Scania lança ônibus elétrico K 300 de 15 metros para até 105 passageiros e autonomia de 250 km
Fonte: diariodotransporte.com.br | Data: 11/08/2026 11:56:57
Publicado em: 11 de agosto de 2026

Modelo de três eixos tem motor de 300 kW e opções com quatro ou cinco baterias; fabricante também apresenta na Lat.Bus 2026 solução a biometano e nova família rodoviária Super, novidades que tiveram detalhes antecipados pelo Diário do Transporte
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliveira
A Scania apresentou nesta terça-feira, 11 de agosto de 2026, na Lat.Bus, em São Paulo, um novo chassi de ônibus elétrico de 15 metros, três eixos e capacidade indicada para até 105 passageiros.
Identificado pela fabricante como K 300 6×2*4, o veículo é destinado a aplicações urbanas e tem autonomia declarada de até 250 quilômetros.
A apresentação técnica acompanhada pelo Diário do Transporte mostra ainda que o ônibus pode ser configurado com quatro ou cinco conjuntos de baterias, chegando a 445 kWh na versão de maior capacidade.
O motor elétrico tem potência de 300 kW, aproximadamente 408 cv.
A novidade amplia a oferta da Scania para a descarbonização do transporte coletivo e se soma a outras tecnologias que a fabricante leva à Lat.Bus 2026, entre elas o ônibus urbano movido a biometano e a nova geração de chassis rodoviários Super.
Parte desta estratégia já havia sido antecipada pelo Diário do Transporte antes da feira, em entrevistas realizadas pelo criador e editor-chefe, Adamo Bazani, com executivos da Scania.
Relembre:
ELÉTRICO DE 15 METROS TEM DUAS CONFIGURAÇÕES DE BATERIAS
De acordo com os dados apresentados pela Scania na Lat.Bus, o K 300 6×2*4 foi desenvolvido para aplicação urbana e pode transportar até 105 passageiros.
O chassi de três eixos permite carrocerias de 15 metros e possui configuração 6×2*4.
Na nomenclatura utilizada pela fabricante, o “*4” indica a presença de direção também no eixo auxiliar, característica importante em um ônibus deste comprimento por contribuir para a capacidade de manobra.
Um dos principais diferenciais apresentados é a possibilidade de escolher a quantidade de baterias de acordo com a necessidade da operação.
São duas configurações:
- quatro baterias: três instaladas no teto e uma na parte traseira, totalizando 356 kWh de capacidade bruta e 320 kWh úteis;
- cinco baterias: quatro instaladas no teto e uma na parte traseira, totalizando 445 kWh de capacidade bruta e 400 kWh úteis.
Cada módulo é formado por 18 células, segundo as informações apresentadas pela Scania.
A distribuição dos conjuntos entre teto e região traseira permite adequar a capacidade energética do veículo sem ocupar o espaço destinado aos passageiros.
A autonomia divulgada para o modelo é de 250 quilômetros. Como ocorre com veículos elétricos em geral, a autonomia efetivamente obtida em operação pode variar conforme condições como lotação, topografia, velocidade média, utilização do ar-condicionado, temperatura, trânsito e estratégia de regeneração de energia.
MOTOR TEM 300 kW
O conjunto de propulsão do K 300 também teve detalhes apresentados durante o lançamento.
O motor elétrico desenvolve 300 kW de potência, equivalentes a aproximadamente 408 cv.
A Scania informa torque de entrada de 1.050 Nm desde zero rpm.
Na saída do conjunto, a fabricante apresenta uma faixa de torque de 2.929 Nm a 19.519 Nm desde zero rpm.
A disponibilidade imediata de torque é uma característica dos motores elétricos e tem aplicação particularmente relevante em ônibus urbanos, que realizam sucessivas partidas e paradas ao longo da operação.
Com 15 metros e capacidade para 105 passageiros, o novo modelo passa a ocupar uma faixa de aplicação acima dos ônibus básicos de dois eixos e abaixo dos articulados, podendo ser utilizado em linhas urbanas de demanda elevada.
BIOMETANO É OUTRA FRENTE PARA OS ÔNIBUS URBANOS
A eletrificação, entretanto, não é a única tecnologia de redução de emissões apresentada pela Scania para o transporte coletivo brasileiro.
