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  • Duas mortes súbitas durante exercícios físicos em Belém, em academias e campos de futebol, assustaram a população.
  • Os casos reforçam o alerta médico sobre a atenção aos sinais do organismo e o uso indiscriminado de substâncias.
  • A Sociedade Brasileira de Cardiologia destaca que a morte súbita no esporte é rara, mas exige investigação de cardiopatias.
  • Especialistas alertam sobre os riscos cardiovasculares de anabolizantes, excesso de cafeína e pré-treinos sem acompanhamento.
  • A Anvisa emitiu alerta sobre o uso recreativo de tadalafila e outros medicamentos para disfunção erétil em academias.
  • Para treinar com segurança, é fundamental respeitar limites individuais e buscar avaliação médica antes de atividades intensas.
Duas mortes registradas durante atividades físicas em Belém, em intervalo de quatro dias, chamaram atenção para os riscos durante exercícios.
Duas mortes registradas durante atividades físicas em Belém, em intervalo de quatro dias, chamaram atenção para os riscos durante exercícios.

Duas mortes durante exercícios físicos, registradas em um intervalo de apenas quatro dias em Belém nas últimas semanas, assustaram frequentadores de academias, jogadores amadores e praticantes de esportes na capital paraense. Um homem morreu depois de passar mal enquanto treinava na academia Smart Fit do Boulevard Shopping, no centro de Belém; e outro não resistiu após sofrer um mal súbito durante uma partida de futebol em uma arena de grama sintética no Parque Shopping Belém.

As causas dos óbitos não foram divulgadas e, até o momento, não existe informação pública que relacione qualquer uma das mortes ao uso de medicamentos, estimulantes ou anabolizantes. Os episódios, porém, reforçam um alerta médico: atividade física exige atenção aos sinais do organismo e substâncias usadas para tentar melhorar desempenho não devem ser consumidas indiscriminadamente.

O primeiro caso ocorreu na quinta-feira, 6 de agosto, por volta das 19h15, na Smart Fit instalada no Boulevard Shopping, na avenida Visconde de Souza Franco. Segundo a academia, o aluno passou mal enquanto fazia exercícios e recebeu atendimento imediato da equipe e de médicos que estavam no estabelecimento. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas constatou o óbito após chegar ao local.

A ocorrência provocou movimentação no shopping. Testemunhas relataram uma aglomeração na área externa, e seguranças orientaram o público a deixar o local. O caso foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO), responsável pelos procedimentos de remoção, documentação e posterior liberação do corpo à família.

Em nota, a Smart Fit informou que a unidade possui equipamentos necessários para primeiros socorros, confirmou o acionamento imediato do Samu e lamentou a morte. A empresa declarou ainda solidariedade aos familiares e amigos do aluno.

Quatro dias depois, outra atividade esportiva terminou em morte. Na noite de segunda-feira, 10 de agosto, um homem passou mal enquanto disputava uma partida de futebol em uma arena de grama sintética localizada no complexo do Parque Shopping Belém, na avenida Augusto Montenegro. Testemunhas relataram que ele caiu durante o jogo. O Samu foi chamado e realizou manobras de reanimação ainda dentro do complexo esportivo, mas a vítima não resistiu.

Até a publicação das informações disponíveis sobre o segundo caso, a identidade do homem e a causa oficial da morte não haviam sido divulgadas. Também não havia nota oficial do empreendimento detalhando outras providências adotadas. Portanto, não é possível afirmar que o óbito tenha sido provocado por problema cardíaco ou qualquer outra condição específica.

Exercício físico: intensidade exige atenção à saúde

As duas fatalidades não significam que exercícios físicos sejam perigosos para a população em geral. Pelo contrário: a atividade física regular é reconhecidamente importante para a saúde. O cuidado precisa ser maior quando a pessoa inicia ou intensifica treinamentos, possui fatores de risco cardiovascular, apresenta sintomas durante o esforço ou pretende praticar exercícios de alta intensidade.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia destaca que a morte súbita relacionada ao esporte é rara, mas pode ocorrer principalmente durante treinos ou competições intensos. Entre atletas mais jovens, algumas cardiopatias estruturais e elétricas estão entre as causas que precisam ser investigadas; acima dos 35 anos, a doença arterial coronariana ganha importância. Avaliação clínica, histórico detalhado, exame físico e, quando indicado pelo médico, eletrocardiograma e outros exames podem ajudar na identificação de alterações.

