Objetivo é garantir que sistema elétrico esteja preparado para desafios com El Niño, diz ONS
Fonte: valor.globo.com | Data: 11/08/2026 10:29:02
Operador destacou que um dos desafios para as empresas é aumentar a previsibilidade da incidência de novos episódios de clima extremo, e que o país está vivendo um cenário que não se verificava antes
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Marcio Rea, disse nesta terça-feira (11) que o objetivo do órgão é garantir que o sistema elétrico esteja preparado para os desafios que possam surgir com o fenômeno climático El Niño.
Segundo ele, o El Niño tem mobilizado diversos segmentos da sociedade, que buscam caminhos para aumentar a capacidade de se antecipar a fenômenos climáticos que podem afetar o país. Na abertura de workshop realizado pelo ONS sobre os reflexos do El Niño sobre o sistema elétrico, Rea salientou que um dos desafios para as empresas é aumentar a previsibilidade da incidência de novos episódios de clima extremo.
Ele destacou que torres de transmissão, em geral, até então vinham sendo projetadas para suportar ventos de até 100 quilômetros por hora (km/h) de velocidade e que o país possui uma rede com extensão da ordem de 186 mil quilômetros de extensão com grande complexidade de operação. Ao mesmo tempo, os eventos climáticos extremos têm sido cada vez mais recorrentes.
O diretor de operações do ONS, Valter Cardeal, disse que o país está vivendo um cenário que não se verificava antes, que é uma frequência cada vez maior de tornados e ciclones extratropicais, eventos meteorológicos marcados por ventos com velocidades muito elevadas.
Segundo ele, somente este ano foram registrados oito tornados no Paraná, ao passo que o órgão “perdeu a conta” de quantos foram verificados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Para ele, é preciso construir conhecimento em tempo recorde para melhorar os sistemas de transmissão e distribuição a fim de suportar o clima extremo. Cardeal ressaltou que no passado, torres eram projetadas para suportar ventos da ordem de R$ 160 quilômetros por hora (km/h) ao passo que já se registram ventos de até 250 km/h.
O executivo ressaltou que não se pode investir em redes subterrâneas de transmissão como se tem feito em trechos de distribuição em grandes centros urbanos e mencionou exemplos de redes que foram afetadas recentemente por ventos muito fortes, afetando o fornecimento de energia elétrica.
Em um dos exemplos, Cardeal destacou que em uma cidade do Sul do país, dos 200 alimentadores da rede de distribuição, circuitos que transportam a alta tensão das subestações a transformadores, apenas seis ficaram de pé.
Outro exemplo foi a queda de 20 torres de linha de transmissão no Chuí, que deixou o ativo indisponível, deixando a região sem energia por cinco dias e eólicas sem poder escoar a geração. A perspectiva é que a linha volte a operar no dia 5 de setembro.
Também presente ao evento, o diretor de planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, ressaltou que no último El Niño registrado no país, pôde-se verificar as hidrelétricas do Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau) parando de operar por causa da seca no Norte do país.
Na visão dele, é preciso pensar na busca de meios necessários de se investir em resiliência das redes contra o clima extremo, como novos requisitos técnicos para equipamentos e instalações e em novas medidas operativas.
“O ponto principal é se prevenir contra eventos extremos e temos que pensar em pacote de soluções contra esses eventos”, afirmou.
Antecipação
Um dos maiores desafios impostos a empresas de transmissão e distribuição de energia elétrica é a capacidade de se antecipar a novos eventos extremos, afirmou Solange Ribeiro, presidente conselho de administração do ONS.
Segundo a executiva, que também é diretora vice-presidente de regulação, institucional e sustentabilidade da Neoenergia, os eventos climáticos estão cada vez mais frequentes e complexos, o que torna mais desafiadora a operação das redes. A questão climática, avalia, deixou de ser apenas uma pauta ambiental para ganhar contornos estratégicos.
Um dos caminhos para avançar na prevenção dos efeitos do clima extremos sobre o sistema elétrico, avalia, é o fortalecimento da cooperação entre as empresas do setor e agentes como Defesa Civil e autoridades, com foco no aumento do compartilhamento de informações, inclusive com as distribuidoras de energia – que não estão sob a alçada do ONS.
Segundo Robeiro, é importante se prever eventos com antecedência para permitir uma melhor alocação das equipes de campo.
Um outro ponto a ser observado é a necessidade de mais investimentos em redes mais resilientes. Nesse aspecto, avalia, as discussões passam por pontos como o reconhecimento dos investimentos nas tarifas de distribuição e transmissão.
“Investimentos preparados para o clima do passado, sozinhos, não vão resolver os problemas do futuro”, disse Ribeiro.
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