.
No critério ajustado, o lucro ficou em R$ 30,2 milhões, recuo anual de 16,6%, mas avanço expressivo na comparação com o trimestre imediatamente anterior, quando havia alcançado R$ 6,5 milhões.
O Ebitda ajustado chegou a aproximadamente R$ 493,7 milhões, com margem de 19,8%.
A leitura do mercado deverá equilibrar a queda anual do lucro com a recuperação sequencial da rentabilidade, além de acompanhar a evolução do endividamento e dos contratos da companhia de logística.
Fleury aprova emissão de R$ 1,83 bilhão em debêntures
O Fleury (FLRY3) entra no radar por uma operação de financiamento.
A companhia aprovou sua 11ª emissão de debêntures, com valor total de aproximadamente R$ 1,83 bilhão, distribuída em duas séries e destinada a investidores profissionais.
Captações dessa magnitude normalmente ganham relevância para os acionistas porque alteram o perfil de endividamento, o prazo médio das obrigações e o custo financeiro futuro da companhia.
O mercado deverá acompanhar as condições finais da emissão, incluindo remuneração, vencimentos e destinação dos recursos, para avaliar seus efeitos sobre a estrutura de capital do grupo de medicina diagnóstica.
Orizon passa a negociar após desdobramento
A Orizon (ORVR3) inicia esta terça-feira sob os efeitos do desdobramento de suas ações na proporção de uma para quatro, aprovado pelos acionistas.
Na prática, cada ação existente passa a corresponder a quatro papéis, sem mudança no valor econômico total da participação de cada acionista e sem aumento decorrente apenas do desdobramento.
As ações passam a ser negociadas ajustadas ao split nesta terça-feira, enquanto o crédito dos novos papéis está previsto para 13 de agosto.
O desdobramento reduz mecanicamente o preço unitário da ação e pode facilitar o acesso de investidores menores, além de potencialmente aumentar a liquidez. Ele não cria valor econômico por si só.
Brava Energia tem mudança na posição da Cobas
A Brava Energia (BRAV3) está no radar depois de comunicação relacionada à posição acionária da Cobas Asset Management.
O material divulgado informa posição de aproximadamente 15,18 milhões de ações ordinárias, equivalente a 3,27% do capital da companhia.
O dado merece ser analisado em conjunto com as alterações recentes na composição acionária da petroleira, cujo capital vem passando por movimentações relevantes de investidores institucionais.
A Brava possui aproximadamente 464,6 milhões de ações ordinárias, de acordo com as informações societárias mais recentes disponibilizadas pela própria companhia.
Taesa avança com projeto Juruá
A Taesa (TAEE3, TAEE4 e TAEE11) recebeu licença de instalação para avançar com o projeto Juruá, empreendimento de transmissão localizado no Estado de São Paulo.
A concessão está relacionada ao lote 3 do Leilão de Transmissão nº 2/2024 e prevê a implantação de uma subestação.
Segundo as informações apresentadas ao mercado, o projeto possui Receita Anual Permitida de aproximadamente R$ 20,5 milhões e Capex regulatório de R$ 244 milhões, com entrada em operação projetada para junho de 2028.
A licença ambiental permite o avanço da implantação e reduz uma etapa de risco do empreendimento, embora ainda permaneçam pela frente execução das obras, desembolsos de capital e cumprimento do cronograma regulatório.
A Taesa também possui outro evento importante nesta terça-feira: a companhia prevê divulgar seus resultados do segundo trimestre após o fechamento da B3, com videoconferência marcada para quarta-feira (12).
Technos prepara pagamento aos acionistas
A Technos (TECN3) informou que realizará em 19 de agosto o pagamento da segunda parcela de remuneração aos acionistas, no valor total de aproximadamente R$ 10 milhões.
O montante corresponde a cerca de R$ 0,1641 por ação, conforme os termos divulgados pela companhia.
A empresa também aprovou o cancelamento de aproximadamente 730 mil ações mantidas em tesouraria, número equivalente a cerca de 1,2% do capital social. Depois da operação, o capital passa a ser representado por aproximadamente 60,18 milhões de ações.
O cancelamento de ações em tesouraria reduz o número total de papéis emitidos e, mantidas as demais condições, aumenta proporcionalmente a participação dos acionistas remanescentes.
Lojas Renner contrata BTG como formador de mercado
A Lojas Renner (LREN3) contratou o BTG Pactual para atuar como formador de mercado de suas ações ordinárias na B3.
O contrato terá duração inicial de 12 meses, com previsão de renovação, e as atividades começam nesta terça-feira.
A função do formador de mercado consiste em manter ofertas de compra e venda dentro dos parâmetros determinados pela B3, contribuindo para a liquidez e para a redução dos intervalos entre preços de compra e venda.
A contratação não representa recomendação de investimento nem determina uma direção para as ações, mas pode melhorar as condições de negociação do papel.
Auren e Armac também aparecem no radar
A Auren Energia (AURE3) informou ter apresentado manifestação prévia e não vinculante de interesse em aderir ao mecanismo de compensação relacionado aos cortes de geração de energia ocorridos entre setembro de 2023 e novembro de 2025.
A discussão envolve episódios de restrição de geração, conhecidos no setor como curtailment, que afetaram principalmente empresas com ativos renováveis e passaram a representar uma questão financeira relevante para o segmento de energia.
Já a Armac (ARML3) recebeu pedido de renúncia de José Augusto Pereira Aragão ao Conselho de Administração. A mudança societária ocorre no mesmo dia em que a companhia tem outro evento relevante no calendário: a divulgação do balanço do 2T26 está prevista para depois do fechamento da B3 nesta terça-feira, com teleconferência na manhã de quarta.
Com tantos eventos simultâneos, o pregão desta terça-feira deverá ter uma dinâmica fortemente orientada por notícias corporativas. BTG Pactual concentra as atenções na abertura com seu lucro recorde, enquanto JBS, Itaúsa e Natura serão avaliadas pelos balanços divulgados, e empresas como Taesa, Orizon, Fleury, Brava e Armac adicionam fatores específicos capazes de provocar movimentos individuais nas ações.