Quem é a PM que foi presa após soldado ser encontrado morto e carbonizado em Itaitinga
Fonte: gcmais.com.br | Data: 12/08/2026 06:58:26
Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, foi autuada em flagrante por homicídio; ela e Raphael Sampaio eram colegas de equipe no mesmo batalhão

A soldado da Polícia Militar do Ceará Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, foi presa por envolvimento na morte do também PM Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro de um carro no bairro Ancuri, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. A policial foi autuada em flagrante por homicídio na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Fortaleza.
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Júlia e Raphael eram colegas de equipe e atuavam no mesmo batalhão. A prisão ocorreu durante as diligências realizadas para esclarecer as circunstâncias da morte do soldado, enquanto a Polícia Civil também investiga a possível participação de outras pessoas no crime.
Raphael foi localizado dentro de um veículo incendiado após uma testemunha perceber o carro em chamas na região do Ancuri e acionar as forças de segurança. O Corpo de Bombeiros combateu o incêndio e, depois que as chamas foram controladas, um corpo foi encontrado no interior do automóvel.
Equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) foram mobilizadas para o local. O corpo foi recolhido e o veículo, posteriormente, rebocado para os procedimentos necessários à investigação.
Quem é a PM presa por envolvimento na morte de policial
Júlia Natália Girão Gomes ingressou na Polícia Militar do Ceará em novembro de 2024. Ela era lotada na mesma estrutura policial em que trabalhava Raphael Sampaio, que entrou na corporação em junho de 2022. Segundo as informações da investigação apresentadas até o momento, Júlia já respondia a procedimentos relacionados a estelionato, lavagem ou ocultação de bens e por integrar organização criminosa.
A soldado foi localizada com as mãos amarradas em uma área de mata às margens da BR-116, nas proximidades do ponto onde o carro com o corpo de Raphael foi encontrado. A circunstância passou a ser analisada pelos investigadores em conjunto com o depoimento prestado pela policial e os demais elementos reunidos durante a apuração.
Um dos pontos que chamou a atenção da investigação foi uma gravação de câmera de segurança instalada na oficina pertencente ao marido de Júlia. As imagens registraram a presença da policial no estabelecimento às 8h52 desta terça-feira (11).
De acordo com as informações divulgadas, o registro não coincide com a versão apresentada pela PM à Polícia Civil. Segundo o relato prestado por ela, estaria amarrada nas proximidades do local onde o corpo de Raphael foi encontrado naquele horário.
O que aconteceu com o soldado Raphael Sampaio
Raphael Sampaio da Silva estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar (2ºCia/16ºBPM). O soldado tinha ingressado na corporação em junho de 2022. A ocorrência começou após o acionamento das forças de segurança para um veículo em chamas no bairro Ancuri, em Itaitinga. Com o trabalho dos bombeiros, foi possível constatar que havia um corpo dentro do automóvel.
A perícia passou a analisar o cadáver e as circunstâncias da morte. Os exames realizados pela Pefoce apontaram que Raphael sofreu ferimentos provocados por disparos de arma de fogo antes da carbonização. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que os exames não encontraram “nenhuma amputação traumática”. Segundo a pasta, “A perícia encontrou lesões por arma de fogo feitas na vítima ainda em vida, com posterior carbonização do corpo”.
O resultado pericial acrescentou um elemento importante à investigação: conforme os exames citados pela SSPDS, os ferimentos provocados pelos disparos ocorreram enquanto Raphael ainda estava vivo e a carbonização aconteceu posteriormente.
Câmera de segurança é analisada pela Polícia Civil
As imagens captadas na oficina do marido de Júlia passaram a integrar os elementos analisados pela Polícia Civil. A gravação registra a presença da policial no estabelecimento às 8h52 desta terça-feira (11). A informação ganhou relevância porque, conforme o material divulgado sobre o caso, existe uma divergência entre o horário registrado pela câmera e a versão apresentada pela policial em depoimento.
O relato de Júlia indicava que ela estaria amarrada nas proximidades do local onde Raphael foi encontrado carbonizado naquele momento. Os investigadores deverão confrontar essa versão com as imagens e os demais elementos coletados.
A apuração busca reconstruir a sequência dos acontecimentos e esclarecer a eventual participação de cada pessoa envolvida. Também permanecem sob investigação a motivação do homicídio e a possibilidade de participação de outras pessoas.
Marido da policial também é investigado
O marido de Júlia Natália também foi ouvido por policiais civis no DHPP na noite desta terça-feira (11). Ele é investigado por possível ligação com a morte de Raphael Sampaio.
De acordo com as informações divulgadas, o homem já responde a procedimentos relacionados a estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integração de organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Até o momento, as informações fornecidas indicam que ele foi ouvido e permanece na condição de investigado. A apuração deverá esclarecer se houve ou não participação dele no homicídio e qual teria sido sua eventual atuação. A investigação é conduzida pela Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), unidade responsável pela apuração de crimes contra integrantes das forças de segurança.
MPCE cria força-tarefa para acompanhar o caso
O Ministério Público do Ceará informou que acompanha a investigação sobre a morte do soldado. O procurador-geral de Justiça, Herbet Santos, determinou a criação de uma força-tarefa formada por promotores para atuar conjuntamente em eventuais procedimentos investigatórios e judiciais relacionados ao caso.
Segundo o MPCE, a medida considera a complexidade da ocorrência e o fato de Raphael ser integrante das forças de segurança pública.
“A medida considera a complexidade do caso, especialmente por envolver um agente integrante das forças de segurança pública, e tem como objetivo fortalecer a atuação institucional do Ministério Público, contribuindo para que a apuração dos fatos ocorra de forma independente, imparcial, célere e rigorosa”, disse a nota do MP.
A atuação do Ministério Público ocorre paralelamente às diligências da Polícia Civil, que busca esclarecer a autoria, a dinâmica e as circunstâncias da morte do policial.
Governador determina rigor nas investigações
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, também se manifestou após a confirmação da morte de Raphael Sampaio e afirmou ter determinado rigor nas investigações. “Recebi com imenso pesar e indignação a notícia da morte do PM Raphael Sampaio. Determinei ao secretário da Segurança Pública rigor absoluto nas investigações. Os responsáveis por esse crime bárbaro serão presos e entregues à Justiça”, publicou o governador nas redes sociais.
A SSPDS divulgou nota de pesar e informou que colocou a estrutura da segurança pública à disposição para auxiliar na investigação. “A SSPDS lamenta profundamente a morte do policial militar e se solidariza com a dor dos familiares e amigos, ao tempo em que coloca o aparato da instituição à disposição”, disse a Secretaria da Segurança. A Associação das Praças Militares do Ceará (Aspra-CE) também publicou uma manifestação de pesar e prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de farda de Raphael.
Investigação ainda busca esclarecer a dinâmica do crime
A morte de Raphael Sampaio continua sendo investigada pela DHASP. Os investigadores trabalham com diferentes elementos para reconstruir o que aconteceu e determinar a eventual responsabilidade de cada pessoa envolvida.
Entre os materiais considerados na apuração estão os depoimentos, os exames periciais, as imagens de câmeras de segurança e outras evidências coletadas durante as diligências. A prisão de Júlia Natália ocorreu em flagrante por homicídio, conforme as informações disponibilizadas. Já o marido dela é tratado como investigado, sem que o material fornecido indique prisão ou denúncia contra ele pelo caso.
A investigação ainda precisa esclarecer a sequência dos acontecimentos, a motivação do crime, a participação de eventuais envolvidos e as circunstâncias que levaram o corpo do soldado a ser colocado no veículo e posteriormente carbonizado.