Caio Apache Vip 6, eApache Vip 2 e novas gerações do Millennium com vistas ao biometano: SAIBA AS INFORMAÇÕES OFICIAIS DA FABRICANTE
Fonte: diariodotransporte.com.br | Data: 12/08/2026 07:00:21
Publicado em: 12 de agosto de 2026

Encarroçadora detalha mudanças ao Diário do Transporte, após revelação tumultuada na Lat.Bus 2026
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
A Caio detalhou as novidades apresentadas na Lat.Bus 2026, com destaque para a sexta geração do Apache Vip, principal carroceria da fabricante para ônibus urbanos de motor dianteiro, e para a segunda geração do eApache Vip, desenvolvida para plataformas elétricas de piso alto. Entre as mudanças estão novos conjuntos ópticos Full LED, revisão de dianteira e traseira, atualizações no posto do motorista, alterações de acabamento e a disponibilidade do sistema de portas alinhadas à carroceria denominado pela fabricante de “Flor da Pele”.
Na família Millennium, destinada principalmente aos ônibus de motor traseiro, a Caio apresentou o bMillennium, desenvolvido estruturalmente para aplicações a gás e com foco no uso de biometano, além de uma atualização do eMillennium para chassis elétricos. Os dois receberam mudanças laterais, novos materiais e opções internas e podem contar com portas alinhadas à carroceria. A estratégia coloca lado a lado duas possibilidades de descarbonização: eletrificação e utilização de combustíveis gasosos de menor emissão.
O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conferiu os veículos de perto na Lat.Bus, no São Paulo Expo, nesta terça-feira, 11 de agosto de 2026.
A primeira apresentação, entretanto, ocorreu de maneira desorganizada do ponto de vista da divulgação à imprensa, com movimentação tumultuada e pouca disponibilização imediata de informações técnicas sobre os produtos. Esta situação foi registrada pelo Diário do Transporte ainda durante a feira. Somente posteriormente a Caio encaminhou material com as informações oficiais sobre os lançamentos.
Relembre a cobertura do primeiro dia:
Caio e Busscar lançam modelos de ônibus na Lat.Bus – Diário do Transporte
APACHE VIP VI: SEXTA GERAÇÃO MUDA DIANTEIRA E RECEBE PORTAS ALINHADAS À CARROCERIA

O Apache Vip chega à sexta geração com alterações principalmente de design, iluminação, acabamento e componentes internos.
A dianteira foi reformulada e ganhou faróis Full LED, luzes diurnas DRL e novo desenho para as setas.
Na traseira, a Caio manteve o conceito modular adotado nas gerações anteriores, mas redesenhou elementos e acabamentos.
A modularidade possui relação direta com a manutenção porque permite a substituição localizada de componentes em situações de danos ou reparos, em vez da troca de conjuntos maiores.
No salão, a fabricante adotou novos padrões de cores para as poltronas e materiais destinados a facilitar a higienização.
Uma das alterações disponíveis como opcional é o sistema de portas “Flor da Pele”.
Neste conceito, quando fechadas, as portas permanecem alinhadas ao plano lateral da carroceria. A Caio relaciona a solução a ganhos aerodinâmicos e de acabamento externo.
Apesar das novidades, a fabricante procura preservar a arquitetura básica e a aplicação do Apache Vip como carroceria urbana de piso alto, especialmente para chassis de motor dianteiro.
FICHA TÉCNICA – CAIO APACHE VIP VI
| Item | Informação oficial divulgada |
| Modelo | Apache Vip VI |
| Geração | 6ª geração |
| Segmento | Ônibus urbano |
| Configuração predominante | Piso alto |
| Aplicação | Transporte coletivo urbano |
| Conjunto óptico | Full LED |
| Luz diurna | DRL |
| Dianteira | Novo desenho |
| Traseira | Arquitetura modular atualizada |
| Portas | Sistema “Flor da Pele” disponível como opcional |
| Característica das portas | Alinhamento à lateral quando fechadas |
| Interior | Nova combinação de cores |
| Poltronas | Novos padrões de cores e materiais de fácil higienização |
| Comprimento | Varia conforme chassi e configuração |
| Capacidade | Varia conforme chassi, comprimento e configuração |
| Chassis compatíveis | A Caio não detalhou no material divulgado na Lat.Bus 2026 |
| Motorização | Determinada pelo chassi utilizado |
EAPACHE VIP II: SEGUNDA GERAÇÃO DO ELÉTRICO DE PISO ALTO
A Caio também atualizou sua opção para ônibus elétricos urbanos de piso alto.
O eApache Vip chega à segunda geração compartilhando elementos visuais e componentes com o Apache Vip convencional.
O conjunto óptico dianteiro Full LED é um deles.
Na parte frontal, permanece o emblema luminoso utilizado pela Caio para diferenciar visualmente sua linha elétrica.
Uma preocupação demonstrada pela fabricante é aumentar o compartilhamento de componentes entre as versões convencional e elétrica.
Segundo a empresa, componentes do conjunto traseiro do eApache Vip II são intercambiáveis com peças da família Apache Vip.
A estratégia pode simplificar estoques de peças e determinadas intervenções de manutenção em operadores que possuam diferentes configurações da família.
Há também mudanças específicas no posto do motorista.
A Caio informa que o painel e a disposição do ambiente foram redesenhados para esta segunda geração.
Os anteparos internos utilizam vidro inteiriço, reduzindo divisões físicas na área frontal do salão.
O eApache Vip II continua sendo uma carroceria elétrica de piso alto. Isto permite atender operações que desejam eletrificação sem necessariamente migrar para arquiteturas de piso baixo, dependendo da plataforma utilizada.
FICHA TÉCNICA – CAIO EAPACHE VIP II
| Item | Informação oficial divulgada |
| Modelo | eApache Vip II |
| Geração | 2ª geração |
| Segmento | Ônibus urbano elétrico |
| Tipo de piso | Piso alto |
| Tração | Elétrica, de acordo com o chassi/plataforma |
| Conjunto óptico | Full LED |
| Identificação externa | Emblema dianteiro luminoso |
| Componentes traseiros | Itens intercambiáveis com a linha Apache Vip |
| Posto do motorista | Novo desenho específico para o modelo |
| Anteparos | Vidro inteiriço |
| Objetivo da padronização | Compartilhamento de componentes e simplificação de manutenção |
| Comprimento | Dependente do chassi e da configuração |
| Capacidade | Dependente do chassi, comprimento e configuração |
| Baterias | Não detalhadas pela Caio no material divulgado |
| Autonomia | Não informada pela Caio no material divulgado |
| Chassis/plataformas | Não detalhados no comunicado |
A ausência de dados como autonomia, capacidade das baterias e plataformas disponíveis merece ser observada: a carroceria pode ser combinada com diferentes tecnologias e o material encaminhado pela Caio após a apresentação não trouxe uma ficha dimensional completa.
