Inflação oficial desacelera para 0,07% em julho e retorna à meta do governo
Fonte: navinoticias.com.br | Data: 11/08/2026 11:16:01
A inflação oficial do país apresentou desaceleração em julho, registrando uma alta de apenas 0,07%. Essa redução consecutiva por quatro meses foi impulsionada principalmente pela queda nos preços dos alimentos, contribuindo para que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulasse 4,44% nos últimos 12 meses, o que coloca o indicador novamente dentro da meta estipulada pelo governo.
O resultado referente a julho correspondeu à previsão do mercado financeiro, conforme divulgado no boletim Focus do Banco Central. Essa sondagem, realizada com várias instituições econômicas, indicou que o IPCA para o mês ficaria em 0,07%. As projeções para o indicador até o final de 2026 apontam uma inflação acumulada de 5,02%.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indicam mês a mês o comportamento da inflação oficial em 2026:
Janeiro: 0,33%
Fevereiro: 0,70%
Março: 0,88%
Abril: 0,67%
Maio: 0,58%
Junho: 0,16%
Julho: 0,07%
Meta de inflação readequada ao desempenho dos preços
O índice acumulado em 12 meses de 4,44% voltou a permanecer dentro do intervalo definido como meta pelo governo federal, que é de 3%, mais ou menos uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, resultando em uma faixa entre 1,5% e 4,5%. No início do ano, em abril, o acumulado estava em 4,39%, e posteriormente superou o limite máximo em maio e junho, com 4,72% e 4,64%, respectivamente.
Desde o começo de 2025, a metodologia adotada para avaliação da meta considera os 12 meses imediatamente anteriores, e não apenas o índice verificado ao final do ano. A meta é considerada não cumprida se a inflação ultrapassar o limite de tolerância por seis meses consecutivos.
Comportamento dos preços em julho
O índice de julho foi o menor desde agosto de 2025, quando o IPCA atingiu 0,11%. Analisando especificamente os meses de julho ao longo dos anos, o resultado de 2026 é o mais baixo desde 2022, quando houve deflação de 0,68%.
O índice de difusão, que indica a proporção de produtos e serviços com aumento de preços no mês, ficou em 50%, o que significa que metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE apresentaram elevação nos valores.
O comportamento dos preços nos nove grupos pesquisados no IPCA em julho foi o seguinte, com indicação do impacto percentual no índice geral:
Alimentação e bebidas: queda de 0,67%, impactando -0,14 ponto percentual (p.p.)
Habitação: alta de 0,99%, com impacto de 0,15 p.p.
Artigos de residência: crescimento de 0,07%, sem impacto significativo (0 p.p.)
Vestuário: redução de 0,66%, afetando -0,03 p.p.
Transportes: aumento de 0,05%, com impacto de 0,01 p.p.
Saúde e cuidados pessoais: avanço de 0,40%, influenciando 0,06 p.p.
Despesas pessoais: acréscimo de 0,22%, afetando 0,02 p.p.
Educação: leve queda de 0,03%, sem impacto relevante (0 p.p.)
Comunicação: elevação de 0,04%, sem impacto (0 p.p.)
Queda dos preços de alimentos
O grupo de alimentação e bebidas, que possui maior peso na cesta de consumo das famílias brasileiras, apresentou deflação pelo segundo mês consecutivo. Em junho, o recuo foi de 0,24%. Em julho, a alimentação no domicílio ficou 1,14% mais barata, circunstância atribuída principalmente à forte redução nos preços do subgrupo tubérculos, raízes e legumes, que caiu 16,15%.
Os itens alimentícios com as maiores quedas que contribuíram para a redução da inflação foram:
Tomate: redução de 29,09%, com impacto negativo de 0,10 p.p.
Batata-inglesa: diminuição de 19,59%, afetando -0,06 p.p.
Cenoura: queda de 14,41%, influenciando -0,01 p.p.
Café moído: recuo de 2,45%, com impacto de -0,01 p.p.
O IBGE destaca especificamente que a queda acumulada no preço do café em 12 meses é de 17,2%, a maior desde o início do Plano Real, em 1994.
Segundo o analista responsável pela pesquisa, Fernando Gonçalves, os alimentos mais baratos refletem uma maior oferta, favorecida por condições climáticas mais favoráveis recentemente.
“O clima ficou mais favorável”, afirma Fernando Gonçalves.
Aumento na conta de energia elétrica
A energia elétrica registrou alta de 3,09% em julho, sendo o principal item individual que contribuiu para o aumento do índice, com impacto de 0,13 ponto percentual. Essa alta se deve a reajustes tarifários em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Apesar do IPCA medir a inflação nacional, variações regionais influenciam a média nacional.
Fernando Gonçalves ressalta que em agosto os consumidores deverão ter alívio na conta de luz com a aplicação do Bônus Itaipu, desconto aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Destaques no setor de transportes
No grupo transportes, as passagens aéreas foram as que mais aumentaram, registrando alta de 11,67%. Por outro lado, os combustíveis ficaram 1,44% mais baratos, com quedas nos preços de etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).
Metodologia do IPCA e abrangência da pesquisa
O IPCA mede o custo de vida para famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos, com levantamento de preços de 377 subitens, que abrangem produtos e serviços diversos.
A coleta de preços acontece em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Também são incluídas as capitais Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.