Carro elétrico criado por estudantes usa o sol como combustível e pode gerar energia além da necessária para rodar milhares de quilômetros
Fonte: correio24horas.com.br | Data: 16/08/2026 09:42:46
Protótipo combina células solares, baixo peso e soluções de eficiência para os deslocamentos urbanos.
-
Kaíky Almeida
-
Agência Correio
Publicado em 16 de agosto de 2026 às 09:09

Um carro elétrico que fica parado por boa parte do dia parece estar à espera de seu próximo trajeto. Um protótipo criado por estudantes da Universidade Clemson, nos Estados Unidos, tenta inverter essa lógica. O veículo aproveita a luz solar para produzir energia enquanto circula e também durante o período em que permanece estacionado.
Chamado de Deep Orange 17 e batizado de Luminetta, o modelo foi desenvolvido por estudantes de pós-graduação em engenharia automotiva em parceria com a divisão de pesquisa e desenvolvimento da BMW. A proposta é alcançar um saldo energético positivo durante deslocamentos urbanos.
Carroceria vira fonte de energia
A principal característica do protótipo está espalhada pela própria carroceria. O veículo recebeu mais de 1.700 células fotovoltaicas integradas à superfície externa, capazes de alimentar o sistema de armazenamento de energia.
Para avaliar o desempenho em diferentes condições, os estudantes fizeram simulações considerando iluminação e clima de Greenville, nos Estados Unidos, Frankfurt, na Alemanha, Madri, na Espanha, e Mumbai, na Índia.
Em um deslocamento diário simulado de 20 quilômetros, o sistema solar produziu energia excedente suficiente para representar, em média, 50 quilômetros adicionais de autonomia por dia nas localidades analisadas.
Células fotovoltaicas ocupam parte da superfície externa do Luminetta e captam energia solar. por Divulgação / Clemson University
Peso também ajuda
A geração de energia não é a única estratégia adotada para melhorar a eficiência. O Deep Orange 17 pesa apenas 550 quilos, um valor bastante reduzido para um veículo elétrico desse tipo.
A estrutura combina aço de alta resistência, alumínio, fibra de carbono e conexões metálicas produzidas por impressão 3D. A escolha de diferentes materiais permitiu trabalhar com uma estrutura mais leve sem abandonar as características necessárias ao projeto.
O desenho da carroceria também segue uma lógica específica. As formas foram inspiradas no peixe-cofre, conhecido em inglês como boxfish. A referência à natureza serviu para buscar uma configuração capaz de reduzir o atrito aerodinâmico e, ao mesmo tempo, preservar o espaço interno.
Energia recuperada nas frenagens
O protótipo também utiliza frenagem regenerativa, sistema que permite recuperar parte da energia durante as desacelerações. O conjunto inclui ainda vetorização inteligente de torque e gerenciamento eletrônico do trem de força.
Dentro da cabine, o veículo conta com uma central multimídia capaz de mostrar dados de telemetria em tempo real. O sistema também possui integração com Apple CarPlay e Android Auto.
Projeto envolve estudantes
O desenvolvimento do veículo levou dois anos e envolveu 16 estudantes de mestrado, que participaram de diferentes etapas, desde a pesquisa inicial até a construção e os testes do protótipo funcional.
Depois da apresentação, o Deep Orange 17 permanecerá no Centro Internacional de Pesquisa Automotiva da Universidade Clemson, na Carolina do Sul, onde continuará servindo como plataforma para testes relacionados à mobilidade sustentável.
A universidade também informa que o projeto Deep Orange 17 foi desenvolvido com colaboração próxima de engenheiros da BMW e tem como objetivo criar um conceito de veículo elétrico integrado à energia solar.
A próxima etapa pública do projeto está prevista para a CES 2027, em Las Vegas. Até lá, a Luminetta permanece como um protótipo acadêmico que reúne geração solar, baixo peso e recuperação de energia em uma única proposta.