BMILLENNIUM: NOVA CONFIGURAÇÃO É PREPARADA PARA GÁS E TEM FOCO NO BIOMETANO

Outra novidade apresentada pela Caio é o bMillennium.
A carroceria foi desenvolvida levando em consideração desde o projeto estrutural a instalação dos componentes necessários para motorização a gás.
A fabricante destaca como uma das aplicações pretendidas o biometano.
Neste tipo de veículo, a localização dos cilindros e demais equipamentos interfere em distribuição de peso, estrutura e desenho da carroceria. Por isso, a Caio informa ter desenvolvido uma configuração específica da família Millennium para esta aplicação.
A apresentação ocorre num momento em que fabricantes de chassis também ampliam alternativas ao diesel.
Um exemplo está no próprio veículo Scania K 280 4×2 a gás/biometano com carroceria Millennium apresentado para o padrão SPTrans. O ônibus possui motor de 280 cv, torque de 1.350 Nm, transmissão automática ZF EcoLife 2 e autonomia indicada entre 300 km e 350 km. A plataforma pode receber carrocerias entre 12 e 14 metros e configurações de piso alto ou baixo.
No bMillennium mostrado pela Caio, também aparecem mudanças de acabamento.
As laterais receberam as chamadas saias raiadas e o piso ganhou uma nova passadeira.
A fabricante modificou ainda a paleta de cores do salão e os tecidos e texturas aplicados às poltronas.
Assim como no Apache Vip VI e no eMillennium, o bMillennium pode receber as portas “Flor da Pele”, alinhadas à lateral da carroceria quando fechadas.
FICHA TÉCNICA – CAIO BMILLENNIUM
| Item | Informação oficial divulgada |
| Modelo | bMillennium |
| Família | Millennium |
| Segmento | Ônibus urbano |
| Aplicação energética | Motorização a gás |
| Combustível destacado | Biometano |
| Estrutura | Desenvolvida para acomodar componentes do sistema a gás |
| Projeto | Considera distribuição de peso e disposição dos equipamentos |
| Laterais | Novas saias raiadas |
| Portas | Sistema “Flor da Pele” |
| Piso interno | Nova passadeira |
| Interior | Nova paleta de cores |
| Poltronas | Novos tecidos e texturas |
| Comprimento | Dependente do chassi/configuração |
| Lotação | Dependente do chassi/configuração |
| Capacidade dos cilindros | Não informada no material da Caio |
| Autonomia | Depende do chassi e do sistema de armazenamento de gás |
EMILLENNIUM É ATUALIZADO PARA A NOVA IDENTIDADE DA FAMÍLIA
A Caio também apresentou alterações no eMillennium, carroceria desenvolvida especificamente para plataformas elétricas.
O modelo não é um lançamento absoluto.
O eMillennium foi apresentado originalmente em 2022, na mesma ocasião em que a Caio lançou a quinta geração do Millennium para chassis com motor traseiro ou central.
Para a Lat.Bus 2026, a empresa concentrou as mudanças em elementos externos e internos.
Nas laterais, foram adotadas saias raiadas.
Internamente, a Caio introduziu nova combinação de cores, revestimentos de poltronas, tecidos, texturas e passadeira.
O eMillennium atualizado também passa a incorporar o sistema de portas “Flor da Pele”.
A lógica é aproximar visualmente as diferentes configurações da família Millennium, mesmo quando utilizam sistemas de propulsão distintos.
FICHA TÉCNICA – CAIO EMILLENNIUM ATUALIZADO
| Item | Informação oficial divulgada |
| Modelo | eMillennium |
| Segmento | Ônibus urbano elétrico |
| Carroceria específica para | Plataformas/chassis de tração elétrica |
| Geração-base | Família Millennium V |
| Atualização 2026 | Mudanças externas e internas |
| Laterais | Saias raiadas |
| Portas | Sistema “Flor da Pele” |
| Interior | Nova paleta de cores |
| Piso | Nova passadeira |
| Poltronas | Novos tecidos e texturas |
| Configurações | Dependentes do chassi elétrico utilizado |
| Capacidade de baterias | Não especificada no material |
| Autonomia | Dependente da plataforma elétrica |
| Comprimento e lotação | Variam de acordo com chassi e configuração |
A quinta geração do Millennium, base da atual família, foi lançada em 2022 para chassis de motor traseiro e central, com possibilidades de piso alto, piso baixo e configuração articulada. Naquele lançamento, a Caio informou largura externa de 2.550 mm e ganho de espaço interno em relação à geração anterior.
APACHE VIP COMPLETA 25 ANOS E CHEGA À SEXTA GERAÇÃO

O Apache Vip é uma das famílias de maior duração na linha urbana da Caio.
A primeira geração surgiu em 2001, já na nova fase da fabricante após a Induscar assumir o parque industrial e o direito de utilização da marca Caio.
A própria fabricante registrou em 2021 os 20 anos do lançamento do Apache Vip ao apresentar sua quinta geração.
A evolução pode ser resumida da seguinte maneira:
| Geração | Período de lançamento | Principais referências |
| Apache Vip I | 2001 | Primeira geração da família, criada para ônibus urbanos de motor dianteiro |
| Apache Vip II | 2008 | Primeira grande atualização de desenho da família |
| Apache Vip III | 2012 | Reestilização apresentada pela Caio naquele ano |
| Apache Vip IV | 2014 | Nova carroceria com alterações de conjunto óptico, DRL e lanternas de LED |
| Apache Vip V | 2021 | Quinta geração, com carroceria mais larga, Full LED e revisão estrutural e de manutenção |
| Apache Vip VI | 2026 | Nova dianteira, Full LED/DRL atualizado, revisão traseira e opção de portas “Flor da Pele” |
A cronologia histórica registra a primeira geração entre 2001 e 2008, a segunda a partir de 2008, a terceira em 2012 e a quarta em 2014. A própria página histórica da Caio confirma a reestilização de 2012, a nova versão de 2014 e o lançamento da quinta geração em julho de 2021.
Na quinta geração, a carroceria passou de 2.500 mm para 2.550 mm de largura externa e ganhou 70 mm de espaço interno, segundo informações divulgadas pela Caio no lançamento de 2021. A fabricante também adotou conjunto óptico Full LED e reformulou itens para facilitar acesso à manutenção.
Agora, em 2026, a sexta geração dá continuidade a esta evolução sem alterar a finalidade básica do produto: atender predominantemente o transporte urbano com chassis de motor dianteiro.
MILLENNIUM NASCEU EM 1997 E CHEGA A UMA FAMÍLIA COM DIFERENTES MATRIZES ENERGÉTICAS

O Millennium possui uma história ainda mais antiga.
A primeira geração foi lançada em 1997 para chassis urbanos com motor traseiro, em configurações de piso normal ou low entry. A própria Caio registra 1997 como o início da família.
