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FGC faz 30 anos após pagar R$ 40 bi no caso Master – SpaceMoney

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 14/08/2026 16:29:05

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O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chega aos 30 anos depois do maior teste de sua história: a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central no fim do ano passado, que exigiu o pagamento de aproximadamente R$ 40 bilhões em garantias. A cifra equivale a quase 40% das reservas do fundo, segundo Rubens Sardenberg, diretor da Febraban. A comemoração dos 30 anos, que seria realizada no fim do ano passado, foi adiada e ocorre nesta quinta-feira (13).

O episódio do Master, apesar de eventuais dificuldades enfrentadas por alguns investidores durante os pagamentos, não abalou a confiança no sistema financeiro, avaliam dirigentes do setor. Para Daniel Lima, presidente do FGC, o adiamento da celebração foi uma decisão acertada. O fundo chega à data depois de concluir o pagamento dos investimentos elegíveis ligados ao Master e também ao Will Bank.

Maior teste da história do FGC

Cassio von Gal, presidente do Conselho de Administração da ABBC, classificou o episódio como “a prova mais contundente do amadurecimento institucional do papel que o FGC representa”. A declaração reforça a visão de que o fundo cumpriu sua função de rede de proteção em uma quebra de grandes proporções.

O caso, porém, também expôs um alerta: a existência da garantia pode estar fazendo investidores olharem mais para a proteção do que para a qualidade do banco emissor. Sardenberg apontou a presença de um risco moral. “As pessoas estão aplicando direto no FGC, e não no banco emissor do título, que tem seus riscos”, disse o diretor da Febraban. O receio é particularmente relevante para CDBs, LCIs e LCAs de instituições menores, que costumam pagar retornos maiores. A cobertura de até R$ 250 mil por CPF pode gerar a percepção de que o risco é irrelevante.

O que muda após o Master

Para o setor, o FGC não existe para transformar aplicações arriscadas em investimentos sem risco. Sua função é proteger o pequeno poupador e evitar que a quebra de uma instituição provoque uma crise sistêmica. Foi com esse espírito que o Banco Central passou a adotar medidas para reduzir a dependência das captações protegidas pela garantia.

Entre as mudanças estão o estabelecimento de contribuições adicionais para bancos que dependem mais desse tipo de recurso e a exigência de que instituições muito expostas mantenham parte do dinheiro em títulos públicos. A principal alteração, segundo Gabriel Galípolo, presidente do BC, é ampliar a fiscalização sobre o destino dos recursos captados. A preocupação é evitar que bancos levantem dinheiro por meio de produtos garantidos pelo FGC e direcionem os recursos para ativos muito arriscados ou pouco líquidos.

“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores”, afirmou Galípolo. O caso Master deixa, assim, uma dupla lição: o FGC mostrou que consegue funcionar como rede de proteção em uma quebra de grandes proporções, mas a garantia não substitui a análise de risco de quem aloca recursos em investimentos de renda fixa.