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Bebê dado como morto por três horas, Noah recebe alta após caso raro no interior de SP

Fonte: otempo.com.br | Data: 14/08/2026 11:48:09

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DANIELLE CASTRO, da Folhapress. O bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, que foi dado como morto por cerca de três horas antes de apresentar novamente sinais vitais, recebeu alta nesta quinta-feira (13). A informação foi confirmada pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru, onde o recém-nascido estava internado desde 17 de julho, após ser transferido da Santa Casa de Rio Claro.

A família também anunciou a alta nas redes sociais. Segundo os familiares, Noah segue usando uma sonda e continuará o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no “Centrinho” do HC-Bauru. O bebê nasceu com uma malformação no palato e precisa de acompanhamento especializado.

Amigos da família iniciaram uma campanha para arrecadar recursos destinados a despesas de hospedagem, alimentação e transporte dos pais durante o tratamento orofacial da criança.

Em nota, o Hospital das Clínicas informou que, por respeito ao sigilo médico e à privacidade do paciente, não forneceria informações assistenciais ou pessoais sobre Noah. A unidade também não confirmou se existe possibilidade de auxílio público para as despesas da família.

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Caso de Noah é considerado raro

O caso do bebê apresenta semelhanças com o chamado “fenômeno de Lázaro”, mas ainda não há confirmação científica de que esse seja o diagnóstico.

De acordo com a pediatra Priscilla Meirelles, docente do curso de Medicina da Faculdade Santa Marcelina, há menos de 10 casos semelhantes registrados em bebês ao longo de 40 anos de história da medicina.

A médica afirma que o caso de Noah chama atenção principalmente pelo tempo transcorrido. Em geral, pacientes que apresentam esse fenômeno voltam a apresentar sinais vitais entre 10 e 15 minutos após o fim das medidas de reanimação ou a declaração da morte. “É extremamente raro um bebê ressuscitar após ter ficado 3 horas em parada cardiorrespiratória (PCR)”, avaliou a pediatra.

O fenômeno de Lázaro ocorre quando há um retorno espontâneo da circulação após o encerramento das manobras de reanimação. Segundo Meirelles, uma das hipóteses é uma resposta tardia à adrenalina utilizada durante a reanimação.

No caso de Noah, a médica também considera que a malformação no palato pode ter dificultado a respiração e a avaliação clínica.

Como é determinada a morte de uma criança

De acordo com a pediatra, a declaração de óbito considera parâmetros como ausência de resposta neurológica à luz, redução da temperatura corporal e ausência de frequência cardíaca.

Quando a criança não apresenta batimentos cardíacos ou pulso, respiração e resposta pupilar, os socorristas realizam as medidas de ressuscitação. Segundo Meirelles, são necessários pelo menos 40 minutos de reanimação antes da confirmação da morte.

Depois disso, a criança deve permanecer entre 20 e 30 minutos em uma unidade de terapia intensiva sob monitoramento.

A pediatra explica que a avaliação inclui exame físico convencional, com ausculta do coração por estetoscópio e acompanhamento da frequência respiratória pelos monitores.

Segundo Meirelles, as informações reunidas até o momento indicam que esses procedimentos foram realizados no caso de Noah.

O pai do bebê teria permanecido quase uma hora com a criança no colo. Conforme o relato citado pela médica, o corpo chegou a ficar frio e com a musculatura rígida, sinais considerados tardios de óbito. Depois, o bebê teria permanecido por cerca de duas horas no necrotério.

Ainda não é possível determinar quando Noah voltou a respirar. A pediatra afirma que o caso não pode ser classificado exatamente como fenômeno de Lázaro e que, até o momento, não foi encontrada uma explicação científica para o ocorrido.

Entenda o caso do bebê Noah

Noah nasceu em 15 de julho na Santa Casa de Rio Claro e aguardava na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal por uma cirurgia especializada fora da cidade.

Segundo a Santa Casa, ainda no dia do nascimento, o bebê apresentou piora clínica e evoluiu para uma parada cardiorrespiratória. A equipe realizou manobras de reanimação cardiopulmonar por aproximadamente 45 minutos, seguindo os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O menino foi declarado morto no final da tarde. Cerca de três horas depois, a agente funerária da Santa Casa, Regina Célia Paschoal, percebeu movimentações e sons no saco funerário e encontrou o bebê novamente com sinais vitais.

No dia 17 de julho, Noah foi transferido para o Hospital das Clínicas de Bauru. Em 31 de julho, passou a respirar sem aparelhos. A alta ocorreu aos 29 dias de vida.