A segunda geração surgiu no fim de 2003 e foi redesenhada para ampliar a aplicação em chassis de piso baixo.
Em 2011 veio a terceira geração.
Em outubro de 2012, a empresa ampliou o conceito e criou a Família Millennium BRT, inicialmente composta por versões Alimentador, Articulado e Biarticulado.
A quarta geração foi apresentada em 2016, para chassis de motor traseiro e versões de piso normal e baixo.
Naquele mesmo ano surgiu também a segunda geração do Millennium BRT, incluindo o superarticulado de 23 metros.
Em 2022, durante a Lat.Bus Transpúblico, chegou a quinta geração.
Foi também naquele evento que a Caio apresentou o eMillennium, carroceria específica para plataformas elétricas.
A evolução histórica pode ser resumida:
| Geração/família | Ano | Característica |
| Millennium I | 1997 | Primeira geração; motor traseiro; piso normal ou low entry |
| Millennium II | 2003 | Segunda geração, com reformulação completa |
| Millennium III | 2011 | Terceira geração |
| Millennium BRT | 2012 | Família voltada a corredores, incluindo articulados e biarticulados |
| Millennium IV | 2016 | Quarta geração do urbano de motor traseiro |
| Millennium BRT II | 2016 | Segunda geração da família BRT |
| Millennium V | 2022 | Quinta geração, para motor traseiro/central |
| eMillennium | 2022 | Carroceria específica para propulsão elétrica |
| bMillennium | 2026 | Configuração desenvolvida para gás, com foco no biometano |
| eMillennium atualizado | 2026 | Revisões de acabamento, laterais, interior e portas |
Com o bMillennium, a família passa a explicitar no próprio portfólio da Caio diferentes caminhos de descarbonização, principalmente eletricidade e gás/biometano.
PORTAS “FLOR DA PELE” APARECEM EM DIFERENTES LANÇAMENTOS
Um elemento comum a parte das novidades da Caio na Lat.Bus é o sistema chamado pela fabricante de “Flor da Pele”.
A solução aparece no Apache Vip VI como opcional e também foi mostrada nos novos conceitos do bMillennium e eMillennium.
As folhas ficam alinhadas ao plano externo da carroceria quando fechadas.
Segundo a Caio, a configuração busca melhorar o acabamento e reduzir interferências aerodinâmicas.
No transporte urbano, entretanto, a aplicação prática também deverá ser avaliada de acordo com critérios de manutenção, intensidade de operação e especificações determinadas pelos sistemas municipais e metropolitanos.
CAIO CELEBRA 80 ANOS
As novidades foram apresentadas no ano em que a marca Caio completa oito décadas de atividades.
A empresa foi fundada em 1945 e iniciou a produção de carrocerias em janeiro de 1946. A primeira foi a Jardineira.
A fábrica originalmente funcionava em São Paulo e posteriormente foi transferida para Botucatu, no interior paulista, com a unidade inaugurada oficialmente em 1982.
Após a crise enfrentada pela antiga companhia e o encerramento das atividades em dezembro de 2000, a Induscar assumiu em 2001 o parque industrial e os direitos de utilização e comercialização dos produtos Caio.
Em março de 2009, a Induscar adquiriu definitivamente a marca e o parque fabril, passando a operar como Caio Induscar.
Hoje, além da fábrica de Botucatu, a empresa mantém unidade em Barra Bonita (SP).
TÚNEL IMERSIVO MOSTRA OITO DÉCADAS DA MARCA
A história também fez parte da estrutura montada pela Caio na Lat.Bus.
O estande recebeu um túnel imersivo de LED com uma linha do tempo audiovisual da fabricante.
A apresentação reúne modelos que marcaram diferentes períodos, como Jaraguá, Gabriela, Apache Vip e Millennium, além da transferência e inauguração da fábrica de Botucatu, da chegada da Induscar e da expansão do Grupo Caio.
Também aparecem empresas que passaram a integrar o grupo ou sua estrutura industrial, como Busscar, FiberBus e Tecglass.
A iniciativa relaciona justamente os produtos históricos às novidades apresentadas em 2026.
O Apache Vip, lançado há aproximadamente 25 anos, chega à sexta geração.
O Millennium, cuja primeira versão surgiu em 1997, passa a formar uma família que atende desde ônibus convencionais de motor traseiro até elétricos, articulados e aplicações preparadas para gás e biometano.
E o eApache Vip amplia esta diversificação para veículos elétricos de piso alto.
São estes os detalhes oficiais que não estavam disponíveis de forma organizada no momento inicial da apresentação dos ônibus na Lat.Bus e que a Caio encaminhou posteriormente à imprensa.
Dos Bela Vista, Gabriela, Amélia e Vitória aos elétricos: Caio completa 80 anos fazendo parte da história do ônibus brasileiro

Fabricante iniciou atividades em janeiro de 1946 com uma Jardineira artesanal e atravessou oito décadas com modelos que marcaram gerações, como Bossa Nova, Jaraguá, Gaivota, Bela Vista, Gabriela, Carolina, Amélia, Vitória, Alpha, Apache e Millennium; Diário do Transporte reúne a cronologia das carrocerias que ajudam a contar também a evolução da mobilidade no País
ADAMO BAZANI
Falar dos 80 anos da Caio é falar de uma parte considerável da própria história do ônibus brasileiro.
Muito antes de ar-condicionado, piso baixo, suspensão eletrônica, telemetria, portas elétricas, sistemas de informação ao passageiro e propulsão por baterias, ônibus com a marca Caio já transportavam trabalhadores em cidades que começavam a se expandir rapidamente.
Em diferentes épocas, nomes como Bossa Nova, Jaraguá, Gaivota, Bela Vista, Gabriela, Carolina, Amélia, Vitória, Alpha, Apache e Millennium deixaram de ser apenas identificações comerciais de carrocerias. Tornaram-se referências para motoristas, mecânicos, empresários, passageiros, colecionadores e admiradores de ônibus.
Alguns destes veículos estão relacionados diretamente a mudanças técnicas do transporte brasileiro.
O Gabriela acompanhou a retomada dos trólebus nacionais e encarroçou o primeiro ônibus articulado produzido no País. O Amélia atravessou o período de expansão dos chassis urbanos de motor traseiro, articulados e trólebus. O Vitória apareceu quando cidades ampliavam sistemas de alta capacidade. O Millennium acompanhou o avanço do piso baixo. E as famílias eMillennium e eApache Vip representam agora a fase de eletrificação das frotas.
O Diário do Transporte acompanha há anos esta história, não somente por meio dos lançamentos atuais, mas preservando a memória de ônibus que já deixaram as linhas regulares.
