Haddad apresenta plano de governo para São Paulo com segurança no centro do programa
Fonte: brasil247.com | Data: 14/08/2026 16:05:26
247 – O plano do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) para o estado colocou a segurança pública no centro da gestão e reuniu propostas para combater a impunidade, fortalecer a educação, ampliar o atendimento de saúde, elevar a renda, melhorar a infraestrutura e reorganizar serviços do Estado. As informações constam nas Diretrizes do Programa de Governo Haddad – Governador de São Paulo 2027-2030.
De acordo com o documento, Haddad pretende concentrar a primeira frente de atuação na segurança e combinar essa prioridade com políticas de desenvolvimento econômico, educação pública, saúde, modernização administrativa e controle sobre contratos e concessões. O documento também estabelece metas públicas, monitoramento periódico e divulgação de resultados como instrumentos de gestão.
A chapa de Haddad tem o ex-ministro Márcio França (PSB) como vice, e outras duas candidaturas para disputar vagas previstas para o Senado – Marina Silva (PT) e Simone Tebet (PSB).
Segurança pública ocupa o primeiro lugar no programa
O programa batiza sua principal política de segurança como SP Protege com Impunidade Zero. Haddad sustenta que o Estado precisa aumentar a capacidade de esclarecer crimes e transformar cada ocorrência em ponto de partida para uma investigação. O plano propõe integrar bases de dados, reforçar perícia e investigação e divulgar trimestralmente indicadores de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio por meio de um Placar da Segurança.
A estratégia prevê maior integração entre Polícia Militar, Polícia Civil e guardas municipais. O projeto também propõe usar inteligência artificial para analisar registros de ocorrências e chamadas ao 190, produzir mapas de incidência criminal e direcionar equipes para locais e horários com maior demanda. A central de emergência, segundo o plano, cruzaria informações em tempo real para localizar ocorrências e acionar a viatura mais próxima.
O documento dedica uma frente específica à violência contra mulheres, crianças, adolescentes e idosos. Para mulheres sob risco, Haddad propõe ampliar o funcionamento das Delegacias de Defesa da Mulher em regiões de maior demanda e incorporar o Alerta Mulher Segura, iniciativa federal que associa tornozeleira eletrônica no agressor a dispositivos de aviso para a vítima e acionamento policial quando alguém descumpre a distância determinada pela Justiça. Para crianças e adolescentes, o programa prevê atendimento especializado e produção de prova pericial em até 48 horas.
Agência antifacção mira patrimônio do crime organizado
Outra proposta cria uma Agência Estadual Antifacção sob direção estratégica do governador. O desenho apresentado por Haddad reúne Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Estadual e órgãos de controle, além de prever participação do Ministério Público e integração, por convênio, com Receita Federal, PF (Polícia Federal), Banco Central e Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
A estrutura concentraria esforços na identificação do fluxo financeiro das organizações criminosas, no bloqueio de patrimônio, no combate à entrada de recursos ilícitos na economia formal e na destinação social de bens confiscados. O programa defende que a repressão ao crime organizado precisa alcançar seus financiadores e não se limitar à atuação nas ruas.
Haddad também inclui a valorização das carreiras policiais entre os eixos do SP Protege. A proposta aborda remuneração, condições de trabalho, saúde física e mental e critérios profissionais para promoções de policiais civis, militares e penais, bombeiros e integrantes da Polícia Técnico-Científica.
Câmeras corporais e recuperação de celulares
Na política de atuação policial, o plano defende câmeras corporais com gravação contínua durante todo o serviço nas ruas, sem depender do acionamento individual do agente. Haddad associa a medida à proteção do cidadão e à segurança jurídica dos próprios policiais durante as ocorrências.
O programa Meu Celular de Volta pretende integrar registro policial, rastreamento pelo IMEI, bloqueio e restituição do aparelho ao proprietário. O plano também propõe ampliar a fiscalização do comércio de usados, exigir IMEI na nota fiscal e impedir vendas sem comprovação de origem.
