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Linhas de transmissão levam a engenharia brasileira a cruzar o País

Fonte: revistaoe.com.br | Data: 14/08/2026 10:57:56

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A expansão do sistema elétrico brasileiro exigiu da engenharia a capacidade de vencer grandes distâncias, atravessar regiões remotas e desenvolver soluções para transportar energia entre os principais centros de geração e consumo do País.

Parte dessa trajetória pode ser observada na história da Tabocas, empresa fundada em 1999, em Belo Horizonte (MG), e especializada na construção de linhas de transmissão e subestações de energia.

Entre 1999 e 2018, a companhia captou 15.172 km em obras de transmissão, volume equivalente, segundo a empresa, a 16,5% de toda a extensão colocada em leilão pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) até então.

Nesse período, concluiu 11.957 km de linhas de transmissão e 101 subestações, trabalhando com tensões entre 230 kV e 800 kV. Mais da metade dessas obras estava localizada na região Amazônica, onde as condições geográficas e ambientais acrescentaram novos desafios à implantação da infraestrutura.

Engenharia para conectar diferentes regiões

A trajetória da empresa acompanha alguns dos projetos que marcaram a ampliação da rede de transmissão brasileira no início do século XXI.

Em 2002, a Tabocas executou seu primeiro projeto de 500 kV em circuito duplo. No ano seguinte, participou da construção da LT 500 kV Norte-Sul 3, integrante da infraestrutura responsável pela interligação energética entre diferentes regiões do País.

Outro avanço ocorreu em 2006, quando a empresa assinou seu primeiro contrato na modalidade EPC Full, passando a assumir responsabilidades mais amplas sobre os empreendimentos. No mesmo período, participou da construção e ampliação de 48 subestações do Programa Cresce Minas.

Em 2010, iniciou a montagem da linha de transmissão de 500 kV em circuito duplo Tucuruí-Manaus, projeto inserido no desafio de ampliar a integração elétrica da região Norte ao sistema brasileiro.

Dois anos depois, concluiu linhas de 230 kV e 500 kV do projeto IE Garanhuns, que totalizaram 803 km.

Rio Madeira amplia a escala da transmissão

A evolução da engenharia de transmissão brasileira também passou pela adoção de sistemas de corrente contínua em alta tensão, o chamado HVDC (High Voltage Direct Current).

Em 2014, a Tabocas entregou 578 km de linha de transmissão do primeiro bipolo do Rio Madeira e outros 640 km do segundo bipolo.

Os sistemas em 600 kV HVDC foram implantados como parte da infraestrutura destinada ao escoamento da energia das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, em direção a Araraquara, no interior paulista.

Projetos dessa escala evidenciam um dos desafios históricos da engenharia elétrica brasileira: transportar grandes blocos de energia por milhares de quilômetros, conectando regiões produtoras distantes aos grandes centros consumidores.

Belo Monte e a transmissão em 800 kV

Um novo marco tecnológico veio com o sistema de transmissão associado a Belo Monte.

Entre 2016 e 2018, a Tabocas participou da implantação da linha de transmissão em 800 kV HVDC, em corrente contínua, de Belo Monte. Segundo a empresa, tratava-se da primeira linha de transmissão de 800 kV HVDC das Américas.

A companhia informou ter sido a primeira empresa a concluir seu contrato no primeiro sistema. No segundo bipolo de Belo Monte, encerrou sua participação quatro meses antes do prazo previsto.

A evolução das tensões empregadas nas obras das quais participou, dos sistemas de 230 kV aos projetos de 800 kV, também ajuda a ilustrar a transformação tecnológica pela qual passou a infraestrutura elétrica brasileira.

Construir em um território de dimensões continentais

Implantar linhas de transmissão no Brasil significa trabalhar em terrenos, climas e ecossistemas muito diferentes.

Nas obras executadas em áreas remotas e ambientalmente sensíveis, especialmente na Amazônia, planejamento logístico, equipamentos especializados e mecanização passaram a desempenhar papel relevante para permitir a implantação das estruturas e reduzir interferências no território.

Ao longo dessa evolução, a Tabocas também ampliou sua mecanização. Em 2013, realizou investimento de R$ 70 milhões em máquinas e equipamentos. Cinco anos depois, aportou outros R$ 50 milhões. Na época da publicação original, seu parque reunia mais de 650 máquinas e equipamentos próprios.

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Em 2018, a empresa assinou contratos envolvendo outros 3.800 km de linhas de transmissão acima de 230 kV e 15 subestações.

A trajetória ajuda a mostrar uma transformação maior da própria engenharia brasileira. Conforme o sistema elétrico avançou para regiões cada vez mais distantes, cresceram também a escala das obras, as tensões de transmissão, a mecanização dos canteiros e a complexidade técnica necessária para fazer a energia percorrer um País de dimensões continentais.

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