O site publicou reportagens especiais sobre Gabriela, Amélia, Alpha e Vitória, acompanhou restaurações e encontros de veículos históricos e registrou inclusive o destino de exemplares raros, como o Bela Vista da antiga Viação Itapemirim adquirido pela Suzantur em leilão em 2024.
Agora, na Lat.Bus 2026, passado e futuro voltaram a dividir o mesmo espaço.
No ano em que celebra oito décadas de atividades, a Caio apresentou a sexta geração do Apache Vip, a segunda geração do eApache Vip, atualizações do eMillennium e o bMillennium preparado para motorização a gás, com foco também no biometano.
A fabricante ainda criou em seu estande um túnel imersivo para recordar momentos de sua trajetória. O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, acompanhou presencialmente as novidades da empresa na feira.
A CAIO NASCE EM 1945 E O PRIMEIRO ÔNIBUS SAI EM 1946
A Caio foi fundada em 19 de dezembro de 1945, em São Paulo, pelos irmãos Gonçalves, que eram revendedores Ford, e por José Massa, imigrante italiano que havia chegado ao Brasil em 1925.
A operação começou efetivamente em 12 de janeiro de 1946.
A fábrica funcionava inicialmente num barracão de 3.120 metros quadrados na Avenida Celso Garcia, no Brás, zona Leste da capital paulista, e tinha 120 funcionários.
O primeiro produto foi uma Jardineira.
A fabricação levou cerca de 30 dias e ainda tinha características essencialmente artesanais. No primeiro ano de atividade, a empresa produziu 146 carrocerias.
A Jardineira pertence a uma época muito diferente da indústria atual.
Em diferentes configurações, ônibus daquele tipo tinham carrocerias que ainda lembravam veículos de carga adaptados ao transporte de passageiros. Em serviços rodoviários, havia inclusive exemplares com escada externa para acesso ao bagageiro localizado sobre o teto.
Era o começo de uma indústria que ainda teria de criar grande parte das próprias soluções.
DOS ÔNIBUS DE MADEIRA À ESTRUTURA METÁLICA
Em 1948, a Caio adquiriu a Cermava, no Rio de Janeiro, e passou também a produzir chassis sob licença da italiana Siccar.
Em 1952, inaugurou uma fábrica de aproximadamente 24 mil metros quadrados na Rua Guaiaúna, em São Paulo.
No mesmo ano ocorreu uma mudança técnica importante: a produção da primeira carroceria Caio inteiramente metálica, utilizando perfis de aço na estrutura.
Era uma transformação relevante para uma indústria que nascera utilizando intensivamente madeira.
Ao longo da década, a estrutura metálica avançaria até chegar aos conceitos tubulares que se tornaram predominantes posteriormente.
PAPA-FILAS: UMA RESPOSTA PARA TRANSPORTAR MUITA GENTE
Em 1956 surgiu um dos veículos mais curiosos relacionados à história da Caio: o Papa-Filas.
Tratava-se de um semirreboque de passageiros puxado por um cavalo-mecânico FNM.
Era uma das respostas encontradas naquele momento para aumentar a capacidade do transporte coletivo num País em acelerado processo de urbanização e no qual a indústria de chassis próprios para ônibus ainda dava seus primeiros passos.
A trajetória do Papa-Filas aparece nos arquivos históricos reunidos pelo Diário do Transporte sobre a Caio.
BOSSA NOVA: O NOME DE UM ÔNIBUS E DE UMA ÉPOCA
Em 1960 nasceu o Bossa Nova.
O nome acompanhava a efervescência cultural brasileira daquele período e o estilo musical que projetava o País internacionalmente.
Mas o Bossa Nova também tinha importância industrial.
Segundo a Caio, foi a primeira carroceria da marca construída com estrutura tubular formada por chapas estampadas em duplo U.
O ônibus apresentava janelas mais largas, vidros deslizantes e para-brisas panorâmicos.
A mudança revelava uma preocupação que se repetiria em gerações posteriores: aumentar a área envidraçada e melhorar a visibilidade de passageiros e motorista.
JARAGUÁ SE TORNA O PRIMEIRO GRANDE SUCESSO
Em 1963, a empresa apresentou o Jaraguá.
A carroceria tinha maior área envidraçada e desenho considerado mais leve para os padrões da época.
Dois anos depois, recebeu mudanças na grade dianteira e passou a utilizar quatro faróis.
A própria Caio classifica o Jaraguá como seu primeiro grande sucesso comercial.
GAIVOTA LEVA A CAIO PARA AS ESTRADAS
Outro nome que ficou marcado entre os aficionados por ônibus é Gaivota.
Segundo a atual cronologia oficial da Caio, o modelo rodoviário foi apresentado no Salão do Automóvel de 1966.
O veículo apostava em um padrão de acabamento e conforto superior para serviços de médias e longas distâncias.
Em materiais históricos reproduzidos pelo Diário do Transporte, aparecem referências ao Gaivota como um dos modelos mais lembrados da atuação rodoviária da empresa.
BELA VISTA MARCA O FIM DOS ANOS 1960
Em 1969, a Caio lançou comercialmente o Bela Vista, que já havia sido apresentado anteriormente no Salão do Automóvel.
No mesmo período surgiu o Verona, micro-ônibus que ampliou a presença da fabricante em veículos de menor porte.
O Bela Vista ganhou presença em sistemas urbanos de diferentes cidades e seria importante também porque alguns de seus conceitos estéticos passariam posteriormente ao Gabriela.
Décadas depois, um exemplar de grande importância histórica voltou às páginas do Diário do Transporte.
Em março de 2024, um Caio Bela Vista Mercedes-Benz OF-1113, ano 1968, pertencente ao acervo da antiga Viação Itapemirim, foi arrematado pela Suzantur por R$ 20.060.
O veículo era considerado particularmente relevante por ser um dos raros registros preservados da utilização de um ônibus urbano pela tradicional empresa capixaba de transporte rodoviário.
JUBILEU, CASCAVEL E A EXPANSÃO DOS RODOVIÁRIOS
Na virada para os anos 1970, a Caio continuou desenvolvendo produtos rodoviários.
Registros históricos do Diário do Transporte mencionam o Cascavel no início daquela década.
A cronologia oficial atual da Caio registra que, em 1971, na celebração dos 25 anos de atividades, foi lançado o Jubileu, rodoviário de motor dianteiro.
Algumas cronologias mais antigas reproduzidas pelo próprio Diário do Transporte situavam o nome Jubileu em 1969. A documentação atual da fabricante, entretanto, associa oficialmente o lançamento a 1971.
É uma das pequenas divergências de data encontradas entre registros históricos produzidos em épocas diferentes.
1974: NASCE O GABRIELA
Poucos modelos possuem associação tão direta com a marca Caio quanto o Gabriela.
Lançado em 1974, o ônibus representou uma mudança de concepção.
