Luigi Mangione admite assassinato de CEO de gigante de seguros de saúde dos EUA
Fonte: brasil247.com | Data: 14/08/2026 15:04:54
247 – Luigi Mangione reconheceu nesta sexta-feira (14), diante de uma juíza federal em Nova York, ter matado Brian Thompson, diretor-executivo da UnitedHealthCare, o maior grupo de seguros de saúde dos Estados Unidos. O crime ocorreu em 4 de dezembro de 2024, em uma rua de Manhattan.
Segundo a agência France-Presse, Mangione se declarou culpado de perseguir a vítima. A sentença está prevista para 18 de dezembro, e a Promotoria já antecipou que pedirá prisão perpétua.
“Na manhã de 4 de dezembro, atirei contra o senhor Thompson em Manhattan e ele morreu”, afirmou Mangione durante a audiência. Thompson tinha 50 anos e foi morto a tiros em um caso que abalou o setor empresarial estadunidense e expôs críticas profundas ao sistema privado de seguros de saúde do país.
De acordo com os promotores, o ataque teria sido motivado pela rejeição de Mangione ao modelo de assistência médica dos Estados Unidos. Além das acusações federais relacionadas à perseguição da vítima, ele também responde a uma acusação de homicídio apresentada pelo estado de Nova York.
Após a confissão no tribunal federal, a defesa pediu nesta sexta-feira (14) a retirada das acusações estaduais, sob o argumento de que Mangione não deve ser julgado duas vezes pelos mesmos atos. “Acabamos de apresentar nossa solicitação perante o tribunal estadual para explicar porque as acusações devem ser retiradas em virtude das garantias de Nova York contra a dupla incriminação”, disse a advogada Karen Friedman Agnifilo.
Tanto as acusações federais quanto as estaduais podem resultar em prisão perpétua. Duas outras acusações federais, que previam a pena de morte, foram rejeitadas por um juiz no início deste ano.
A Promotoria defendeu uma punição severa. “Não pode haver celebridades entre aqueles que cometem crimes”, declarou Jamie McDonald, promotor federal do Distrito Sul de Nova York.
A audiência ocorreu sob forte esquema de segurança no tribunal federal de Manhattan, com a presença de apoiadores de Mangione e sobrevoo de helicóptero na região. Segundo relatos citados pela AFP, parentes de Thompson acompanharam a sessão. Ao deixarem o local em uma caravana de caminhonetes pretas, um homem gritou: “Os Estados Unidos amam Luigi”.
O caso ampliou o debate público sobre o sistema privado de saúde estadunidense. A morte de Thompson revelou o descontentamento de parte da população com seguradoras de saúde, e Mangione chegou a ser tratado por alguns usuários de redes sociais como uma espécie de herói. Setores conservadores, liderados pelo presidente estadunidense Donald Trump, pediram punição exemplar.
Mangione foi preso em 9 de dezembro de 2024, em Altoona, na Pensilvânia, depois que funcionários de um restaurante McDonald’s avisaram as autoridades. A prisão encerrou vários dias de buscas.
Segundo a Promotoria, ele viajou de ônibus de Atlanta para Nova York dez dias antes do assassinato. Depois, registrou-se em um hostel de Manhattan com documentos falsos e teria vigiado a área próxima ao hotel onde estava Thompson e ao centro de conferências onde ocorreu o ataque.
Durante a audiência desta sexta-feira (14), Mangione também admitiu ter usado uma impressora 3D para fabricar uma arma, equipada com silenciador e carregador. Após sua detenção, agentes encontraram entre seus pertences uma pistola, um silenciador e uma embalagem de manteiga de amendoim Skippy.
Nos Estados Unidos, uma pessoa pode responder a processos na esfera estadual e federal pelo mesmo crime, embora as acusações geralmente sejam distintas.
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