Em 30 de julho de 2026, o Diário do Transporte mostrou com exclusividade um ônibus urbano movido a biometano desenvolvido para atender ao padrão da SPTrans, gerenciadora dos transportes da cidade de São Paulo.
O modelo foi conhecido antecipadamente pela reportagem e possui carroceria Caio, motor traseiro, configuração 4×2 e piso baixo, com capacidade aproximada para 80 passageiros.
Em entrevista ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania, Marcelo Gallão, revelou que já havia interesse em um lote considerado relativamente grande do modelo.
A concretização está relacionada aos resultados dos testes operacionais.
A previsão informada pelo executivo é de que o ônibus comece a circular em testes nas ruas de São Paulo em setembro de 2026.
Gallão explicou ainda ao Diário do Transporte que a Scania considera o biometano uma alternativa que pode complementar a eletrificação, inclusive diante das necessidades de infraestrutura de energia elétrica para a conversão das garagens.
Outra característica destacada pela fabricante é que a motorização a gás dispensa Arla 32 e filtro de partículas.
Relembre:
RODOVIÁRIOS SUPER TAMBÉM FORAM CONHECIDOS ANTES DA LAT.BUS
A estratégia da Scania para a Lat.Bus 2026 não está restrita aos ônibus urbanos.
Em 29 de julho de 2026, antes da feira, o Diário do Transporte esteve na fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo (SP), e mostrou em entrevista em vídeo as principais características da nova família de chassis rodoviários Super.
Marcelo Gallão detalhou à reportagem a chegada do trem de força Super aos ônibus e a volta dos motores de 11 litros ao portfólio rodoviário da marca.
A nova família apresentada é formada pelos K350 4×2, K390 4×2 e 6×2, K430 6×2, K460 6×2 e 8×2 e K500 8×2.
Os motores de 11 litros atendem às faixas de 350 cv, 390 cv e 430 cv, enquanto as aplicações de maior potência contam também com motores de 13 litros.
Segundo Gallão, a redução no consumo de diesel fica entre 8% e 11%, dependendo da aplicação. Em contrapartida, a nova geração tem preço de aquisição superior ao da linha anterior, em torno de 7%.
A fabricante decidiu manter a família anterior simultaneamente à nova geração durante um período, permitindo que os operadores definam o momento de migração.
Gallão confirmou ainda ao Diário do Transporte que algumas unidades da família Super já estavam reservadas.
SUPER NÃO É APENAS UM NOVO MOTOR
Outro ponto explicado pelo executivo na entrevista é que a denominação Super não se refere somente aos motores.
Trata-se de um novo trem de força, que inclui a transmissão G25.
Gallão explicou que a primeira marcha possui relação mais reduzida, multiplicando o torque do motor em até 20,81 vezes, característica destinada principalmente às partidas em rampas.
Na última marcha, a relação overdrive de 0,78 permite trabalhar com rotações menores em velocidade de cruzeiro, buscando redução de consumo, conforto e durabilidade.
Relembre:
ELÉTRICO, BIOMETANO E EFICIÊNCIA DO DIESEL
Os lançamentos mostram três caminhos adotados simultaneamente pela Scania para o mercado brasileiro de ônibus.
Na operação urbana, a eletrificação ganha uma aplicação de maior capacidade com o K 300 6×2*4 de 15 metros, para até 105 passageiros, motor de 300 kW, autonomia anunciada de 250 quilômetros e capacidade de baterias que pode chegar a 445 kWh.
Também para os sistemas urbanos, o biometano aparece como alternativa para operações que pretendem reduzir emissões sem depender exclusivamente da infraestrutura necessária à recarga de grandes frotas elétricas.
Nos rodoviários, a estratégia passa pela redução do consumo de diesel por meio do novo trem de força Super, ao mesmo tempo em que a fabricante mantém a geração anterior disponível aos operadores.
Assim, a Scania chega à Lat.Bus 2026 com soluções que envolvem eletrificação, biometano e aumento da eficiência energética dos motores a combustão.
Parte significativa das novidades já havia sido detalhada antes da feira pelo Diário do Transporte, que esteve na fabricante e entrevistou os executivos responsáveis pelos novos produtos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Vinícius de Oliveira