A primeira versão, posteriormente denominada informalmente Gabriela I, ainda mantinha características do Bela Vista, como janelas laterais inclinadas, traseira arredondada e vigia traseiro dividido.
Mas o desenho já caminhava para carrocerias de linhas mais retas, áreas envidraçadas maiores e salão com melhor circulação.
No mesmo ano foi lançado o micro-ônibus Carolina I, sucessor do Verona.
GABRIELA II: QUASE META DO MERCADO EM UM ÚNICO MODELO
Em 1976 surgiu o Gabriela II.
As linhas ficaram mais retas, as janelas perderam a inclinação anterior, as lanternas traseiras passaram à disposição vertical e o vigia traseiro tornou-se inteiriço.
O sucesso foi de grande proporção.
Segundo dados históricos da Caio reproduzidos pelo Diário do Transporte, aproximadamente 3,7 mil unidades da versão básica foram vendidas em 1977.
Isso correspondia a cerca de 44% das 8.886 carrocerias de ônibus de todas as marcas fabricadas no Brasil naquele ano.
Em outras palavras, sozinho, o Gabriela respondeu naquele período por quase metade do mercado nacional de carrocerias.
GABRIELA TAMBÉM FOI ARTICULADO E TRÓLEBUS
A importância histórica do Gabriela não ficou restrita ao volume de vendas.
Em 1977, a CTA de Araraquara recebeu cinco novos trólebus Caio Gabriela, encerrando um período de vários anos sem produção de novos trólebus no Brasil.
Os veículos utilizavam plataforma Massari, equipamento elétrico Villares e componentes mecânicos FNM/Fiat Diesel.
Em 1978, o Gabriela encarroçou aquele que é apontado como o primeiro ônibus articulado fabricado no Brasil.
O veículo utilizava chassi Scania B111, motor DS11 turbo de 296 cv e tinha capacidade aproximada para 180 passageiros.
Sua carroceria chegava a 18,15 metros.
O primeiro operador foi a Transurb, em Goiânia.
O Gabriela também ganhou configurações de três eixos e versões com motores dianteiro, central e traseiro.
ITAIPU E CORCOVADO AMPLIAM A FAMÍLIA EM 1977
Em 1977 surgiram ainda dois modelos destinados a serviços de maior distância.
O Corcovado foi apresentado como o primeiro rodoviário da empresa construído com estrutura de alumínio.
O Itaipu era uma derivação da família Gabriela para serviços de turismo e intermunicipais.
O Itaipu também ficou conhecido informalmente como Gabriela Itaipu ou Gabriela Intermunicipal.
Tinha frente rebaixada, para-brisa maior e a caixa de itinerário posicionada no interior da carroceria.
GABRIELA EXPRESSO ANTECIPAVA ÔNIBUS DE MAIOR CAPACIDADE
Em 1979 surgiu o Gabriela Expresso.
Havia configurações sobre Volvo B58 de motor central, além de versões articuladas.
O objetivo era atender operações de maior demanda, num momento em que corredores estruturados começavam a ganhar importância no transporte urbano brasileiro.
A família Gabriela ainda ganhou versões destinadas ao mercado latino-americano, entre elas o Gabriela Andino, adaptado a diferentes chassis de caminhões utilizados em outros países.
CAROLINA: O MICRO QUE VIROU ATÉ PAPAMÓVEL
Paralelamente aos urbanos de maior porte, a família Carolina atravessou diferentes atualizações.
O Carolina I surgiu em 1974 como sucessor do Verona.
Um acontecimento particular ocorreu em 1980.
Na primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil, a Caio utilizou a carroceria do micro Carolina como base para dois Papamóveis.
Cronologias históricas anteriormente publicadas pelo Diário do Transporte registram posteriormente Carolina II em 1981, Carolina III em 1983, Carolina IV em 1987 e Carolina V em 1994.
A longa permanência desta família mostra a importância que os veículos menores também tiveram no portfólio da fabricante.
AMÉLIA ABRE A ERA DE BOTUCATU
No começo dos anos 1980, a Caio iniciou outra mudança decisiva: a transferência das operações de São Paulo para Botucatu.
O Diário do Transporte registra que a fabricação do Amélia começou em 1980, ainda durante este processo de transição.
A atual cronologia institucional da Caio associa a apresentação do modelo à nova fábrica, oficialmente inaugurada em 1982.
Assim, os dois registros não precisam necessariamente ser considerados contraditórios: 1980 marca o início da fabricação relatado no acervo histórico e 1982 corresponde à consolidação do produto junto à nova planta de Botucatu.
O Amélia tinha uma responsabilidade difícil: substituir o Gabriela.
As linhas ficaram ainda mais retas e a área envidraçada aumentou.
O produto podia receber estrutura de aço ou de alumínio.
AMÉLIA VIROU ARTICULADO E TRÓLEBUS
A década de 1980 foi marcada pelo crescimento das opções de chassis urbanos no Brasil.
Além dos tradicionais veículos de motor dianteiro, aumentava a disponibilidade de plataformas de motor central e traseiro.
O Amélia acompanhou esta transformação.
Foram fabricados ônibus convencionais, articulados e trólebus.
Em 1985, uma carroceria Amélia esteve em um dos dois primeiros trólebus articulados de São Paulo, ao lado de um Marcopolo Torino.
O modelo permaneceu em fabricação até 1988.
ARITANA E SQUALO MANTÊM A CAIO NOS RODOVIÁRIOS
A chegada a Botucatu também trouxe o Aritana.
O rodoviário tinha linhas retas e estrutura derivada de conceitos utilizados no Gabriela.
Em 1985, a Caio voltou a investir de maneira mais intensa neste segmento com o Squalo.
A carroceria tinha estrutura em alumínio e foi apresentada no período em que a fabricante celebrava aproximadamente quatro décadas de história.
VITÓRIA: 28 MIL UNIDADES
Em 1988 surgiu outro modelo que se tornaria praticamente sinônimo de ônibus urbano brasileiro: o Vitória.
Ele substituiu o Amélia.
A carroceria foi oferecida numa grande diversidade de chassis e configurações, inclusive ônibus padron e articulados com motor central.
O volume de produção ajuda a medir seu impacto.
Foram aproximadamente 28 mil unidades até a substituição pelo Alpha, em 1995.
Em determinados períodos, cerca de 280 Vitórias eram produzidos por mês.
A carroceria marcou sistemas urbanos e metropolitanos de inúmeras cidades brasileiras.
O Diário do Transporte acompanha também a preservação desses veículos. Em 2021, mostrou a história do motorista Jefferson Luiz, que comprou e restaurou justamente o Caio Vitória com o qual havia trabalhado.
Em 2023, outra reportagem apresentou um Vitória Mercedes-Benz OF-1620, ano 1995, restaurado com a pintura da antiga Viação Tabu, de São Paulo.
