Inflação desacelera em julho e preços sobem apenas 0,07%, aponta IBGE Inflação desacelera em julho e preços sobem apenas 0,07%, aponta IBGE
Fonte: folhabv.com.br | Data: 11/08/2026 11:12:24

A inflação oficial do Brasil desacelerou em julho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,07%, abaixo dos 0,16% registrados em junho.
Na prática, isso significa que, em média, os preços dos produtos e serviços pesquisados pelo IBGE subiram menos em julho do que no mês anterior. Mesmo com a alta mais baixa, alguns gastos ficaram mais caros, principalmente os relacionados à moradia.
Com o resultado de julho, a inflação acumula 3,44% nos primeiros sete meses de 2026. Considerando os últimos 12 meses, a alta acumulada é de 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados no período de 12 meses anterior.
Para comparação, em julho de 2025, o IPCA havia registrado alta de 0,26%.
Conta de luz foi um dos principais motivos para a alta
O grupo Habitação teve a maior alta entre os grupos pesquisados pelo IBGE, com aumento de 0,99% em julho. O principal motivo foi o aumento da energia elétrica residencial.
A energia elétrica subiu 3,09% no mês e foi o item que mais pesou individualmente na inflação de julho.
Além dos reajustes aplicados por algumas distribuidoras, permaneceu em vigor a bandeira tarifária amarela, que acrescentou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos na conta de luz.
Também houve aumento na taxa de água e esgoto, que subiu 0,40%.
Alimentos ficaram mais baratos
Se a conta de luz pressionou a inflação, os preços dos alimentos ajudaram a segurá-la.
O grupo Alimentação e bebidas teve queda de 0,67% em julho. Dentro de casa, os alimentos ficaram, em média, 1,14% mais baratos.
Entre os produtos que mais caíram estão:
- Tomate: -29,09%;
- Batata-inglesa: -19,59%;
- Cenoura: -14,41%;
- Café moído: -2,45%.
O tomate teve a maior contribuição individual para a redução da inflação no mês.
Por outro lado, alguns alimentos ficaram mais caros. O preço do leite longa vida aumentou 2,47%, enquanto as frutas tiveram alta média de 1,20%.
Quem costuma comer fora também sentiu aumento. A alimentação fora de casa subiu 0,55% em julho, contra 0,15% em junho. O preço do lanche aumentou 0,76%, enquanto as refeições ficaram 0,42% mais caras.
Passagens aéreas sobem, mas combustíveis caem
O grupo Transportes teve alta de 0,05% em julho.
Um dos principais aumentos veio das passagens aéreas, que ficaram 11,67% mais caras.
Em contrapartida, os combustíveis ficaram mais baratos, com queda média de 1,44%.
A gasolina caiu 1,37%, o etanol recuou 2,26%, o óleo diesel teve redução de 1,22% e o gás veicular caiu 0,08%.
Roupas ficaram mais baratas
Outro grupo que ajudou a conter a inflação foi o Vestuário, que teve queda de 0,66% em julho.
Também registraram pequenas variações os preços de artigos para residência, educação e comunicação.
Já o grupo Saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,40%. Entre os destaques estão os produtos de higiene pessoal, que subiram 0,64%, e os planos de saúde, com aumento de 0,42%.
E Roraima?
Roraima não aparece entre as regiões pesquisadas pelo IPCA. O IBGE utiliza Rio Branco, no Acre, como uma das capitais da Região Norte incluídas no levantamento.
Em julho, Rio Branco registrou inflação de 0,32%, acima da média nacional de 0,07%.
Na capital acreana, os principais impactos vieram das passagens aéreas, que subiram 12,27%, e da energia elétrica residencial, com alta de 2,66%.
No acumulado de 2026, Rio Branco registra inflação de 2,98%. Em 12 meses, a alta chega a 4,23%.
A maior inflação entre as regiões pesquisadas em julho foi registrada no Rio de Janeiro, com 0,30%, enquanto Belém teve a menor taxa, de -0,45%, ou seja, uma queda média dos preços.
Em Belém, a redução foi influenciada principalmente pela queda de 3,42% da gasolina e de 14,24% do açaí.
O que é o IPCA?
O IPCA é o principal indicador usado para medir a inflação no Brasil. Ele acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias.
A pesquisa considera despesas como alimentação, moradia, transporte, saúde, educação, roupas, comunicação e gastos pessoais.
O levantamento é feito com famílias que têm renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.
Por isso, quando o IPCA sobe, significa que, de maneira geral, ficou mais caro manter o mesmo padrão de consumo. Quando o índice diminui, isso não significa necessariamente que todos os preços caíram, mas que os preços, em média, aumentaram menos ou registraram quedas em determinados grupos.
INPC também registra queda
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), outro indicador calculado pelo IBGE, registrou queda de 0,01% em julho. Em junho, o índice havia subido 0,14%.
O INPC é voltado principalmente para famílias de renda mais baixa, com rendimento de 1 a 5 salários mínimos, e acompanha uma cesta de produtos e serviços semelhante à do IPCA.
No acumulado de 2026, o INPC registra alta de 3,50%. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada pelo indicador é de 4,10%.
Assim como ocorreu no IPCA, os alimentos ajudaram a reduzir o índice. Os produtos alimentícios ficaram 0,74% mais baratos em julho.
O resultado mostra que a inflação perdeu força no mês, principalmente devido à queda dos preços dos alimentos e de alguns produtos. No entanto, despesas como energia elétrica, passagens aéreas e serviços de saúde continuaram pressionando o orçamento das famílias.