Sinais como dor ou pressão no peito, palpitações importantes, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura e principalmente desmaio durante exercícios não devem ser ignorados. A orientação é interromper a atividade e procurar avaliação médica. Em uma parada cardiorrespiratória, rapidez no reconhecimento, acionamento do Samu pelo 192, início das manobras de reanimação por pessoas treinadas e disponibilidade de desfibrilador externo automático (DEA) podem fazer diferença. A SBC considera planos de emergência, pessoal capacitado e desfibriladores medidas fundamentais em ambientes esportivos.

Anabolizantes e pré-treinos: riscos cardiovasculares

Outro ponto de atenção é a procura por substâncias para acelerar ganho muscular, emagrecimento ou rendimento. Especialistas de hospitais universitários da Ebserh alertam que treinos intensos sem acompanhamento, anabolizantes, excesso de cafeína e determinados estimulantes usados como pré-treino podem favorecer problemas cardiovasculares em pessoas suscetíveis. Suplementos também devem ser utilizados com orientação profissional, especialmente quando há associação de diferentes produtos.

A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem alerta que o uso de anabolizantes está relacionado a doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, além de problemas hepáticos, alterações hormonais, reprodutivas e comportamentais. Em situações graves, as complicações podem levar à morte.

Tadalafila e outros medicamentos: alerta da Anvisa

A popularização do uso recreativo de medicamentos para disfunção erétil entre frequentadores de academias tornou-se outra preocupação. Em setembro de 2025, a Anvisa emitiu alerta específico sobre o consumo indiscriminado de substâncias como tadalafila, sildenafila, vardenafila, udenafila e lodenafila. A agência identificou a disseminação do uso sem supervisão médica inclusive com finalidade estética e como suposto auxiliar de desempenho físico.

A Anvisa esclarece que esses medicamentos não são aprovados para melhorar rendimento esportivo, aumentar força ou promover ganho de massa muscular. O uso inadequado pode provocar hipotensão, palpitações, taquicardia e, sobretudo em pessoas com fatores cardiovasculares preexistentes ou em determinadas associações medicamentosas, eventos graves. O risco de queda acentuada da pressão é particularmente importante na combinação com nitratos.

Anvisa alerta que tadalafila e outros medicamentos para disfunção erétil não são aprovados para ganho muscular, força ou desempenho esportivo.

Isso não significa que tadalafila ou qualquer outra substância esteja relacionada às duas mortes registradas em Belém. Não há informação disponível que sustente essa conclusão. O alerta decorre da preocupação geral das autoridades sanitárias com a automedicação entre pessoas que buscam melhorar desempenho físico.

Dicas para treinar com mais segurança e evitar riscos

Para quem frequenta academias, joga futebol ou pratica outras modalidades, a prevenção começa por respeitar limites individuais. Antes de iniciar atividades intensas, especialmente após longo período de sedentarismo ou quando existem fatores de risco, histórico familiar de morte súbita ou sintomas durante esforço, é recomendável buscar avaliação profissional. A necessidade e o tipo de exame devem ser definidos individualmente pelo médico.

Durante os treinos, educadores físicos podem orientar intensidade, progressão das cargas, técnica dos movimentos, intervalos e recuperação. Aumentar bruscamente peso, duração ou intensidade para acompanhar colegas ou resultados vistos nas redes sociais pode impor ao organismo um esforço para o qual ele não está preparado.

Hidratação adequada, descanso, alimentação compatível com a atividade e progressão gradual também integram uma rotina mais segura. Medicamentos, hormônios e anabolizantes não devem ser usados por indicação de amigos, influenciadores ou vendedores. Da mesma forma, misturar pré-treinos, altas doses de cafeína e outras substâncias estimulantes pode aumentar riscos e merece avaliação profissional.

As mortes ocorridas no Boulevard Shopping e no Parque Shopping Belém deixaram dois episódios marcantes em poucos dias para quem pratica esportes na capital. Enquanto os exames e informações oficiais são indispensáveis para esclarecer as causas de cada óbito, os casos servem para reforçar uma mensagem de prevenção: exercício deve representar saúde, e não uma disputa contra os limites do próprio corpo.




Luiz Flávio

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.