BETA E MONTERREY: A TENTATIVA DE CRESCER NO EXTERIOR
Nos anos 1990, a Caio voltou seus olhos também para a América do Norte.
Em 1994 apresentou o Monterrey, sobre chassi Mercedes-Benz OH, e o Beta.
O Beta era particularmente diferente dos produtos tradicionais da marca: tratava-se de um monobloco desenvolvido sobre plataforma própria, utilizando suspensão mista.
Os dois foram apresentados na Expobus de 1994.
Registros históricos do Diário do Transporte citam ainda naquele período os modelos Monte Rei e Carolina V.
ALPHA SUBSTITUI O VITÓRIA
Em dezembro de 1995, quando a Caio completava 50 anos de fundação, surgiu o Alpha.
A nova carroceria urbana substituiu o Vitória.
Poderia ser fabricada em aço ou duralumínio e preservava características de flexibilidade da Caio, podendo ser aplicada sobre diferentes chassis.
O Diário do Transporte dedicou uma reportagem especial ao modelo, intitulada “Alpha, o início do fim e do recomeço”, porque o ônibus pertence justamente ao período que antecedeu uma das maiores crises financeiras da história da fabricante.
Em 1997 surgiu o Alpha Intercity, destinado principalmente aos serviços intermunicipais e de turismo.
Tinha para-brisa dianteiro maior, vidro traseiro reduzido, para-choques reforçados e outros elementos que o diferenciavam do urbano.
TAGUÁ, PICCOLO E PICCOLINO
Cronologias históricas publicadas pelo Diário do Transporte registram ainda o Taguá, destinado principalmente ao segmento escolar, em meados da década de 1990.
Já no final da década, a Caio renovou os veículos menores.
O Piccolo substituiu a família Carolina no segmento de micro-ônibus.
O Piccolino entrou na categoria de minis e foi oferecido em diferentes padrões de acabamento.
A cronologia institucional atual da fabricante registra Piccolo, Piccolino e Millennium em 1998; cronologias antigas reproduzidas pelo Diário do Transporte situavam estes produtos em 1997.
MILLENNIUM NASCE PARA UMA NOVA GERAÇÃO DE ÔNIBUS URBANOS
O Millennium nasceu no fim dos anos 1990 para chassis urbanos com motor traseiro.
Podia ser aplicado tanto em veículos de piso convencional quanto em configurações low entry.
Era uma resposta ao avanço das exigências de acessibilidade, conforto e circulação interna que começavam a transformar os sistemas urbanos.
A família se tornaria uma das mais longevas da história da empresa.
APACHE S21 É LANÇADO EM MEIO À CRISE
Em agosto de 1999, a Caio lançou o Apache S21.
Era o sucessor do Alpha e inaugurava o nome Apache.
O “S21” fazia referência ao Século 21.
Foram desenvolvidas diferentes configurações, incluindo urbano convencional, padron, articulado e aplicações intermunicipais.
Mas o ônibus surgiu num momento financeiro extremamente complicado.
Em dezembro de 2000, a antiga Caio encerrou as operações após a decretação de sua falência.
2001: A MARCA CONTINUA SOB NOVA ADMINISTRAÇÃO
Em janeiro de 2001, um novo grupo constituído por empresários do transporte de passageiros da cidade de São Paulo assumiu, por meio da Induscar, o parque industrial de Botucatu e o direito de fabricar e comercializar os produtos Caio.
Em março de 2009, a Induscar adquiriu definitivamente a marca e o parque fabril, passando posteriormente à denominação Caio Induscar.
Segundo a própria fabricante, somente entre 2001 e 2023 foram produzidas aproximadamente 180 mil carrocerias sob a nova gestão, a maioria destinada ao segmento urbano.
APACHE VIP SE TORNA O PRINCIPAL PRODUTO DA NOVA FASE
Um dos primeiros produtos que simbolizaram o novo período foi o Apache Vip.
A primeira geração foi lançada em 2001.
O Diário do Transporte registrou em uma reportagem de 2013 três gerações lado a lado em São Paulo: Apache S21, Apache Vip I e Apache Vip II.
A publicação mostrou como os três modelos representavam fases diferentes da transição societária e industrial da fabricante.
A segunda geração do Apache Vip surgiu em 2008.
A terceira veio em 2012, inicialmente como uma reestilização.
A quarta geração chegou em 2014.
Em julho de 2021, exatamente no ano em que o Apache Vip completava duas décadas, foi apresentada a quinta geração.
Agora, na Lat.Bus 2026, chega o Apache Vip VI.
GIRO MARCA NOVA TENTATIVA NOS RODOVIÁRIOS
A nova administração não ficou restrita aos urbanos.
Em 2002, foram apresentados dois protótipos do Giro 3400.
Tinham 3,4 metros de altura, 12,7 metros de comprimento e capacidade anunciada à época para 42 passageiros mais rodomoça.
Em 2004 veio o Giro 3600, de 3,6 metros, destinado a médias e longas distâncias e plataformas de motor central ou traseiro.
MILLENNIUM II CHEGA EM 2003
No final de 2003, a segunda geração do Millennium foi lançada.
O desenho foi completamente revisto e a carroceria passou a atender diferentes chassis de piso baixo.
O produto assumia o espaço superior da linha urbana da fabricante.
TOPBUS: BIARTICULADOS PARA SÃO PAULO
Em 2004 apareceu uma derivação de alta capacidade.
A Caio forneceu 30 ônibus biarticulados especiais para empresas do Grupo Ruas em São Paulo.
A carroceria recebeu o nome Topbus.
O modelo antecedeu a futura família Millennium BRT.
MONDEGO GANHA IMPORTÂNCIA INTERNACIONAL
Em 2005, a Caio desenvolveu o Mondego.
O produto ganhou projeção inicialmente com uma encomenda de 530 carrocerias para o Chile.
Em 2006 surgiu o Mondego HA, versão articulada.
O Mondego também seria utilizado em cidades brasileiras, principalmente em operações que exigiam motor traseiro, piso baixo ou grande capacidade.
FOZ RENOVA OS MICRO-ÔNIBUS
Ainda em 2005 foi lançada a família Foz.
Havia versões urbana, turismo, executiva e escolar.
Em 2006 chegou o Foz Super, veículo intermediário que ganhou o apelido de “micrão”.
Em 2008, o Mini Foz substituiu o Piccolino.
O Foz permaneceria em evolução por vários anos e receberia uma nova configuração F2400 em 2017 e atualização de desenho em 2020.
APACHE S22 E ATILIS
Em janeiro de 2007 surgiu o Apache S22.
O ônibus era uma atualização do S21 voltada a um segmento que ainda demandava carrocerias de concepção mais simples para chassis de motor dianteiro.
Em maio daquele ano também foi lançado o mini Atilis, desenvolvido em parceria com a Mercedes-Benz.
