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Sobral: facção teria executado ações para interferir nas eleições deste ano

Fonte: opovo.com.br | Data: 11/08/2026 19:01:18

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Arco de Nossa Senhora de Fátima, conhecido como 'Arco do Triunfo de Sobra', cartão postal da cidade de Sobral-CE
Arco de Nossa Senhora de Fátima, conhecido como ‘Arco do Triunfo de Sobra’, cartão postal da cidade de Sobral-CE


Coordenador do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) do Ministério Público do Ceará (MPCE), Igor Pinheiro, apontou, nesta terça-feira, 11, que orgnizações criminosas já teriam agido para interferir em atos de pré-campanha nas eleições desde ano. A informação veio em desdobramentos da Operação Omertá, que prendeu três parlamentares do município por suspeita de envolvimento com facções nos processos eleitorais da cidade.

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Segundo o promotor de Justiça, houve cancelamento de um ato politico partidário em julho de 2026, em Sobral, por ameaça da organização criminosa. Membros de facção teriam mandando mensagens para a dona de um buffet, onde ocorreria o evento, ameaçando atear fogo e assassinar funcionários caso o encontro ocorresse.

“Bom dia ao dono i quem trabalha no ********. Esse mensagem aki er só pra avisa vocês se tiver qualquer evento político ai nesse espaço vou toca fogo no local i vou atris de pegar dono ou quem trabalha lá. Tou avisando logo pro bem de vocês pra evitar problema pro seu lado. Minha treta e com politica entao se saia… Cencele esse evento dia 04 pro bem de vocês msm. Ass: Frentes do Alto Cristo Camuflado 2B [sic]”, consta na captura de tela, mantida a redação original. 

Os eventos de pré-campanha do suplente de deputado estadual David Vasconcelos (PL) e do deputado estadual Carmelo Neto (PL) marcado para 4 de julho teriam sido os eventos cancelados, segundo reportagem do O POVO publicada nesta terça-feira, 11. Um boletim de ocorrência (B.O) foi realizado na ocasião.

Operação Omertá

A Operação Omertá teve início nesta terça-feira, 11, com o objetivo de intensificar as investigações sobre uma possível atuação de organizações criminosas nos processos eleitorais de 2024 e de 2026 em Sobral. A operação foi desencadeada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco/CE), o Ministério Público Eleitoral e o Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael).

A suspeita das autoridades responsáveis pela investigação é de que o grupo exigia o pagamento de um “pedágio” de R$ 60 mil para permitir que candidatos realizassem campanha eleitoral em determinadas áreas e bairros de Sobral.

Nesta terça-feira, reportagem do O POVO mostrou que o MP investigava se facções que atuaram na eleição de 2024 em Sobral continuam em 2026.

A operação teve a finalidade de cumprir 25 mandados de busca e apreensão, 14 mandados de prisão preventiva e cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos, ordens judiciais expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.

Além dos três vereadores e dos dois agentes públicos, um advogado— suspeito de integrar a estrutura da organização criminosa, exercendo funções de liderança e de execução de ordens voltadas a interferir no processo eleitoral—também foi alvo da operação.

As ordens judiciais foram expedidas a partir de uma pedido conjunto da Ficco/CE, da 3ª Promotoria Eleitoral e do Gael.

Foram deferidas diversas medidas cautelares além das prisões e das buscas e apreensões de documentos, celulares e demais provas ligadas à investigação. Entre as determinações, constam a proibição de contato dos investigados com as testemunhas e a exigência de que a Câmara Municipal de Sobral envie a lista integral de todos os servidores em cargos comissionados, funções de confiança e contratos temporários do Legislativo Municipal.

“A investigação agora vai seguir. Todos estão presos preventivamente e assim seguirão. Dos 14 mandados de prisão preventiva decretados, sete já foram executados e a polícia continua à procura de executar os demais”, conclui o promotor Igor Pinheiro.

Policial afastada por ser casada com líder de facção

Uma policial militar afastada após operação da Polícia Federal (PF) em Sobral nesta terça-feira, 11, é casada com um dos líderes de facção criminosa, grupo acusado de atuar nos processos eleitorais de 2024 e 2026 na região. Conforme o promotor de Justiça, a policial afastada trabalhava na Polícia Militar do município.

“A investigação que diz respeito à coação eleitoral praticada por organizações criminosas, tanto na eleição de 2024 como em 2026, tem por fim coletar maiores elementos de prova sobre estes crimes, mas também garantir uma atuação mais livre no pleito de 2026”, complementa Igor Pinheiro.

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