No combate às fraudes digitais, Haddad apresenta o Golpe Zero, com uma central estadual de reação imediata voltada a denúncias de golpes, tentativa de bloqueio rápido de valores desviados e investigação especializada. O texto cita falsos investimentos, clonagem de aplicativos e outras fraudes eletrônicas entre os crimes que a estrutura pretende enfrentar.
Nas áreas rurais, as diretrizes preveem patrulhamento orientado por dados e integração com centros regionais de comando e controle. O foco inclui furtos de gado, máquinas, defensivos agrícolas e insumos, além da repressão aos canais de receptação.
Haddad também propõe combinar segurança com políticas sociais nos territórios mais afetados pela violência. O programa prevê escola em tempo integral, esporte, cultura, mentoria, primeiro emprego e um Alistamento Civil Remunerado voltado a jovens em situação de vulnerabilidade. No sistema prisional, o plano propõe separar detentos por perfil e facção, interromper canais de comunicação das organizações criminosas e ampliar atividades de formação profissional e trabalho dentro das unidades.
Educação entra como base para a prosperidade
Na educação, Haddad propõe um pacto com os 645 municípios paulistas para alfabetização na idade certa, com apoio técnico e financeiro do Estado, avaliação transparente e metas baseadas nos indicadores federais.
O programa informa que 61% das crianças paulistas da rede pública alcançaram alfabetização na idade certa em 2025, diante de uma média nacional de 66%. O texto usa esses números para defender maior coordenação estadual e cita o Ceará, com 84%, como referência de cooperação entre governo estadual e municípios.
Para os anos seguintes da educação básica, o programa propõe ampliar o ensino em tempo integral e aproximar o ensino médio da formação profissional. Haddad pretende aproveitar a estrutura do Centro Paula Souza, das Etecs e das Fatecs para conectar a conclusão da escola às novas ocupações da economia.
O documento também assume compromissos com USP, Unicamp, Unesp e FAPESP. Haddad afirma que pretende respeitar a autonomia universitária, preservar a estabilidade do financiamento e aproximar a pesquisa acadêmica dos desafios do Estado.
Na rede básica, o programa critica o excesso de tarefas administrativas digitais impostas aos docentes e propõe rever esse modelo. Haddad pretende direcionar a tecnologia para apoio ao trabalho pedagógico, além de ampliar a formação continuada e reforçar a valorização profissional dos professores.
Renda, emprego e inteligência artificial
O capítulo econômico parte do objetivo de ampliar a renda dos paulistas. O documento cita estudo do FGV IBRE baseado na PNAD Contínua e afirma que a renda domiciliar real per capita em São Paulo cresceu, em média, 1,5% ao ano entre 2012 e 2025, enquanto o país registrou média de 2%. A proposta de Haddad vincula o desempenho econômico do governo à evolução da renda das famílias tanto na capital quanto no interior.
Para o mercado de trabalho, as diretrizes defendem qualificação profissional conectada às características econômicas de cada região e preparação para mudanças provocadas pela inteligência artificial e pela transição ecológica. O programa também inclui requalificação para trabalhadores que precisem mudar de área.
Pequenos negócios ocupam outro espaço relevante. Haddad propõe reduzir burocracia, ampliar crédito, apoiar formalização e aumentar a participação de pequenos fornecedores nas compras públicas estaduais.
No agronegócio, o documento destaca cana-de-açúcar, biomassa, cooperativismo, agricultura familiar e produção de combustíveis renováveis. O programa busca atrair investimentos ligados ao etanol e ao combustível sustentável de aviação, além de reforçar defesa sanitária, estradas vicinais, prevenção de incêndios, assistência técnica e inovação no campo.
A inteligência artificial aparece como uma aposta econômica transversal. Haddad quer atrair data centers abastecidos por energia limpa e centros de pesquisa de empresas de tecnologia. O plano também pretende difundir ferramentas de IA entre indústria, comércio, serviços, agronegócio e pequenos negócios, com o objetivo de elevar produtividade e renda.
