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Satélites com espelhos podem fazer a noite parecer dia na Terra

Fonte: aventurasnahistoria.com.br | Data: 11/08/2026 10:59:58

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Uma tecnologia desenvolvida para levar luz solar a diferentes regiões da Terra pode transformar a iluminação noturna, mas também provocar efeitos indesejados. A empresa Reflect Orbital recebeu aprovação da FCC para lançar o Eärendil-1, um satélite equipado com um espelho capaz de refletir a luz do Sol para o planeta. A proposta, porém, preocupa astrônomos, que alertam para possíveis impactos sobre o céu noturno, a visão e a segurança.

O Eärendil-1 faz parte de um projeto que prevê a possibilidade de colocar até 50 mil espelhos em órbita. A ideia é oferecer iluminação e energia solar sob demanda, inclusive durante a noite.

De acordo com o Olhar Digital, o conceito não é novo. O uso de espelhos espaciais para refletir a luz solar à Terra é discutido há mais de um século e chegou a ser testado pela Rússia durante os anos 1990, com o projeto Znamya.

Agora, a Reflect Orbital pretende retomar a proposta. O primeiro satélite terá um espelho de 18 metros quadrados e, segundo a empresa, poderá produzir um feixe luminoso com cerca de cinco quilômetros de largura.

Entre as aplicações previstas estão a geração de energia em fazendas solares, a iluminação de áreas urbanas durante a noite, o apoio a operações de busca e resgate, a iluminação de obras e atividades industriais e até um possível aumento da produtividade agrícola.

Brilho pode alterar o céu noturno

Apesar das aplicações pretendidas, a tecnologia também levanta preocupações entre especialistas. O satélite poderá apresentar brilho semelhante ao de Vênus quando estiver fora do feixe de iluminação e ser até quatro vezes mais brilhante que a Lua dentro da região iluminada.

Além disso, a luz refletida pode se dispersar pela atmosfera. Segundo a Royal Astronomical Society, o céu noturno poderia ficar de três a quatro vezes mais brilhante nas regiões afetadas caso dezenas de milhares de objetos refletissem a luz solar.

Para os astrônomos, esse aumento da luminosidade pode dificultar a observação de galáxias distantes e até a identificação de asteroides potencialmente perigosos.

Roohi Dalal, vice-diretora de políticas públicas da American Astronomical Society, criticou a falta de estudos considerados suficientes antes do avanço do projeto.

Telescópios e segurança também preocupam

Os possíveis problemas não se restringem à aparência do céu. Documentos enviados à FCC mostram que a própria Reflect Orbital reconheceu que a observação acidental de um único satélite por meio de um telescópio de 12 polegadas poderia causar danos permanentes aos olhos.

Também existe preocupação relacionada à falta de um plano claro para informar o público sobre os horários e locais em que o serviço estará funcionando. Motoristas e pilotos poderiam enfrentar episódios de cegueira temporária provocados pelo movimento do feixe de luz.

Christopher Buscombe, porta-voz da Reflect Orbital, afirmou que a empresa pretende adotar uma abordagem gradual, utilizando o primeiro satélite para testar a tecnologia e suas medidas de segurança.

Mesmo assim, organizações ligadas à astronomia e à segurança aérea questionam se as salvaguardas serão suficientes caso a proposta avance para uma frota de milhares de espelhos.

Para os críticos, o debate vai além do Eärendil-1. Uma grande quantidade de objetos brilhantes em órbita poderia interferir em pesquisas científicas, afetar pessoas e animais e modificar de forma permanente a aparência do céu noturno.

Entre as alternativas apontadas estão a ampliação da instalação de painéis solares e o desenvolvimento de sistemas de baterias mais eficientes. A discussão, portanto, envolve até que ponto a busca por novas formas de disponibilizar energia deve avançar sem comprometer a observação do céu.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes