Federação Rede-Psol ignora articulação com Patrus e decide apoiar Kalil em Minas
Fonte: brasil247.com | Data: 11/08/2026 16:21:22
247 – A federação Rede-Psol decidiu apoiar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas Gerais, em um movimento que contrariou a posição do diretório estadual do Psol e expôs uma divisão interna na esquerda mineira para as eleições de 2026.
Segundo O Globo, a decisão foi tomada na segunda-feira (10), por 4 votos a 3, após prevalecer a posição da Rede, que tem maioria no bloco partidário. O resultado vai na contramão da articulação feita pelo Psol em Minas, que havia formalizado na semana passada a indicação da ex-deputada federal Áurea Carolina (Psol) ao Senado na chapa encabeçada pelo deputado federal Patrus Ananias (PT-MG).
Patrus será o nome do PT ao governo mineiro e representará, no estado, o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A adesão da federação à candidatura de Kalil, portanto, cria um impasse político: o Psol mineiro se aproximou da chapa petista, enquanto a federação da qual faz parte optou pelo ex-prefeito da capital.
Em nota, a direção da federação justificou o apoio a Kalil afirmando que ele tem “capacidade de construir uma candidatura competitiva e dialogar com setores da esquerda e do centro democrático”. O comunicado também informou que o Psol terá “liberdade para manifestar apoio informal a Patrus”.
A presidente do diretório estadual do Psol, a vereadora de Belo Horizonte Izabella Lourença, afirmou ao jornal que acionou a direção nacional da federação para tentar reverter a decisão. A movimentação indica que a disputa ainda pode ter desdobramentos internos, sobretudo pela contradição entre a escolha formal da federação e a orientação defendida pela seção mineira do partido.
Kalil, por sua vez, reagiu de forma distinta em relação aos dois partidos da federação. Em nota, afirmou que “quer a Rede” em sua campanha, mas declarou que “o Psol não é bem-vindo”. A fala reforça o desconforto provocado pela decisão, já que o apoio formal da federação inclui uma legenda que o próprio candidato rejeita publicamente.
O ex-prefeito chegou a ser considerado pelo PT como uma possível opção para abrigar o palanque de Lula em Minas, mas resistiu a uma reaproximação após o desgaste acumulado na eleição de 2022. Naquele ano, Kalil recebeu apoio petista na disputa pelo governo estadual, mas foi derrotado por Romeu Zema (Novo) e atribuiu o resultado, em parte, à falta de empenho de Lula em sua campanha.
Para 2026, Kalil escolheu outro caminho político. O pedetista firmou aliança com o PSDB, partido comandado em Minas por Aécio Neves, adversário histórico de Lula e da esquerda no estado. Os tucanos indicaram o ex-deputado federal Carlos Mosconi (PSDB-MG) para a vice na chapa majoritária.
Do outro lado, Patrus Ananias aceitou disputar o governo após o PT receber uma série de negativas. Entre os nomes que recusaram a candidatura estavam o senador Rodrigo Pacheco (PSB), que decidiu não disputar as eleições e encerrar sua carreira política neste ano, e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT-MG), que optou por manter sua candidatura ao Senado.
A decisão da federação Rede-Psol, portanto, reorganiza o campo progressista em Minas e acentua a disputa por palanques em um dos estados mais importantes do país. Ao mesmo tempo, deixa o Psol mineiro em posição delicada: formalmente integrado a uma federação que apoia Kalil, mas politicamente alinhado à chapa de Patrus.
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