SOLAR REPRESENTA OUTRA FASE RODOVIÁRIA
Em 2010 surgiu o Solar 3200.
Em 2013 o modelo recebeu uma atualização visual envolvendo dianteira, traseira, laterais e salão.
Em 2015 foi lançado o Solar 3400, com 3,4 metros de altura e possibilidade de aplicação sobre chassis de motor dianteiro ou traseiro.
MILLENNIUM III E A CRIAÇÃO DA FAMÍLIA BRT
Em 2011, quando a marca celebrava 65 anos, foi lançada a terceira geração do Millennium.
No ano seguinte surgiu uma família própria para operações de BRT.
A linha Millennium BRT foi apresentada inicialmente em configurações Alimentador, Articulado e Biarticulado.
O objetivo era atender corredores e sistemas estruturais de alta capacidade.
MILLENNIUM IV E BRT SUPERARTICULADO
Em 2016 veio a quarta geração do Millennium convencional, destinada principalmente aos chassis de motor traseiro em versões de piso normal e piso baixo.
No mesmo ano, a Caio apresentou a segunda geração do Millennium BRT Superarticulado.
O ônibus chegava aos 23 metros e foi desenvolvido especificamente para corredores e sistemas BRT.
SOUL CLASS E F2400
Em 2017, a Caio e a Iveco Bus apresentaram o Soul Class.
O micro-ônibus foi oferecido em versões escolar e executiva e utilizava um Dispositivo de Poltrona Móvel para acessibilidade de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
No mesmo ano foi apresentado o F2400, nas versões urbana e executiva.
MILLENNIUM V E EMILLENNIUM ABREM A FASE ELÉTRICA
Em 2022, no retorno presencial da Lat.Bus após a pandemia, a Caio apresentou a quinta geração do Millennium.
A nova família foi desenvolvida para plataformas de motor traseiro e central.
Na mesma ocasião nasceu o eMillennium, carroceria específica para chassis de tração elétrica.
Era uma mudança significativa.
Durante décadas, a carroceria precisava ser adaptada principalmente à posição e às dimensões de motores e transmissões a diesel.
Nos elétricos, baterias, motores de tração, sistemas de refrigeração e componentes eletrônicos passaram a alterar a distribuição física e de peso do veículo.
EMILLENNIUM BRT ELÉTRICO
A eletrificação chegou também aos ônibus de maior capacidade.
Em 2025, o Diário do Transporte acompanhou de forma exclusiva o lançamento do eMillennium BRT superarticulado destinado a São Paulo.
O veículo marcou uma nova etapa da aplicação da família BRT em plataformas de emissão zero.
Em 2026, a reportagem também acompanhou na Lat.Bus um articulado elétrico Mercedes-Benz de aproximadamente 18 metros com carroceria Caio Millennium BRT.
APACHE VIP VI, EAPACHE VIP II E BMILLENNIUM: OS 80 ANOS ENCONTRAM O FUTURO
A Lat.Bus 2026 acrescentou novos capítulos à cronologia.
A sexta geração do Apache Vip ganhou nova dianteira, conjunto óptico Full LED e atualizações de acabamento e manutenção.
O eApache Vip II passou a representar a segunda geração da carroceria elétrica de piso alto.
O eMillennium foi atualizado e a Caio mostrou ainda o bMillennium, projetado estruturalmente para aplicações com motorização a gás e com foco também no biometano.
São produtos que mostram como a história de uma encarroçadora tradicionalmente associada ao diesel passa agora a conviver com diferentes matrizes energéticas.
CRONOLOGIA DOS MODELOS CAIO
A relação abaixo reúne os modelos nominalmente identificados na atual linha histórica oficial da fabricante e em levantamentos históricos publicados pelo Diário do Transporte. Em alguns produtos, a documentação existente registra mais de uma data por causa de apresentação em salão, início de fabricação ou lançamento comercial.
| Ano/período | Modelo | Segmento ou importância histórica |
| 1946 | Jardineira | Primeira carroceria produzida pela Caio |
| 1956 | Papa-Filas | Semirreboque de passageiros puxado por cavalo-mecânico |
| 1960 | Bossa Nova | Urbano; primeira estrutura tubular da marca |
| 1960 | Trólebus de Araraquara | Uma das primeiras aplicações elétricas registradas na história da Caio |
| 1963 | Jaraguá | Urbano; primeiro grande sucesso comercial segundo a fabricante |
| 1966 | Gaivota | Rodoviário |
| 1969 | Verona | Micro-ônibus |
| 1969 | Bela Vista | Urbano |
| início dos anos 1970 | Cascavel | Rodoviário citado nas cronologias históricas |
| 1971 | Jubileu | Rodoviário de motor dianteiro |
| 1974 | Gabriela I | Urbano |
| 1974 | Carolina I | Micro-ônibus |
| 1976 | Gabriela II | Segunda geração do urbano |
| 1977 | Corcovado | Rodoviário com estrutura de alumínio |
| 1977 | Itaipu | Turismo/intermunicipal derivado do Gabriela |
| 1978 | Gabriela articulado | Primeiro ônibus articulado brasileiro segundo registros históricos |
| 1979 | Gabriela Expresso | Configuração de maior capacidade |
| anos 1970 | Gabriela Andino | Versão destinada à América Latina |
| 1980 | Papamóvel Carolina | Veículo especial para João Paulo II |
| 1980/1982 | Amélia | Urbano sucessor do Gabriela |
| início dos anos 1980 | Aritana | Rodoviário |
| 1981 | Carolina II | Segunda geração do micro |
| 1983 | Carolina III | Terceira geração |
| 1985 | Squalo | Rodoviário com estrutura de alumínio |
| anos 1980 | Amélia articulado | Urbano articulado |
| anos 1980 | Amélia trólebus | Aplicação elétrica |
| 1987 | Carolina IV | Quarta geração do micro |
| 1988 | Vitória | Urbano; cerca de 28 mil produzidos |
| 1994 | Beta | Monobloco destinado também ao exterior |
| 1994 | Monterrey | Rodoviário para exportação |
| 1994 | Monte Rei | Modelo citado em cronologia histórica da Caio reproduzida pelo Diário |
| 1994 | Carolina V | Quinta geração da família |
| 1995 | Alpha | Urbano sucessor do Vitória |
| década de 1990 | Taguá | Urbano/escolar |
| 1997 | Alpha Intercity | Intermunicipal e turismo |
| 1997/1998 | Piccolo | Micro-ônibus sucessor do Carolina |
| 1997/1998 | Piccolino | Miniônibus |
| 1997/1998 | Millennium I | Urbano para motor traseiro |
| 1999 | Apache S21 | Urbano; origem da família Apache |
| 2001 | Apache Vip I | Primeira geração do principal urbano da nova fase |
| 2002 | Giro 3400 | Rodoviário |
| 2003 | Millennium II | Segunda geração |
| 2004 | Topbus | Biarticulado para São Paulo |
| 2004 | Giro 3600 | Rodoviário |