Saúde mira redução das filas
Na saúde, o programa promete tornar visíveis as filas de consultas, exames e cirurgias. Segundo as diretrizes, dados da Secretaria Estadual da Saúde indicam espera média superior a onze meses por uma cirurgia em São Paulo.
Haddad propõe permitir que cada paciente consulte posição e tempo de espera pelo CPF, com definição de prioridades por critério clínico e comunicação dos agendamentos por meio do Meu SUS Digital. A estratégia inclui telessaúde, unidades móveis e contratação complementar de serviços privados sem cobrança do paciente.
O plano também prevê fortalecer o Farmácia Popular em São Paulo e integrar ambulâncias do Samu, hospitais, regulação de leitos, telessaúde e sistemas de inteligência artificial. O histórico clínico e os exames acompanhariam o paciente pelo Meu SUS Digital para facilitar o atendimento em unidades básicas, hospitais e UPAs.
Haddad quer ainda devolver à Secretaria Estadual da Saúde maior capacidade de coordenar a rede, organizar a regionalização e regular o atendimento especializado. As diretrizes incluem concursos públicos, educação permanente e políticas de valorização dos profissionais da saúde.
Moradia, mobilidade, saneamento e clima
O programa estende sua agenda a habitação, transportes, saneamento, mudanças climáticas, cultura, esporte, turismo e políticas sociais.
Na moradia, Haddad propõe integrar iniciativas estaduais com programas federais e municipais, ampliar habitação de interesse social, acelerar regularização fundiária e melhorar imóveis já existentes.
Na mobilidade, as diretrizes defendem expansão do transporte sobre trilhos, maior integração entre diferentes meios de transporte e melhorias nas conexões metropolitanas e no interior.
Para saneamento, o plano prevê fiscalização rigorosa dos serviços contratados, proteção de mananciais e medidas para ampliar a segurança hídrica. Na área climática, Haddad propõe fortalecer a Defesa Civil, mapear áreas de risco, apoiar a adaptação das cidades e ampliar ações de prevenção a desastres.
Políticas sociais, cultura e inclusão
O documento reserva espaço para o combate ao racismo e a outras formas de discriminação, com ações voltadas à igualdade de oportunidades e resposta aos crimes de ódio.
Na cultura, Haddad propõe apoiar a produção em todas as regiões paulistas e tratar a economia criativa como setor estratégico. O esporte aparece como instrumento de educação, saúde e inclusão, com maior presença nas escolas e nos territórios.
O programa também associa turismo ao desenvolvimento regional, prevê fortalecimento da assistência social e das políticas de segurança alimentar e estabelece ações específicas para idosos e pessoas com deficiência.
Gestão pública, concessões e controle de contratos
A última parte das diretrizes concentra propostas de gestão. Haddad pretende trabalhar com metas públicas, responsáveis identificados e ciclos regulares de avaliação. O plano também propõe reforçar carreiras técnicas e estruturas permanentes de coordenação dentro do Estado.
O programa dedica atenção especial às concessões e privatizações. Haddad defende fiscalização mais rigorosa, agências reguladoras fortes, transparência contratual e aplicação das sanções previstas quando empresas deixarem de cumprir obrigações assumidas.
Na área digital, o plano estabelece que o Estado deve manter controle sobre dados e plataformas, proteger a privacidade e criar regras públicas para o uso de inteligência artificial pelo governo. As diretrizes também propõem abrir dados, contratos e filas ao escrutínio público e fortalecer estruturas de controle e fiscalização.
Haddad afirma que pretende transformar as diretrizes em um plano de gestão já no primeiro ano de eventual governo, com metas, prazos e responsáveis identificados. O programa prevê um placar público atualizado a cada três meses, começando pela segurança, para acompanhar os resultados e permitir cobrança permanente sobre a administração estadual.
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