| 2005 | Mondego | Urbano de motor traseiro/piso baixo |
| 2005 | Foz | Micro-ônibus |
| 2006 | Foz Super | Midi ou “micrão” |
| 2006 | Mondego HA | Articulado |
| 2007 | Apache S22 | Urbano de motor dianteiro |
| 2007 | Atilis | Miniônibus |
| 2008 | Apache Vip II | Segunda geração |
| 2008 | Mini Foz | Miniônibus |
| 2010 | Solar 3200 | Rodoviário |
| 2011 | Millennium III | Terceira geração |
| 2012 | Apache Vip III | Reestilização da família |
| 2012 | Millennium BRT Alimentador | Família para sistemas estruturados |
| 2012 | Millennium BRT Articulado | Alta capacidade |
| 2012 | Millennium BRT Biarticulado | Alta capacidade |
| 2014 | Apache Vip IV | Quarta geração |
| 2015 | Solar 3400 | Rodoviário |
| 2015 | Mondego reestilizado | Atualização do urbano |
| 2016 | Millennium IV | Quarta geração |
| 2016 | Millennium BRT II | Segunda geração BRT |
| 2016 | Millennium BRT Superarticulado | Versão de aproximadamente 23 metros |
| 2017 | Soul Class | Micro escolar/executivo acessível |
| 2017 | F2400 | Micro-ônibus |
| 2021 | Apache Vip V | Quinta geração |
| 2022 | Millennium V | Quinta geração |
| 2022 | eMillennium | Carroceria específica para elétricos |
| 2023 | Luminus | Elétrico para o México em parceria com a Volvo |
| 2025 | eMillennium BRT | Elétrico de alta capacidade |
| 2026 | Apache Vip VI | Sexta geração |
| 2026 | eApache Vip II | Segunda geração do elétrico de piso alto |
| 2026 | eMillennium atualizado | Evolução da carroceria elétrica |
| 2026 | bMillennium | Configuração para gás, com foco também no biometano |
A linha histórica oficial atual da Caio confirma os principais marcos desta cronologia, desde Jardineira, Bossa Nova, Jaraguá, Gaivota e Bela Vista até as famílias Apache, Millennium e eMillennium.
DE NOMES FEMININOS A SIGLAS ELÉTRICAS
A própria maneira de batizar os ônibus ajuda a revelar diferentes fases da indústria.
Bossa Nova refletia uma referência cultural.
Vieram nomes como Gaivota, Bela Vista, Gabriela, Carolina e Amélia.
Depois apareceram Vitória, Alpha e Millennium, já com linguagem mais relacionada a modernidade e passagem para uma nova era.
Apache atravessou décadas e transformou-se praticamente numa marca dentro da própria Caio.
Agora, letras adicionadas aos nomes também indicam a tecnologia aplicada.
O “e” passou a identificar produtos ligados à eletrificação, como eMillennium e eApache Vip.
O “b” do bMillennium identifica a configuração que a fabricante direciona às alternativas gasosas, especialmente ao biometano.
O DIÁRIO DO TRANSPORTE TAMBÉM AJUDA A PRESERVAR ESTA MEMÓRIA
A história de ônibus não permanece apenas nos catálogos das fabricantes.
Ela também sobrevive nas garagens, fotografias, documentos, miniaturas, encontros de antigos veículos e no trabalho de colecionadores que restauram exemplares que já desapareceram das linhas.
O Diário do Transporte acompanha esta preservação há anos.
A reportagem especial sobre o Gabriela mostrou como o modelo chegou a representar aproximadamente 44% do mercado nacional num único ano e relembrou sua participação na história dos articulados e trólebus.
A matéria “Amélia que era ônibus de verdade” recuperou a transição entre Gabriela e Amélia e o papel do modelo no desenvolvimento dos ônibus articulados e dos veículos com motores traseiro e central.
Em 2025, o site acompanhou a restauração de um Amélia com a pintura histórica da Viação Paratodos, pelo mesmo colecionador que já havia recuperado um Gabriela caracterizado como veículo da Tupi.
O Vitória também aparece repetidamente neste acervo, inclusive em histórias de antigos motoristas que decidiram comprar e recuperar os próprios ônibus com os quais trabalharam.
E o Bela Vista da Itapemirim mostrou que até um veículo que permaneceu décadas praticamente esquecido pode voltar a ganhar relevância quando sua importância histórica é reconhecida.
O MESMO NOME, OUTRO ÔNIBUS
Olhar para uma Jardineira de 1946 e para um eMillennium de 2026 mostra a dimensão das mudanças ocorridas em oito décadas.
No primeiro veículo, a produção era praticamente artesanal.
Hoje, carrocerias precisam compatibilizar sistemas eletrônicos, baterias de alta tensão, equipamentos de climatização, recursos de acessibilidade, câmeras, telemetria, portas automáticas e exigências estruturais e de segurança que sequer poderiam ser imaginadas nos primeiros anos da empresa.
Mas algumas preocupações atravessaram gerações.
Aumentar a capacidade.
Facilitar a manutenção.
Melhorar a visibilidade.
Adaptar o ônibus às características de cada cidade.
Reduzir o peso.
Aproveitar melhor o espaço interno.
E acompanhar as mudanças dos chassis disponíveis no mercado.
Por isso, a história da Caio não é apenas uma sequência de carrocerias.
É também uma forma de observar como o ônibus brasileiro mudou.
O Bossa Nova mostra a passagem para estruturas tubulares.
O Gabriela evidencia a busca por maior área envidraçada, capacidade e novas configurações mecânicas.
O Amélia acompanha a expansão dos articulados, trólebus e motores traseiros.
O Vitória representa a massificação do urbano nos anos 1980 e 1990.
O Millennium acompanha piso baixo, acessibilidade e corredores.
O Apache Vip simboliza o ônibus de motor dianteiro de grande escala do século XXI.
E eMillennium, eApache Vip e bMillennium mostram uma indústria que agora precisa responder à transição energética.
Oito décadas depois da primeira Jardineira deixar um barracão na Avenida Celso Garcia, a marca Caio continua estampada nos ônibus que fazem parte da rotina de milhões de passageiros.
Os desenhos mudaram.
As fábricas mudaram.
As estruturas passaram da madeira ao aço, alumínio e materiais modernos.
Os motores foram da dianteira ao centro e à traseira.
Vieram trólebus, articulados, biarticulados, piso baixo, BRT e baterias.
Mas talvez poucas imagens permitam visualizar tão claramente estas oito décadas quanto colocar lado a lado uma Jardineira, um Bela Vista, um Gabriela, um Amélia, um Vitória, um Apache e um eMillennium.
Não são apenas diferentes gerações de ônibus.
São diferentes gerações de cidades brasileiras.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes